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Eles são os verdadeiros Libertadores da América

Em geral não há muito como fugir à regra do futebol moderno: marcação sob pressão, atletas de bom preparo físico e posicionamento adequado são pilares de qualquer equipe bem sucedida. A qualidade técnica ainda é um diferencial, mas deixou de ter a preponderância de outros tempos. Por isso mesmo a figura do camisa 10 que recebe os passes, distribui o jogo, rompe defesas e dá o toque de criatividade às equipes têm dado lugar a atletas de maior vigor e velocidade, também afeitos à marcação. Na América do Sul não… Ou ao menos não tanto.

Dos oito classificados às quartas de final da Libertadores da América 2013, seis têm em seus quadros jogadores cuja determinação é exatamente essa: armar o jogo. Mesmo que isso tenha algum ônus defensivo. São os casos de Ronaldinho Gaúcho no Atlético Mineiro, Wágner no Fluminense, Omar Pérez no Santa Fe, Fábio Ramos no Real Garcilaso, Juan Salgueiro no Olimpia e Riquelme no Boca Juniors.

O estilo de jogo de todos é semelhante, mas há diferenças bastante marcadas. Os argentinos Omar Pérez e Riquelme, ambos formados no Boca Juniors, são da classe dos camisas 10 clássicos. Atuando centralizados à frente de uma linha de três volantes (na maioria das vezes), cabe a eles a tarefa de cadenciar o jogo e achar espaços com lançamentos precisos e visão de jogo apurada. Não espere dribles rápidos ou arrancadas para o gol, mas sim pensamento e qualidade na batida da bola. Foi com essa técnica que Riquelme cruzou e enganou o goleiro Cássio no gol do Boca Juniors e foi com inteligência que Omar Pérez saiu da armação para virar pivô e servir Wilder Medina no triunfo contra o Grêmio.

Um segundo grupo pode ser definido como o dos meias de movimentação e dribles rápidos. Nesta categoria estão Salgueiro e Fábio Ramos. No Olimpia e no Garcilaso, respectivamente, a tarefa deles é muito mais de aparecer para o jogo e carregar o time à frente do que de colocar os companheiros na cara do gol com um passe esplêndido ou coisa do tipo. Diferentemente de pontas, no entanto, ambos buscam a bola desde o campo defensivo e dão início a tabelas rápidas para infiltrar e concluir em gol. Salgueiro tem atuado como segundo atacante no 3-5-2 olimpista, mas é mais organizador que o paraguaio do Garcilaso.

Ramos, por sua vez, é alvo dos chutões dos zagueiros e por isso tem muito mais obrigação de ser veloz do que de pensar. Para a chegada às quartas de final, porém, ambos usaram de uma característica comum aos seis aqui citados: bola parada. Contra o Nacional, Fábio Ramos cobrou escanteio na cabeça de Bogado, enquanto Salgueiro bateu o tiro de canto que terminou no gol contra de Paparatto na partida com o Tigre.

Por fim o terceiro grupo é o dos camisas 10 híbridos, que unem e executam as duas características em suas equipes. São os casos dos dois brasileiros. Parece clichê, mas de Ronaldinho Gaúcho é possível esperar de tudo; desde uma arrancada veloz com dribles desconcertantes até uma enfiada de bola na medida para o centroavante – no duelo contra o São Paulo ele fez isso e mais um pouco. Já Wagner não é tão genial, mas também sabe armar e ser incisivo quando necessário. É verdade que Fred tem carregado o time nas costas, mas o Fluminense depende bastante do camisa 19, que atualmente tem sido muito mais 10 que Thiago Neves. Foi Wagner que fez o gol no Equador contra o Emelec em ótima batida de fora da área.

Evidentemente que os camisas 10 não são figuras exclusivas do futebol sul-americano. A questão é que nesta temporada eles adquiriram predominância com um estilo de jogo muito mais específico de armação do que na Europa. Por lá, Özil, Müller e Gotze são dribladores e carregadores de bola, que tem muito mais a incumbência de agredir do que de armar. Xavi é em primeiro lugar volante. Rooney é atacante recuado. Pirlo, um distribuidor de passes que atua atrás dos volantes e por aí vai. Claro que existem exceções, mas falamos aqui no geral.

Uma explicação para isso pode ser o espaço deixado pelos times sul-americanos na hora de marcar. Mesmo com os aspectos de posicionamento e marcação ganhando relevância, ainda há buracos nas transições ofensivas e defensivas que permitem a aposta em jogadores mais lentos ou de pouca aplicação tática e poder de marcação. Por outro lado, são atletas com ótima técnica e que fazem os riscos valerem a pena. As quartas de final da Libertadores mostram isso.

