Em uma noite sem muito brilho, Elias indicou que pode ser um coringa como o Paulinho de 2012

O Corinthians tinha o jogo nas mãos. Por mais que o Once Caldas jogasse em casa e tivesse a altitude em seu favor, estava claro que o milagre seria mesmo impossível. E, por mais que os alvinegros tenham dado brechas demais na defesa, o empate por 1 a 1 foi o suficiente para ratificar a classificação. Afinal, o trabalho já tinha sido feito em Itaquera, e os corintianos puderam reduzir para a primeira marcha na visita em Manizales. Em um jogo protocolar, o bom sinal para a torcida se concentrou em Elias. Tanto pelo golaço que o meio-campista anotou, com direito a drible da vaca e cavadinha, quanto pela forma como ele vai assumindo o protagonismo no time.
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Elias é o cara para fazer a diferença no meio de campo. Não é exatamente aquele que mais ajuda na definição, como Renato Augusto, ou na criação, como Jadson. Também não fica sobrecarregado na proteção, o que é responsabilidade de Ralf. Mas o verdadeiro valor do camisa 7 é sua multiplicidade. A qualidade tanto para recompor, quanto para organizar e aparecer como homem surpresa no ataque. Nas duas partidas contra o Once Caldas, as atuações do meio-campista não foram tão uniformes, mas ele já apresentou o seu brilho.
Em uma equipe como a de Tite, o valor de Elias é enorme. O ponto sobre o qual o time converge, justamente pela capacidade de assumir diferentes funções. Nesta quarta, por exemplo, Elias tratou de administrar a posse de bola, ditando o ritmo de jogo. Na partida anterior, apareceu mais como o elemento extra no ataque, através de sua capacidade de infiltração na área. Justamente como o coringa que ajuda o time a se adaptar às diferentes exigências que encontrará nesta Libertadores. E, dentro do trabalho de Tite, já apresenta uma evolução em relação ao que fez pelo clube em 2014. Participa bem mais da construção das jogadas do que no esquema de Mano Menezes, ao menos neste início.
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De certa forma, Elias assume o papel que era de Paulinho na conquista continental de 2012, ainda que com características diferentes. Ambos são os motores alvinegros na condução entre defesa e ataque. Paulinho tinha um tipo muito mais físico, capaz de arrancar na base da força, além de ser mais consistente na marcação e de ser uma arma extra no jogo aéreo. Elias, em compensação, conta com um toque de bola mais refinado e maior poder de definição – tanto na criação quanto nas conclusões. Uma peça fundamental no sonho do bicampeonato veste a camisa 7.
Obviamente, o Corinthians tem muito a evoluir. A atuação em Itaquera foi um ótimo sinal, embora o Once Caldas estivesse longe de ser um adversário de qualidade técnica. Da mesma forma como o excesso de trabalho que Cássio teve em Manizales deixa o time de sobreaviso, principalmente pelas avenidas que se criaram nas laterais. O trauma da pré-Libertadores, no entanto, já é passado e os alvinegros precisam trabalhar forte para encarar o Grupo da Morte – com o clássico ante o São Paulo pela frente logo na próxima quarta. Tite possui seus trunfos para conquistar a classificação sem maiores sobressaltos, por mais que a suspensão de Guerrero nas duas primeiras partidas tenha sido uma péssima notícia durante o jogo. Assim, sem o principal jogador da equipe no último ano, Elias desponta ainda mais como a primeira carta na manga.



