América do Sul

Retorno do Faraó: Diego Godín larga aposentadoria e jogará no interior do Uruguai

Aos 38 anos, Diego Godín defenderá o Porongos de Flores, clube que disputa a Copa Nacional do Interior

Cerca de sete meses após pendurar as chuteiras pelo Vélez Sarsfield, a lenda do futebol uruguaio Diego Godín voltará a jogar, dessa vez em seu país. O zagueiro, conhecido pelo apelido de Faraó, defenderá o Porongos de Flores, da Organização de Futebol do Interior (OFI) do Uruguai. Aos 38 anos, ele não atua em um jogo desde 30 de julho do ano passado, quando esteve em campo na derrota para o Huracán pelo Campeonato Argentino.

Para o futebol uruguaio, o “interior” considera os clubes de todos os departamentos (equivalente aos estados no Brasil) do Uruguai, com exceção de Montevidéu. Neste cenário, o Porongos, da cidade de Trinidad, capital do Departamento de Flores, é um dos times mais tradicionais. Fundado em 1910, soma três títulos da Copa Nacional OFI (1988, 1994 e 1995), competição que Godín disputará a partir de abril e tentará derrubar um tabu de quase 30 anos sem conquistá-la.

O pequeno clube também ostenta a façanha de ser o primeiro do interior uruguaio a disputar uma competição internacional, no caso a Copa Conmebol, em 1996, quando foram eliminados na primeira fase para o River Plate, do Uruguai.

– O Faraó. O histórico capitão do azul-claro, Diego Godín. A felicidade e emoção de ter você no clube, seja bem-vindo Diego – celebrou o modesto clube nas redes sociais, enquanto o jogador comemorou: “Vamos curtir o futebol do interior”.

Godín não será o único jogador com experiência europeia no elenco do clube de Flores. Ao lado do zagueiro estará o atacante Gonzalo Chory Castro, ex-Real Sociedad, Mallorca e Málaga,

O futebol do interior é algo muito tradicional no Uruguai e, antes de Godín, vários jogadores mais experientes se aventuraram. Obviamente um deles é Sebastián Abreu, “El Loco”, ex-Botafogo, o jogador que detém o recorde de mais clubes diferentes defendidos ao longo da carreira (32).

A trajetória de Godín até chegar ao Porongos

Pelo Atlético de Madrid, Godín fez o gol que deu o título espanhol em 2014 (Foto: Icon Sport)

Diego Godín foi a cara da defesa uruguaia na melhor fase recente da seleção local. É o recordista em jogos pela Celeste (161) e atuou em quatro Copas do Mundo, incluindo o quarto lugar de 2010 – melhor campanha desde a edição de 1970 – e a última, de 2022, quando caíram na fase de grupos. Também esteve no elenco campeão da Copa América de 2011, mas só atuou por dois minutos por conta de uma lesão, justamente na final vencida contra a Argentina.

A carreira por clubes tem destaque claro para os quase nove anos dedicados ao Atlético de Madrid. Por lá, sob comando de Diego Simeone, foi o titular absoluto da defesa nas principais conquistas do clube. Inclusive, foi decisivo para o título de La Liga em 2014, quando marcou o gol contra o Barcelona, em pleno Camp Nou, que sacramentou a primeira taça nacional dos Colchoneros em 18 anos.

Fosse ao lado do Miranda, do compatriota José Maria Gimenez ou qualquer outro colega, o zagueiro uruguaio foi o pilar de um dos mais efetivos sistemas defensivos da Europa na última década. Pelo clube de Madri ainda venceu três Supercopas da Europa, duas Ligas Europa, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha, além de dois vices da Champions League para o rival Real Madrid, em 2014 e 2016.

Depois do Atlético ficou uma temporada na Internazionale e passou pelo Cagliari antes de retornar à América do Sul. Teve esquecíveis seis meses no Atlético-MG e ingressou no Vélez no meio de 2022.

No Uruguai, onde não joga desde 2007, passou pela base do Defensor e atuou no profissional do pequeno Cerro e do gigante Nacional.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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