De que maneira?
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O discurso era belo. Após conseguir o vice-campeonato da maior competição de seleções da América do Sul o Paraguai parecia estar ciente de que era preciso melhorar. Afinal de contas, resultados à parte, – cinco empates e uma derrota na decisão – a albiroja versão 2011 era quase a mesma equipe da Copa de 2010: envelhecida e sem muito mais lenha para queimar. Foi pensando nisso que o técnico Gerardo Martino decidiu deixar o comando da seleção paraguaia. Foi pensando nisso que a federação de futebol investiu em um técnico iniciante, vitorioso como jogador, com novas ideias e identificado com o futebol local, sendo “inclusive” paraguaio, algo que não ocorria desde 2004. Foi pensando em uma nova cara para a seleção que Francisco Arce foi contratado. Nesta semana, dez meses depois de ter assumido a barca, Arce foi demitido após a derrota para a Bolívia. Culpa dele? Em termos.
Ciente da missão à qual havia sido incumbido, o jovem treinador de 41 anos, que tinha como méritos a subida do Rubio Ñu à elite do futebol nacional e posterior consolidação do clube entre as principais forças do torneio, decidiu tentar uma nova abordagem para a seleção. Arce não queria o time de veteranos e de pegada que havia sido capaz de alcançar as quartas de final da Copa de 2010 e a já referida decisão da Copa América. Arce queria uma equipe de posse de bola, capaz de ser ofensiva e competitiva… Semelhante à das eliminatórias para a África do Sul, quando a albiroja terminou em terceiro lugar, tendo entre os feitos uma vitória por 2 a 0 sobre o Brasil. Para tanto o treinador decidiu “desmontar” a base que dava frutos, mas que parecia ter atingido o auge, para dar mais atenção aos jogadores que militam no futebol paraguaio. Ao mesmo tempo, “el Chiqui” também decidiu acompanhar de perto o trabalho feito nas seleções de base paraguaias, uma vez que a maior parte dos medalhões que atuam na Europa já tem perto de 30 anos.
No papel Arce fazia tudo certo. O problema é que em meio a esse mundo etéreo de planos, consciência e sonho, havia também a fria e rígida realidade das eliminatórias. Nos dois primeiros jogos classificatórios para a Copa do Mundo de 2014 a albiroja conseguiu uma derrota por 2 a 0 para o Peru e um empate em 1 a 1 com o Uruguai, em casa, com gol aos 47 do segundo tempo. A expectativa para o “segundo round” era de um time mais coeso, mas a vitória por 2 a 0 sobre o Equador na bola parada e a derrota para o Chile pelo mesmo placar colocaram dúvidas na cabeça dos torcedores e do próprio Arce. A albiroja ia pressionada para o confronto contra a Bolívia na altitude de La Paz e o técnico sabia disso. Por esse motivo Chiqui pediu e a federação bancou uma estadia de 20 dias da equipe em La Paz a fim de ter a aclimatação necessária ao ar rarefeito. Todos os jogadores concentraram no dia 18 de maio, com exceção dos atletas do Libertad, que ainda estavam na Libertadores. Com tempo, treinos, aclimatação e entrosamento a lógica dizia que os paraguaios deveriam vencer… Perderam.
Não o problema não foi a altitude: foi a bola mesmo. No caso, a falta dela… Novamente atuando com duas linhas de quatro, – marca do atual trabalho, ante o 4-5-1 da Copa América – mas sem pegada na marcação, o Paraguai de Arce foi vítima de jogadas… Pelos lados! Pela direita Mazzacotte e Aranda levaram um baile de Pablo Escobar. Na esquerda Martinez e Torres sofreram com Gualberto Mojica. No centro da defesa Román e Paulo da Silva cansaram de ver Marcelo Moreno finalizar. Enquanto isso, no meio campo, Eric Ramos e Cristian Riveros pouco fizeram e não conseguiram desarmar e nem fazer a bola chegar nos atacantes Valdez e Zeballos. Ou seja… Uma péssima atuação coletiva que terminou com uma incontestável derrota. Novamente: culpa de Arce? Em termos.
