América do SulArgentinaBrasilCopa do Mundo

Egos de lado, é o futebol quem mais ganha com uma imagem dessas

A rivalidade é um dos elementos mais importantes no futebol. Afinal, ela também ajuda a motivar a paixão. Aquela provocaçãozinha do dia a dia, que nos faz acompanhar com mais afinco, que torna um jogo realmente grande, que aumenta a importância de um craque. Mas às vezes ela também cansa. E foi isso o que aconteceu com Pelé e Maradona. Natural se discutir quem foi melhor, até pelo orgulho de brasileiros e argentinos em se intitulares reis ou deuses do futebol. Mas já não tinha muito nexo acompanhar os dois senhores de idade falando abobrinha (como já fazem muitas vezes sobre qualquer assunto) um sobre o outro.

Por isso mesmo, a visita de Pelé ao antigo programa de Maradona na TV argentina foi tão grandiosa. E por isso também que o abraço de ambos nesta quinta-feira tem seu significado. Tudo bem, era um jogo festivo organizado por empresas, o que sempre leva às suspeitas sobre quão natural era aquilo. Mas se a antipatia fosse realmente tão grande, não seria de se duvidar que algum deles se recusasse a aparecer. Além disso, desta vez prometeram estabelecer a paz entre si. É o que se espera há tempos.

Nenhum outro jogador na história possui a representatividade de Pelé ou Maradona. Você até pode discutir se houve alguém melhor que um ou outro. Mas ninguém além deles causou tamanho fascínio em multidões. É só notar o culto que gira em torno das lendas. Nem mesmo os craques atuais, com toda a mídia à disposição, podem se equiparar.

O único sentido de Maradona alfinetar Pelé, e vice-versa, era para alimentar o ego. Ambos não precisam disso. Ambos são bem maiores do que isso. As imagens com os dois gênios são raras. Talvez por isso, ganham ainda mais importância. Mas ver Pelé e Maradona juntos faz um bem danado para o futebol. É o melhor resumo possível sobre o talento com a bola nos pés. Sobre o magnetismo que uma bola bem tratada pode causar.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo