Enfim, o gol de Ghiggia se transformou em vibração
Nada mais emblemático que a última seleção a confirmar a classificação para a Copa de 2014 tenha sido justamente a campeã no primeiro Mundial disputado no Brasil. E mais simbólico ainda é a coincidência de que o único dos 22 sobreviventes daquela partida decisiva seja justamente Alcides Ghiggia. O herói do bicampeonato mundial da Celeste ou o algoz do Maracanazo, a depender de quem conta a versão da história, completará 87 anos em dezembro. Nada tira de sua cabeça a vontade de voltar ao Maracanã em uma Copa.
Ghiggia se orgulha de ter sido, ao lado do Papa e de Frank Sinatra, um dos únicos três homens que calaram o Maracanã. O silêncio daqueles 200 mil torcedores presentes nas arquibancadas do estádio em 16 de julho de 1950 talvez seja o som mais impactante da história do futebol, feito exatamente da ausência de qualquer barulho. No entanto, se o atacante provocou aquele vazio, ele nunca pôde sentir a vibração de seus compatriotas. Algo corrigido pelos 55 mil uruguaios presentes no Estádio Centenário nesta quarta-feira.
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Horas antes da partida contra a Jordânia, Ghiggia foi recebido com flores e muitos aplausos no gramado do estádio. “Senti muita emoção naquele momento, pensei primeiro na minha família e nos meus amigos. Fiquei contente porque contribui para o meu país, para a alegria de quem viveu aquela época. O Maracanã tinha poucos uruguaios. Hoje tenho a sorte de festejá-lo com toda essa gente aqui. Para mim vai ser muito emocionante”, discursou. Não foi só Ghiggia que se emocionou e que se emocionará com as imagens.



