Chile foi destroçado pelo Equador e a missão de ir à Copa do Mundo já se complica

A situação é calamitosa. Bicampeão continental, o Chile vai encerrar mais uma rodada das Eliminatórias ocupando a mísera sétima colocação. E, na melhor das hipóteses, verá seus principais concorrentes pela vaga na Copa do Mundo quatro pontos à frente no G-4. Nesta quinta, a Roja fez uma partida irreconhecível. Foi presa fácil para o Equador no Estádio Atahualpa e permitiu que La Tri encerrasse sua sequência de quatro jogos sem vencer na competição. A impressão é que os 3 a 0 em Quito ficaram baratos, pela maneira como os equatorianos passearam em campo – algo reforçado pelo próprio técnico Juan Antonio Pizzi na saída de campo, assumindo a culpa e afirmando que o placar poderia ser mais elástico. De qualquer maneira, o triunfo já valeu para os anfitriões chegarem aos 16 pontos, assumindo provisoriamente a vice-liderança.
Em apenas 23 minutos, o Equador já vencia por dois gols de vantagem. A velocidade do ataque da casa destroçava o Chile, ao mesmo tempo que a defesa visitante concedia muitíssimos espaços, com Mena em atuação desastrosa. Antonio Valencia e Cristian Ramírez aproveitaram para fazer o serviço, com dois tentos em intervalo de cerca de quatro minutos. Não havia qualquer proteção pelos lados ou na cabeça de área. Já na segunda etapa, foram necessários 50 segundos para que Felipe Caicedo fechasse o caixão. E o quarto gol só não saiu nos acréscimos porque a trave não deixou.
A seleção equatoriana nem precisou pressionar o tempo todo. Quando assim o fazia, se aproximava fácil da meta de Claudio Bravo. Se La Tri quisesse forçar, poderia muito bem construir uma goleada. Enquanto isso, a Roja viveu uma tarde totalmente desencontrada. Seus destaques pouco conseguiram se conectar, mesmo com Vidal, Sánchez, Vargas e Aránguiz escalados do meio para frente. Não se viu a intensidade, tão costumeira com Sampaoli, e tão importante para iniciar a pressão no campo de ataque, protegendo um pouco mais a defesa. Da mesma forma que a garra da Copa América Centenário, quando Pizzi montou um time um pouco mais pragmático, mal apareceu.
A má campanha do Chile nas Eliminatórias, no entanto, se compartilha entre os dois treinadores. Sampaoli começou liderando, com as importantes vitórias contra Brasil e Peru, mas depois só empatou com a Colômbia em casa e foi engolido pelo Uruguai em Montevidéu. Já Pizzi venceu apenas um de seus cinco jogos, e diante da Venezuela, em péssima fase antes da chegada de Rafael Dudamel. De 12 pontos disputados em Santiago, a Roja conquistou somente cinco, e a única vitória veio contra o Brasil. Em um torneio no qual o mando de campo vale tanto, faz falta. Ainda mais considerando que os chilenos visitam Colômbia, Argentina, Bolívia e Brasil no returno.
Diante do mau futebol, a cabeça de Pizzi começa a ser posta a prêmio. A questão está mais na maneira como o técnico vai reinventar a equipe. O Chile conta com uma geração muito boa, ainda que não tão espetacular quanto alguns pintam. A questão é que os sucessos na Copa América, na Copa do Mundo e na parte final das últimas Eliminatórias dependeram muito mais do coletivo coeso. É preciso correr contra o tempo para recuperar uma gana que não se sente mais entre os chilenos. Até porque as Eliminatórias já chegaram em sua metade, e a Roja estagnou na parte inferior da tabela.




