América do Sul

Eliminatórias: o Brasil é logo ali

Começam nesta sexta-feira, com quatro jogos, as eliminatórias da América do Sul para a Copa de 2014. Único torneio classificatório para o Mundial disputado em pontos corridos e com turno e returno, a competição, normalmente já bastante disputada, tem tudo para ser ainda mais intensa. Afinal de contas, há 4,5 vagas em disputa para os 9 times – 4 diretas e uma na repescagem – sem a concorrência do Brasil, já classificado por ser sede. Mais que isso, tradicionais sacos de pancadas como Peru e Venezuela mostraram avanços nos últimos tempos, enquanto o Equador caiu de produção e a Argentina não vive a fase gloriosa de outrora. Neste especial vamos conferir como chegam os países abordados nesta coluna para a disputa das eliminatórias da Conmebol.

Uruguai

Colocação esperada: 2º lugar
Time base: Muslera; Caceres, Lugano, Godin e Maxi Pereira; Arévalo, Pérez e Álvaro Pereira; Forlán, Cavani e Suárez.
Principal dificuldade: Propor o jogo contra adversários mais fechados

O melhor sul-americano da atualidade – quarto colocado na Copa da África do Sul e campeão da Copa América – chega às eliminatórias gabaritado e experimentado, mas também com uma grande pressão. Depois de resultados tão bons nos últimos dois anos, ninguém pensa em outra alternativa senão ver o Uruguai classificado para 2014 e, muito provavelmente, disputando a primeira colocação com a Argentina. Aí é que reside o perigo para os charruás.

Embora tenha se dado bem na Copa América, a essência do futebol uruguaio é reativa, e não propositiva. Com muita marcação do meio pra trás e velocidade dali pra frente, é mais fácil para os comandados de Óscar Tabárez se defenderem e então contra-atacarem do que fazer um jogo cadenciado com criação de chances e explorando os erros do adversário. Até porque o Uruguai não tem um jogador capaz de fazer isso. Embora Forlán tenha grande talento e se vire bem na função de enganche, ele não é um criador e nem conta com companheiros exímios nesta função.

O problema é que dado o favoritismo e o momento da equipe, é praticamente certo que nenhum adversário irá se expor diante do Uruguai, seja fora ou dentro de casa. Caberá então a Óscar Tabárez orientar seus comandados neste sentido e ensaiar bastante as jogadas de bola parada, outro grande trunfo da Celeste atual. Mesmo assim a equipe não deverá ter grandes novidades em relação a da Copa América . Resta apenas saber se o técnico uruguaio insistirá no trio Cavani, Forlán e Suárez, com Forlán recuando mais, ou se reforçará o meio campo com quatro homens, tal qual fez com Álvaro González na disputa do torneio continental.

Paraguai

Colocação esperada: 6º lugar
Time base: Villar; Piris, Paulo da Silva, Verón e Marecos; Hernán Pérez, Barreto, Riveros e Estigarribia; Oscar Cardozo e Haedo Valdez.
Principal dificuldade: Remontar a equipe durante as eliminatórias

Nem o Paraguai empolgante das Eliminatórias para a Copa de 2010 – que terminou em terceiro lugar, um ponto atrás do Brasil – e nem a equipe defensiva e pragmática da última Copa América, que empatou 5 jogos e perdeu um, na final contra o Uruguai. O Paraguai do recém-empossado técnico Francisco Arce tentará ser uma mistura destes dois momentos recentes, com uma inclinação natural para a primeira.

O fato, no entanto, é que neste momento a albiroja não é nada. Arce teve apenas dois amistosos para fazer experimentos. Ganhou um jogo e empatou outro. Deixou claro que quer uma equipe mais ofensiva, de toque de bola e que crie jogadas, mas já mostra a dificuldade de achar atletas do país com essas características. Pelo menos no sistema tático Arce deverá insistir em um 4-4-2 britânico, com pontas de velocidade e dois atacantes, um de área e outro de mobilidade. É diferente do 4-5-1 da Copa América, que tinha Valdéz isolado no ataque e pontas mais preocupados em marcar do que em apoiar.

