América do Sul

Depois da campanha decepcionante nas Eliminatórias, Rueda é demitido da seleção colombiana

Reinaldo Rueda não conseguiu aproveitar o bom elenco da Colômbia e uma péssima sequência nas Eliminatórias custou a vaga na Copa

A manutenção de Reinaldo Rueda como treinador da seleção da Colômbia durante a reta final das Eliminatórias já tinha sido uma surpresa. Os Cafeteros vinham em péssima sequência na campanha e o treinador foi amplamente criticado pela condução de seu trabalho. No fim das contas, a federação não quis apostar no “fato novo” e, mesmo com as duas vitórias nas duas últimas rodadas, os colombianos não conseguiram se classificar para o terceiro Mundial consecutivo. Já nesta segunda-feira, a saída de Rueda do comando da equipe nacional foi oficializada – sem o anúncio de seu sucessor.

Reinaldo Rueda possui sua trajetória no futebol amplamente atrelada ao futebol de seleções. Durante os primórdios como treinador, dirigiu diferentes categorias de base da Colômbia e viveu seu maior sucesso à frente do time sub-20, quando alcançou as semifinais do Mundial de 2003. Sua primeira passagem pela seleção principal, todavia, não cumpriria o objetivo de classificar os Cafeteros à Copa de 2006. Foram dois anos com a equipe nacional até que Rueda emplacasse em outros países.

Rueda classificou Honduras para a Copa de 2010 e também esteve na Copa de 2014 à frente do Equador. A reputação seria ainda mais elevada quando assumiu o Atlético Nacional e chegou ao ápice de um processo de crescimento do clube, com o título da Libertadores de 2016. Isso até que passasse pelo Flamengo brevemente e virasse a aposta do Chile em 2018. Os três anos com a Roja, porém, foram bastante turbulentos e o mau início nas Eliminatórias para a Copa de 2022 não animava. Rueda então deixou os chilenos para reassumir a Colômbia, em janeiro de 2021.

O momento da Colômbia igualmente estava abaixo das expectativas. O ciclo com José Pekerman foi ótimo, mas Carlos Queiroz decepcionou na transição e seria demitido depois do retumbante 6 a 1 sofrido contra o Equador. Com Rueda, a Colômbia estancou a sangria nas Eliminatórias e deu alguns sinais positivos, mas sem pegar embalo. Pesou mais o digno papel feito na Copa América de 2021, com a campanha que rendeu o bronze. Contudo, o excesso de empates e a dependência de alguns jogadores davam seus sinais desde então. Algo que se agravou na sequência das Eliminatórias.

O ponto baixo da Colômbia veio a partir de outubro de 2021. Os Cafeteros estavam na zona de classificação, mas começaram a emendar empate atrás de empate. Foram quatro 0 a 0 em cinco rodadas, exceção feita ao 1 a 0 sofrido contra o Brasil. A falta de gols preocupava, assim como a maneira como o bom elenco parecia subaproveitado pelas decisões do comandante. Até que o ponto baixo surgisse com a derrota para o Peru em Barranquilla por 1 a 0, num jogo em que Rueda deixou o campo escoltado diante da revolta da torcida. Foi um revés crucial às pretensões de ir à Copa do Mundo, somado ainda à derrota para a Argentina logo depois.

A Colômbia chegou a sete rodadas sem vencer e sem marcar um gol sequer. Os problemas de Rueda eram evidentes, mas a federação preferiu não demiti-lo. Os colombianos tinham dois jogos acessíveis, contra Bolívia e Venezuela, mas não dependiam mais de si para a classificação. No fim das contas, foram duas vitórias, com destaque para os 3 a 0 para cima dos bolivianos. Todavia, os colombianos permaneceram um ponto atrás do Peru e não alcançaram sequer a zona de repescagem. O time ficou devendo especialmente no aspecto ofensivo, com 20 gols marcados em 18 partidas.

Reinaldo Rueda merece respeito por sua trajetória como treinador e por sua personalidade – ressaltada principalmente na época da tragédia com a Chapecoense. Porém, seus últimos trabalhos foram abaixo da crítica. Se em sua primeira passagem pela Colômbia existia uma transição geracional difícil de conduzir, desta vez as bases de um ótimo elenco estavam postas para buscar sua terceira Copa do Mundo. Não foi capaz de potencializar isso no coletivo, com uma equipe tantas vezes perdida dentro de campo. Foi uma oportunidade desperdiçada.

A Colômbia, embora fora da Copa de 2022, segue com potencial para se reerguer rápido. Antigos protagonistas como James Rodríguez e Radamel Falcao García deixam a cena, mas Luis Díaz tem qualidade suficiente para estrelar os próximos passos ao lado de nomes como Luis Sinisterra e Alfredo Morelos. Só que ficou claro pelo último ciclo que as individualidades não bastaram. Os Cafeteros tinham um dos cinco melhores elencos da Conmebol, mas renderam bem menos que concorrentes inferiores como Equador e Peru. Resta aguardar por um técnico que redescubra a vocação ofensiva do time e aproveite o desenvolvimento de talentos. Medalhões como Queiroz e Rueda deixaram a desejar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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