Se por um lado o treinador errou ao não conseguir dar a cara que queria ao time e por não ter chamado os jogadores do Libertad quando podia – uma vez que desde a eliminação na Libertadores eles estavam disponíveis -, por outro está claro e evidente que não há material humano para seguir com esse projeto do novo Paraguai. Basta ver quais são os atletas em destaque na Europa e no futebol local. No velho continente temos os batidos atacantes de sempre: Haedo Valdéz, Roque Santa Cruz e Óscar Cardozo. Apostas como Estigarribia, hoje na Juventus, Lucas Barrios e Edgar Barreto parecem que nunca vingam, enquanto Jonathan Santana e Fabbro soam como jogadores de clube e nada mais. Na defesa a coisa é ainda pior. A ponto de Adalberto Román, reserva do Palmeiras, compor a zaga com o experiente Paulo da Silva. Nas laterais ainda há esperança em Píris e Samúdio, mas não muita, enquanto as seleções de base há tempos não promovem jogadores capazes sequer de destoar na própria categoria. É bem verdade que o Libertad tem um trabalho de futebol de base muito bom, mas daí a pleitear a convocação de nomes como Velázquez, Nasuti e Muñoz é um passo gigante.
Sem jogadores, sem técnico, sem perspectivas, sem rumo… Esta é a seleção paraguaia, penúltima colocada das Eliminatórias e seriamente ameaçada de não ir a um Mundial após quatro classificações consecutivas. O discurso era belo… A proposta era nobre… A realidade não foi tão condescendente com o fracasso. O tal projeto de nova seleção? Está suspenso até segunda ordem.
Tuitadas da Libertadores
Santos 0x1 Corinthians: Uma vez mais o Corinthians mostra a força de seu jogo coletivo. Classificação muito bem encaminhada. Timão parou Neymar e, mesmo sem camisa 9, conseguiu confundir a defesa santista.
Boca 2×0 U.de Chile: Boa atuação dos argentinos, péssima de La U. Em um duelo de 3-4-3 com 4-3-1-2 chega a ser ridícula a facilidade com que o Boca deitou pelos lados do campo. La U já fez grandes coisas nesses dois anos. Virar este jogo seria a maior delas…
Mais paraguaias
– Ainda não há um nome para substituir Arce, mas fala-se bastante em Gregorio Perez, demitido pelo Peñarol, e também em Paulo César Carpegiani, técnico do Vitória.
– No campeonato paraguaio o Cerro Porteño venceu o Nacional por 2 a 1, mas viu a diferença para o Olimpia se manter inalterada após um triunfo do Decano contra o Libertad, também por 2 a 1.
– A tabela do Apertura tem agora o Olimpia na liderança com 40 pontos em 17 jogos, ante 37 pontos do Cerro. O Libertad é o terceiro, com 31 pontos. Sol de América, com 29, e Guaraní, com 25, completam os cinco primeiros.
Colombianas
Rolou a bola no grupo A dos playoffs colombianos. O Deportes Tolima jogou fora de casa contra o Huila, mas saiu na frente ao vencer por 1 a 0. No outro jogo Pasto e Deportivo Cali empataram por 1 a 1. No grupo B o Santa Fe venceu o Chicó por 1 a 0 e Itagui e La Equidad ficaram no 1 a 1. Lembrando que nesta fase há dois turnos dentro dos grupos de quatro times. Os dois vencedores vão para a decisão.
Chilenas
Nos playoffs chilenos a Universidad de Chile bateu o Cobreloa por 2 a 1 e avançou às semifinais. Os azules vão enfrentar o Colo Colo. Na outra partida haverá o confronto entre O’Higgins e Unión Española.
Equatorianas
No Equador foi realizada a rodada 13. Rodada em que o Barcelona venceu o Emelec por 1 a 0 e assumiu a liderança, com 34 pontos em 18 jogos. O Independiente José Terán venceu o Macará por 2 a 0 e chegou à segunda posição, com 32 pontos. A Liga de Loja perdeu do Manta e ocupa o terceiro lugar, também com 32 pontos. O Emelec é o quarto, com 31. A LDU tem 29 após vencer o Técnico Universitario. Já o Deportivo Quito foi derrotado pelo Deportivo Cuenca e é o oitavo colocado.
Uruguaias
Seguem os preparativos para a semifinal da temporada uruguaia, que acontece neste sábado. Quarenta e um mil ingressos já foram vendidos para a peleja entre Defensor Sporting e Nacional no estadio Centenário.
Peruanas
O Descentralizado volta às atividades neste sábado.