A grande questão deverá ser então o miolo do setor de meio campo, que tem muitos volantes pegadores e quase nenhum meia criativo que seja afeito ao jogo pela região central. Julio dos Santos seria a opção, mas ainda precisa mostrar que é capaz de tamanha responsabilidade. E Arce não tem muito mais alternativas. Na base o Paraguai fez papel ruim no Mundial Sub-20 e Sub-17, de forma que a renovação terá que ser mais de prospecção de jogadores já estabelecidos do que de lançamento de novas promessas.

Se o Brasil já enfrenta dificuldades enormes em fazer sua renovação com diversos talentos, imagine o Paraguai fazendo isso durante a disputa das eliminatórias…

Chile

Colocação esperada: 3º lugar
Time base: Bravo; Jara, Ponce e Arturo Vidal; Isla, Carmona, Matías Fernández (Medel), Beasejour; Valdivia; Sánchez (Pinilla) e Suazo.
Principal dificuldade: Achar o ponto certo entre ataque e defesa

Superada a grande questão “existe vida pós-Bielsa?” o Chile chega às eliminatórias disposto a manter o futebol razoável da Copa América, mas sem os erros infantis que lhe custaram a vaga nas semifinais. Claudio Borghi deverá manter o 3-4-1-2 da disputa continental e aperfeiçoá-lo durante a disputa da vaga para a Copa de 2014. O Chile não tem talentos individuais dignos de seus áureos tempos, mas tem um time consciente de suas responsabilidades.

Mais que isso, tem jogadores jovens, versáteis e que militam em clubes da Europa. São os casos do volante Gary Medel, do meia/lateral Maurício Isla, o volante Carlos Carmona, o versátil Gonzalo Vidal e sua principal estrela, no que se diz respeito a talento, Alexis Sánchez. Embora esteja machucado, Sánchez cairá como uma luva no esquema de Borghi, já que o estilo de jogo do Chile favorece a complementação do segundo atacante com os alas, o enganche – Fernández ou Valdívia – e o atacante de área, Humberto Suazo.

Com a ideia tática e os jogadores corretos o Chile tem grandes chances de fazer bonito nesta eliminatória. O calcanhar de aquiles, no entanto, é a defesa. Com apenas três homens e um goleiro bastante inseguro na figura de Claudio Bravo, os chilenos terão que se desdobrar para não serem surpreendidos. Na época de Bielsa isso era feito por meio da pressão no campo adversário o tempo todo, mas mesmo assim a equipe de El Loco acabou sendo traída pelo jogo excessivamente ofensivo.

Claudio Borghi não objetiva ousadias deste tamanho e por isso segura mais seu time. No entanto, pode sofrer com o limbo entre essas duas opções. Uma equipe que não ataca demais porque teme ser exposta, por exemplo.

Colômbia

Colocação esperada: 4º lugar
Time base: Ospina; Zúñiga, Perea, Yepes (Mosquera) e Armero; Carlos Sánchez; Pabón (Ramos), Guarín, Aguilar e James Rodríguez (Moreno); Falcao Garcia
Principal dificuldade: Marcar gols

Hernán Darío Gómez deixou o cargo, Leonel Alvarez assumiu, mas o futebol dos Cafeteros não deve ter grandes mudanças. Embora tenha sido precocemente eliminada da Copa América, com derrota para o Peru em jogo cheio de erros, a Colômbia tem um de seus times mais consistentes dos últimos tempos. Além de jogadores experenciados em campos da Europa, e cascudos, por assim dizer, os colombianos tem ainda atletas talentosos nas figuras do atacante Falcão García e principalmente do meia James Rodríguez, de apenas 20 anos.

Leonel Alvárez demonstrou que manterá o 4-1-4-1 de Bolillo Gómez, com Carlos Sánchez fixo à frente da zaga formada pelos “italianos” Zuñiga e Armero e os zagueiros Perea e Yepes. No meio, Fredy Guarín é o responsável pela cadência de jogo e levada da bola até o lépido Rodríguez e o goleador Falcao García. No papel é um bom time, mas que é mais encardido do que talentoso. Contra os menores deve bastar, mas será difícil arrancar mais que um ponto dos favoritos do continente. Se conseguirem, os Cafeteros podem voltar a uma Copa 16 anos depois da última participação.

