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Desfalcado, Brasil joga mal, mas vence o Chile com gol de Éverton Ribeiro

Diante das circunstâncias e dos desfalques, dava para cobrar muito mais? Muito, não. Um pouco, sim.

O Brasil, desfalcado dos jogadores da Premier League, não fez um bom jogo nesta sexta-feira em Santiago, mas pelo menos melhorou o suficiente depois do intervalo para vencer o Chile, um dos seus maiores fregueses, por 1 a 0, com gol de Éverton Ribeiro, e chegar a sete vitórias em sete rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas, melhor começo da história da seleção brasileira na competição, superando as Feras do Saldanha.

Apesar da marca e de ter chegado a 21 pontos, já com 12 de vantagem para o quinto colocado, a partida não foi boa. O atenuante é a ausência dos nove jogadores que atuam na Inglaterra. Cinco deles – Richarlison, Gabriel Jesus, Fred, Thiago Silva e Ederson – provavelmente seriam titulares, o que dá meio time. Ainda perdeu Claudinho e Malcom, do Zenit. Logo, era de se esperar que o seu time não estivesse tão ajeitado quanto poderia estar, embora não tenha havido tanta mudança do meio para frente. Bruno Guimarães entrou no meio ao lado de Casemiro e Lucas Paquetá, com Gabriel Barbosa pela direita e Vinícius Júnior pela esquerda. A equipe entrou em campo com a proposta clara de contra-atacar.

O problema é que, para essa proposta funcionar, você precisa primeiro defender bem, mas a marcação não se encaixou no primeiro tempo. Paquetá era o que parecia mais perdido, entre pressionar os zagueiros ou marcar mais na intermediária. Isso deu muita liberdade para Erick Pulgar e, principalmente, Arturo Vidal trabalharem a partir do círculo central. Mais de uma vez houve uma clareira naquela região que foi bem aproveitada.

O gramado estava péssimo e também não favoreceu um jogo que precisava de caras carregando a bola. Mesmo assim, Neymar fez boa jogada da esquerda para o meio e soltou para Bruno Guimarães, aos oito minutos. O meia do Lyon deu um drible a mais e acabou dividindo com Bravo. Pediu pênalti, mas foi apenas escanteio, cobrado por Neymar para desvio de Paquetá para fora.

A partir desse lance, o Chile dominou bastante as ações durante cerca de 20 minutos. Teve a posse de bola e tentava chegar principalmente pela direita, com Mauricio Isla, que não estava sendo bem marcado por Vinícius Júnior. De qualquer maneira, a próxima grande chance também foi do Brasil. Após um escanteio do Chile, Gabigol ficou com a sobra e arrancou pela direita, no mano a mano. Tomou a decisão certa, de abrir com Neymar que chegava voando pela esquerda. Mas lembra o gramado? A bola chegou extremamente viva para o atacante do Paris Saint-Germain, que tentou bater de primeira e isolou.

Apesar de as melhores chances do primeiro tempo terem sido brasileiras, incluindo uma tabela entre Neymar e Paquetá que terminou com chute colocado para fora, o Chile parecia melhor no jogo. E isso começou a se refletir no índice de trabalho do goleiro Weverton. Aos 30 minutos, defendeu a bomba de Vidal em cobrança de falta espalmando para o meio da área – o que não é recomendável -, mas se redimiu com uma linda intervenção no reflexo na cabeçada de Eduardo Vargas no rebote.

O Chile chegou a balançar as redes com Iván Morales, mas Eugenio Mena, autor da assistência, estava completamente impedido quando recebeu a bola dentro da área. Vidal seguia puxando todas as gordinhas e exigiu linda defesa de Weverton com bomba de fora da área. O Brasil teve uma última chance de chegar ao intervalo em vantagem, mas o contra-ataque puxado por Vinícius terminou com um chute fraco de Casemiro, em cima do goleiro Claudio Bravo.

Tite se mexeu no intervalo. Trocou Bruno Guimarães por Gérson, que oferece um pouco mais de controle no meio-campo, e colocou Éverton Ribeiro no lugar de Vinícius Júnior. O meia do Flamengo atuou mais centralizado, com Gabigol pelos lados, e o gol saiu. Após Alex Sandro fazer um bloqueio perfeito para impedir o que seria um gol de Aránguiz, Danilo entrou pelo meio e tocou para a entrada da área. Com um tapa, Ribeiro deixou Neymar na cara do gol, mas o craque, em uma noite horrível, chutou em cima de Bravo. Ribeiro marcou no rebote.

O Brasil teve um pouco mais de controle no segundo tempo, subindo a posse de bola de 36% para 43%. Não foi tanto, mas permitiu um pouco mais de respiro e a marcação melhorou como um todo. O Chile não chegou a ameaçar muito além de um abafa e o time de Tite ficou com a vitória. Diante das circunstâncias, dava para cobrar muito mais? Muito, não. Um pouco, sim.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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