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Com bom trabalho de Gareca, Peru caminha para melhor campanha nas Eliminatórias em 20 anos

André Carillo passou aproximadamente um ano sem atuar pelo Peru e pelo Sporting. Resultado de uma suspensão imposta pelos Leões por “má fé” no processo de renovação do seu contrato. Sem minutos pelo clube, sem minutos pela seleção. Assinou com o Benfica, na última janela de transferências, e voltou a executar a profissão de jogador de futebol. Ricardo Gareca promoveu seu retorno ao time nacional na última sexta-feira, como titular contra o Paraguai, e apostou novamente no jogador de 25 anos contra o Brasil. Aos 7 minutos do primeiro tempo, a confiança que depositou nele, apesar dos questionamentos da imprensa, poderia ter sido premiada. Carillo tabelou com Cueva, dentro da área, e bateu colocado, com categoria. A bola acertou caprichosamente a trave de Alisson e foi embora.

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Esse lance poderia ter mudado tudo na partida mais difícil que a seleção de Tite enfrentou. O Peru ignorou o retrospecto histórico – nunca venceu o Brasil pelas Eliminatórias – e acreditou que poderia sair com os três pontos. Não era um delírio. A equipe está realmente jogando muito bem, diante do material humano que Gareca tem em mãos e caminha para realizar sua melhor campanha no classificatório para a Copa do Mundo desde o torneio que deu vagas para o Mundial de 1998, quando ficou em quinto lugar, com os mesmos 25 pontos do Chile, e não viajou à França apenas porque perdeu nos critérios de desempate.

O Peru não joga a Copa do Mundo desde 1982, e dificilmente conseguirá quebrar esse jejum na Rússia. Mas promete circundar a vaga na repescagem até as últimas rodadas. Estava, antes do jogo contra o Brasil, a apenas três pontos dela. Agora, caiu para cinco, mas já soma 14 pontos, mais do que em toda a campanha de candidatura à Copa de 2010 – foi lanterna, com 13. Com seis rodadas pela frente, deve também superar as Eliminatórias de 2014 (15 pontos), 2006 (18) e 2002 (16). Ainda enfrenta Bolívia, em casa, e Venezuela, os dois piores times do torneio.

Depois de uma passagem ruim pelo Palmeiras, com uma vitória em nove rodadas do Campeonato Brasileiro, Ricardo Gareca consegue realizar um bom trabalho com a seleção peruana. Assumiu a equipe pouco antes da Copa América de 2015 e chegou às semifinais. Perdeu para o campeão Chile, por 2 a 1, resistindo até a metade do segundo tempo. Na Copa América do Centenário, foi derrotado nas quartas de final, nos pênaltis, pela Colômbia, depois de eliminar o Brasil de Dunga na fase de grupos – com um gol de mão, é verdade, mas o time fez um bom jogo mesmo assim. Nas Eliminatórias, venceu o Equador, goleou o Paraguai, empatou com a Argentina e vendeu caro a derrota contra Chile e Uruguai. E contra o Brasil.

O Peru conseguiu fazer um jogo equilibrado contra a seleção brasileira, mesmo com um time muito inferior. Nesta data Fifa, foram convocados apenas quatro jogadores que atuam na Europa, nenhum em um grande centro: Carillo, no Benfica, Yotún, no Malmö, da Suécia, Edison Flores, no AaB, da Dinamarca, e Renato Tapia, do Feyenoord. Os dois representantes de grandes brasileiros, Guerrero e Cueva, são os mais talentosos. O meia do São Paulo, inclusive, foi resgatado por Gareca. Não atuava pela seleção peruana há dois anos e meio quando foi chamado para amistosos de preparação para a Copa América de 2015. Foi titular em cinco das seis partidas do Peru no torneio chileno.

Bem organizado, compacto e ciente de suas limitações, o Peru pressionou o Brasil e teve a grande chance de complicar ainda mais a vida do adversário nos pés de Carrillo. Para azar de Gareca e seus comandados, o time de Tite não se assusta com facilidade e carregava a confiança de cinco vitórias seguidas. Acordou com a bola na trave e passou a dominar a partida. O anfitrião aguentou muito bem as investidas brasileiras e só foi vazado em uma infelicidade da sua defesa, em uma bola que escapou da defesa e acabou sobrando para Gabriel Jesus, na cara do gol. Quase empatou na sequência, quando Alisson socou nas costas de Ramos, após cobrança de escanteio. Renato Augusto fechou o placar de uma partida na qual o Peru poderia ter tido outra sorte, não fosse a ótima fase na qual entrou a seleção brasileira desde a chegada de Tite. Mas deixou uma ótima impressão mesmo assim.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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