Peru

Colocação esperada: 5º lugar
Time base: Fernandez; Guzasola, Rodríguez, Ramos e Yotún; Vargas, Balbín, Cruzado e Farfán; Pizarro e Guerrero.
Principal dificuldade: Se expor quando necessário

Marcação forte e bola para o(s) centroavante(s), se possível passando por Juan Manuel Vargas. Deu certo na Copa América e é a esperança peruana para voltar a uma Copa do Mundo. A última vez foi na Espanha em 1982. A missão do Peru é difícil, mas parece mais palpável do que há quatro meses, quando a seleção chegou completamente desfigurada à Copa América e era candidata a saco de pancadas da competição. O que se viu foi justamente o contrário. Uma equipe desfalcada sim, sem grande técnica, mas capaz de grandes feitos. Não à toa, terminou o torneio na terceira posição.

Reforçada com Farfán e Claudio Pizarro, a expectativa é de um futebol mais constante e capaz de enfrentar o grande desafio das eliminatórias. O técnico uruguaio Sergio Markarián mudou a mentalidade do time. Mais do que tática, ele conseguiu incutir na cabeça dos atletas que os peruanos não devem tanto assim às demais forças do continente. A classificação é complicada dado o nível dos demais postulantes à vaga, mas com certeza o Peru não repetirá o vexame das últimas eliminatórias, quando ficou na lanterna da competição.

Venezuela

Colocação esperada: 7º lugar
Time base: Vega; Velásquez, Lucena, Vizcarrondo e Cichero; Flores, Giorgi, Seijas e Arango, Maldonado e Rondón.
Principal dificuldade: Manter a concentração nos jogos mais difíceis

Se o momento dos uruguaios é de reencontro com a paixão pelo futebol, no caso venezuelano é de consolidação. Nunca houve tanta empolgação com o futebol no país quanto agora, após o surpreendente quarto lugar na Copa América. A curva ascendente do futebol da Venezuela, no entanto, já vinha sendo traçada há algum tempo. Depois do oitavo lugar nas eliminatórias para 2006, a seleção vinotinto chegou novamente em oitavo no qualificatório para 2010, mas a apenas dois pontos do último classificado, o Uruguai.

A classificação inédita é o grande sonho dos venezuelanos, que tem no técnico Cesar Farias o seu principal trunfo. Ele foi um dos principais responsáveis pela mudança de mentalidade do futebol da Venezuela, abrindo espaço para jovens jogadores e apostando alto nos talentos que militam fora do país. É em jogadores como Arango, Fedor, Maldonado, Rondón e Cichero que a Venezuela aposta para tentar, contando com tropeços dos rivais, surpreender.

Equador

Colocação esperada: 8º lugar
Time base: Domínguez, Reasco, Erazo, Jairo Campos, Walter Ayoví; Suárez (Benítez), Saritama, Segundo Castillo e Antonio Valencia; Christian Benítez e Jaime Ayoví (Caicedo)
Principal dificuldade: Renovar seu time sem jogadores novos

O fundo do poço já foi atingido? Essa é a esperança dos equatorianos para sonharem novamente com bons desempenhos. Depois de ir às Copas de 2002 e 2006, o Equador ficou fora de 2010 e se vê com um time envelhecido e sem muito mais a dar. A Copa América foi um exemplo claro do atual momento da Tri. Foram 3 jogos – 1 empate e 2 derrotas – dois gols marcados e três sofridos. Pior, tudo isso sem jogar um futebol minimamente capaz de convencer.

