América do Sul

Contra a torcida e por títulos, A. Nacional se torna imbatível

Na hora de contratar um técnico, a maioria dos clubes se baseia principalmente no currículo e nos resultados recentes para direcionar os seus esforços. Poucos dirigentes realmente levam em conta as características daquele profissional e as diretrizes que normalmente norteiam os trabalhos. Ao contratar Juan Carlos Osorio o Atlético Nacional sabia exatamente o que estava fazendo.

O treinador colombiano de 51 anos é o principal responsável pela conquista da Copa Colômbia em 2012, do Apertura Colombiano de 2013, pela primeira colocação no Finalización deste ano e pela maior sequência de invencibilidade da história do clube – 23 jogos sem derrota. Detalhe: com um futebol pragmático, de resultado, sem nenhum ponto de contato com a escola colombiana e os altos momentos da história Verdolaga.

O motivo para a chegada do treinador ao clube era nítido: depois de investir oito mihões de dólares para a montagem de um supertime em 2012, o Atlético Nacional viu aquela equipe de toque de bola irrestível e intensidade permanente ser a sensação da fase de grupos da Libertadores e a decepção das oitavas. Os talentos de Macnelly Torres e Pabón não foram suficientes para superar o excesso de confiança e a queda de rendimento de outros atletas.

Assim, a abordagem que levava ao encantamento e por consequência aos resultados foi substituída pela filosofia de Osorio, construída por ele na Inglaterra, quando foi auxiliar técnico de Kevin Keegan no Manchester City. Entre 2001 e 2006, Osorio aprendeu tudo que o futebol inglês podia ensinar e passou a desenvolver a sua própria metodologia de trabalho. Depois de passagens sem tanto destaque por Millonarios e Chicago Fire, o treinador chegou ao Once Caldas e lá conseguiu o título do Finalización 2010 e uma boa participação na Libertadores 2011, quando eliminou o Cruzeiro e caiu para o Santos.

No final daquele ano deixou a equipe de Manizalles e teve uma breve passagem pelo Puebla do México, chegando ao Atlético Nacional em maio de 2012. Logo em seus primeiros dias desmontou o time que tinha no toque de bola sua principal virtude e passou a exigir que até mesmo Macnelly Torres marcasse. Os resultados aos poucos foram aparecendo, mas às custas dos torcedores. que não concordaram com a postura defensiva e nem com as constantes trocas de titulares jogo a jogo, dependendo do adversário. Nem mesmo o título da Superliga e da Copa colombianas foram capazes de convencer a hinchada verdolaga.

Ao mesmo tempo Osorio despachava jogadores trazidos para o início de 2012 e ia atrás de homens de confiança, como o meia Felix Micolta, o atacante Uribe e o volante Diego Arias, ex-Cruzeiro. Em 2013, veio o acréscimo de qualidade com o veterano Juan Pablo Ángel capitaneando o ataque e Nájera e Sherman Cárdenas tomando conta do meio. Assim a equipe se aproveitou do foco de Santa Fe e Millonarios na Libertadores para vencer o Apertura 2013 com a campanha pouco vistosa de 12 vitórias, dez empates, quatro derrotas, 40 gols marcados e 30 sofridos. Mas, no fim das contas era um título.

A conquista acalmou um pouco a torcida que passou a ver um pouco mais das qualidades do professor. Inabalável em suas convicções Osorio segue com o bom trabalho também no segundo semestre. Além de Sherman Cárdenas estar em excelente fase e nem deixar que Macnelly Torres faça saudades, outros jogadores também têm se destacado, como o lateral esquerdo Stefan Medina e o volante Alexander Mejía, ambos convocados para a seleção colombiana nas Eliminatórias.

Na atual campanha do Finalización a equipe tem 22 pontos em oito jogos, com sete vitórias e um empate. A diferença de seis pontos – mesmo com um jogo a menos – em relação ao Millonarios já faz com que toda a Colômbia aposte na equipe verde como campeã também do segundo torneio do ano. Assim o Atlético Nacional volta a ser a força dominante no país. Assim Juan Carlos Osorio mostra aos fãs que há beleza em vencer sempre.

Mais colombianas

Além do Atlético Nacional, os outros sete times que hoje estariam classificados para os playoffs são Millonarios, Santa Fe, Deportivo Cali, Patriotas, Junior, La Equidad e Tolima.

Paraguaias

No Paraguai o Cerro Porteño lidera o Clausura com 21 pontos, contra 19 do General Diáz e 16 do Deportivo Capiatá. O Libertad é o sexto e o Olimpia é o décimo.

Chilenas

No Chile a Católica segue na liderança e sem perder no campeonato, agora com 17 pontos. O Cobreloa é o segundo, com 15. A Universidad de Chile é a oitava e o Colo-Colo ocupa a posição de número 13.

Uruguaias

No Apertura uruguaio o River Plate é a surpresa, com 12 pontos em quatro jgoso. O El Tanque Sisley é o segundo, o Danubio o terceiro e o Nacional é o quarto. O Peñarol é o nono colocado.

Equatorianas

No Equador a Universidad Católica ultrapassou o Emelec e tem 24 pontos em 11 jogos. o Emelec é o segundo, com 22. O Deportivo Quito é o sexto, a LDU é a nona e o Barcelona o décimo.

Peruanas

No Peru a Liguilla A tem o Real Garcilaso na liderança, com 59 pontos contra 55 do Sporting Cristal. Já na Liguilla B o Universitario tem 57 pontos contra 49 do Inti Gas.

Bolivianas

No Apertura boliviano o Bolívar tem 15 pontos em sete jogos e lidera o campeonato ao lado do The Strongest, que também tem 15. O Nacional Potosí é o terceiro, com 14.

Venezuelanas

Na Venezuela o Caracas é o primeiro com 12 pontos. O Mineros é o segundo com a mesma pontuação, mas um jogo a menos. O Deportivo Anzoátegui também tem 12 pontos em cinco jogos.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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