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Com jogo na mão, São Paulo procurou alguém para decidir, mas não achou

Time pressionado pelo mau futebol. Técnico questionado. Adversário argentino, atual campeão da Libertadores. Jogo decisivo. Com tantos fatores, o mínimo que se esperava do São Paulo contra o San Lorenzo era um time com brio. Mais do que isso, porém, se esperava um time capaz de definir o jogo, se tivesse a chance. Com a posse de bola, no campo de ataque, não teve quem decidisse. Nem Alan Kardec (que saiu no primeiro tempo), nem Pato, nem Ganso, nem Michel Bastos. A derrota por 1 a 0 para o San Lorenzo deixa a situação do São Paulo em alerta na Libertadores. E para o resto do ano. Em um momento que era preciso que um dos seus caríssimos jogadores desse um passo à frente e assumisse o protagonismo, ninguém se apresentou.

Durante boa parte do jogo, o São Paulo esteve em uma situação favorável. Com o San Lorenzo ameaçando pouco, o São Paulo tinha mais a posse de bola e ficava no campo de ataque. Mas era inútil. A posse de bola do time não resultava em chances de gol. As falhas continuavam, mas Hudson amenizou a avenida do lado direito e Reinaldo… Bem, Reinaldo se esforçou do lado esquerdo. Como teve mais a bola que o adversário, sentiu um pouco menos os problemas defensivos. Mas sentiu. O gol veio de um momento de mau posicionamento do time, com volantes marcando errado, zagueiros mal posicionados e um lance mágico de Cauteruccio, que deu um chapéu bonito em Tolói, que deu o bote na hora errada, avançou e fuzilou Rogério Ceni – ajoelhado, mais uma vez, embora o chute fosse quase impossível de ser defendido.

Faltou, então, quem assumisse o jogo para si. Um jogador, que fosse, que assumisse o protagonismo. No elenco são-paulino, sempre tão elogiado, não há um jogador que assuma esse papel. Ganso continuou se movimentando pouco e recebendo a bola com pouco espaço. Michel Bastos estava mal no jogo, pouco conseguiu  fazer. Pato deu algumas arrancadas, mas pouco fazia além disso. Kardec esteve pouco participativo até sair, ainda no primeiro tempo. Centurión foi quem mais tentou em campo, dando trabalho com seus dribles. O problema era que ele não passava a bola e o time não se aproximava. Incrivelmente, o São Paulo conseguia ser inofensivo mesmo com esses jogadores em campo.

Faltou um protagonista em campo. Faltou também armar um time em campo. Organizado, um time pode consagrar um jogador mediano. Mal organizado, o time pode afundar bons jogadores. O São Paulo faz muito pouco para o time caro que tem. Falta plano de jogo. Se vê um time procurando o que fazer. É mais do que futebol ruim, é desorganização. O São Paulo é um time que, de tão desorganizado, só consegue se impor contra os fracos times do Campeonato Paulista. É pouco. E com esse futebol, corre risco de cair na primeira fase da Libertadores. Uma situação que causará uma crise de proporções gigantes.

Muricy Ramalho faz um trabalho ruim em 2015, é bom deixar claro. O time não ter organização em campo é problema do técnico, em última instância. Ganso, é bom lembrar, foi muito bem no Campeonato Brasileiro de 2014. Um dos melhores da sua posição. Com o mesmo técnico e um time muito parecido. Na época que Kaká estava no tricolor do Morumbi, havia quem achasse a participação de Kaká superestimada. Talvez olhando como o time se porta em campo depois de sua saída dê para entender que mais do que gols ou assistências, Kaká trazia ao time algo que Muricy não conseguia. Trazia organização.

Que o São Paulo coloque as barbas de molhos. Há um risco importante de ser eliminado na primeira fase da Libertadores. E um risco do time sofrer para vencer qualquer adversário minimamente importante.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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