Se no setor ofensivo a equipe até conta com o talento de Antonio Valencia, Chucho Benítez e Felipe Caicedo, daí pra trás o Equador tem apenas jogadores que já não são capazes de corresponder às expectativas. Há alguns atletas das seleções de base que poderiam dar algum lastro à equipe, caso do volante Fernando Gaibor, mas mesmo assim é pouco e a aposta, em meio às eliminatórias, seria temerária. Na melhor das hipóteses o Equador lutará para não fazer feio demais. Armará seu 4-4-2 em duas linhas e torcerá para lampejos de Valencia, o que, convenhamos, é difícil de se contar…

Bolívia

Colocação esperada:
Time base: Arias; Vargas, Raldes, Ronald Rivero e Luis Gutiérrez; Flores, Robles, Edilvado Rojas e Rudy Cardozo; Saucedo e Marcelo Moreno
Principal dificuldade: Todas

Candidata a saco de pancada nas últimas eliminatórias e na Copa América, a Bolívia chega para esse qualificatório como…. Candidata a saco de pancadas novamente. Embora tenha passado por um discreto avanço em seu futebol, os bolivianos pouco mostraram no torneio continental disputado neste ano. Nem mesmo Marcelo Moreno, que joga na Europa há bastante tempo, teve força para arrancar os bolivianos da draga que é a equipe.

O desempenho vem sendo decepcionante até mesmo para os torcedores, que normalmente não esperam muito do time. A coisa chega ao ponto de o técnico Gustavo Quinteros já estar pressionado, mesmo com pouco menos de um ano de trabalho. A esperança de la Verde uma vez mais será a altitude, onde milagres como o 6 a 1 diante da Argentina podem acontecer de novo, embora sejam altamente improváveis. Tal qual o retorno dos bolivianos a uma Copa do Mundo…

CURTAS

Uruguaias

– No Uruguai, o Peñarol fez 3 a 0 no Rentistas e se isolou na liderança da competição, agora com 20 pontos em oito jogos. Em segundo lugar aparece o Cerro, que venceu o River Plate por 2 a 0 e tem 19 pontos. Completam os cinco primeiros Danubio, com 15 pontos, Defensor Sporting, com 14, e River Plate, também com 14. O Nacional é o sétimo colocado, com 13 pontos. A equipe venceu o Cerrito por 3 a 0 na última rodada.

Chilenas

– Após o primeiro tropeço veio o segundo e a Universidad de Chile empatou por 2 a 2 com o Deportivo Iquique. La U vencia por 2 a 0, mas tomou o empate nos minutos finais. A equipe ainda lidera o campeonato, agora com 29 pontos em 11 jogos, seguida pelo Colo Colo, que perdeu por 4 a 0 do La Serena e estacionou nos 22 pontos. O terceiro é o Audax Italiano, com 19.

Paraguaias

– Depois de diversas rodadas de equilíbrio, o Nacional desgarrou no Clausura paraguaio. A equipe venceu o Guaraní por 2 a 1 e bateu o 3 de Febrero por 2 a 0. Agora o Nacional tem 23 pontos em 11 jogos. Na segunda posição está o Libertad, com 19 pontos em dez jogos, seguido pelo Cerro Porteño, com 19 pontos em 11 jogos. O Olimpia é o sexto, com 13 pontos, só que em apenas oito jogos.

Equatorianas

– No clássico de Quito, empate por 1 a 1 entre Deportivo e LDU. Com o resultado o Deportivo chegou a 27 pontos em 11 jogos, seguido pelo Barcelona, com 22 pontos em 12 jogos. O Nacional é o terceiro, a LDU é a quarta colocada e o Emelec, que venceu o Independiente por 2 a 0, chegando a 17 pontos em 11 jogos, está na quinta posição.

Venezuelanas

– O Caracas venceu mais uma e se distanciou na liderança do Apertura 2011. A equipe da capital venezuelana bateu o Real Esppor por 2 a 0 e chegou aos 21 pontos em oito jogos. O CD Lara empatou com o Tucanes e se manteve na segunda posição, com 18 pontos. Yaracuyanos e AC Mineros vem na sequência com 17 pontos.

– A derrota por 2 a 0 diante do Mineros foi a gota d'água para o agora ex-técnico do Deportivo Táchira, Chuy Vera. Demitido, Vera disse que não houve paciência da direção da equipe. O atual campeão se encontra na 11ª posição. Vale lembrar que Chuy chegou ao clube depois de uma belíssima campanha com o Zamora, que jogava com posse de bola e ataque constante, a la Barcelona.

Bolivianas

– Não houve rodada do Apertura 2011.

Peruanas

– Não houve rodada do Descentralizado 2011.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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