Venezuelanas

– No último domingo o Zamora Fútbol Club se tornou campeão do Torneio Clausura 2013. A equipe de Barinas, que é presidida pelo irmão do ex-presidente do país, Hugo Chávez, venceu o Estudiantes de Mérida por 3 a 0 e nem precisou esperar por nenhum resultado dos adversários. Agora o Zamora decide o título da temporada contra o Deportivo Anzoátegui, que ganhou o Apertura. O primeiro jogo acontece neste domingo.

– Com o fim do Clausura também foram definidos os representantes venezuelanos na Libertadores 2014. Além de Zamora e Anzoátegui, o Caracas também estará na competição por ter acumulado o segundo melhor desempenho da temporada.

Bolivianas

O Bolívar está a um empate de conseguir o título do Clausura boliviano. A equipe venceu o Universitario por 4 a 0 e enfrenta neste domingo o Nacional de Potosí em casa. Faltando duas rodadas para o fim do campeonato, o Bolívar tem 47 pontos contra 41 do Oriente Petrolero.

Chilenas

– No Chile a disputa pela taça do Transición segue ferrenha.  Faltando duas rodadas para o fim do campeonato, a Unión Española fez 3 a 1 no Antofagasta e segue na liderança, com 32 pontos. A Universidad Católica tem a mesma pontuação depois de bater o Audax Italiano por 2 a 1. O O’Higgins é o terceiro, com 31 pontos e a Universidad de Chile a quarta, com 30.

– Neste fim de semana acontece o clássico entre Universidad de Chile x Universidad Católica. Além deste jogo, a Unión Española encara o Palestino, enquanto o O’Higgins enfrenta o Deportes Iquique fora de casa.

Colombianas

Na Colômbia o Santa Fe venceu o Boyaca Chicó por 4 a 3 e assegurou vaga nos quadrangulares finais. A equipe lidera o Apertura com 28 pontos em 15 jogos. Em segundo lugar está o Tolima, que venceu o Junior por 2 a 1, e em terceiro o Atlético Nacional, que fez 2 a 1 no Once Caldas. Os outros que hoje estariam classificados são Itagüí, Once Caldas, Deportivo Pasto, Deportivo Cali e Millonarios.

Paraguaias

– No Apertura paraguaio segue o domínio do Nacional. A equipe venceu o Cerro Presidente Franco por 4 a 1 e chegou a 34 pontos em 13 jogos. O Libertad, que ganhou do Rubio Ñu por 2 a 1, é o segundo, mas tem apenas 23 pontos. O Guaraní é o terceiro, com 20.

– O Cerro Porteño também tem 20 pontos e é o quarto, após vitória por 3 a 0 sobre o Sportivo Carapeguá. Já o Olimpia ganhou do General Díaz e é o quinto, com 19.

Peruanas

– No Descentralizado 2013 segue a disputa entre Sporting Cristal e Real Garcilaso pela ponta. Ambas as equipes tem 26 pontos, mas o Cristal tem dois jogos a mais depois de perder para a Universidad César Vallejo por 1 a 0. O Garcilaso, por sua vez, venceu a Universidad San Martín por 1 a 0.

– Na sequência da tabela aparecem Universitario e Universidad César Vallejo, os dois com 24 pontos.

Uruguaias

– No Clausura uruguaio o Defensor Sporting empatou por 0 a 0 com o Bella Vista, mas segue na ponta, com 26 pontos. O Peñarol, no entanto, se aproximou após a vitória por 1 a 0 sobre o Progreso e tem agora 23 pontos. O River Plate empatou com o Danubio por 1 a 1 e é o terceiro, também com 23.

– Já o Nacional foi derrotado pelo Juventud de Las Piedras por 2 a 0 e caiu para a sexta posição, com 19 pontos. As seguidas derrotas e a eliminação na Copa Libertadores já colocam a cabeça do técnico Rodolfo Arruabarrena em risco.

Equatorianas

– No Equador o Emelec conseguiu retomar a vantagem sobre o Deportivo Quito. A equipe de Guaiaquil venceu o Deportivo Quevedo por 2 a 1 e chegou a 35 pontos em 14 jogos. Já o Deportivo Quito empatou por 2 a 2 com a Universidad Católica e tem agora 31 pontos, mas em 16 jogos.

– A LDU ocupa a terceira posição com 28 pontos, enquanto o Barcelona é o sexto, com 22.

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