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Brasileiros têm, novamente, motivos para temer os argentinos na Libertadores

País com o maior número de títulos na Copa Libertadores, com 23 conquistas, a Argentina há algum tempo não se via representada por tantos times fortes e tradicionais em uma edição do grande torneio de clubes da América do Sul. O domínio brasileiro dos últimos anos foi quebrado pela conquista do San Lorenzo em 2014, e os candidatos a reforçarem o bom momento vivido pelos hermanos dão motivos suficientes para os brasileiros se preocuparem com a quebra de sua hegemonia. O resultado final do ano passado pode ter sido apenas uma exceção, mas há qualidade suficiente em nosso país vizinho para essa posição se ratificar em 2015.

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Seis equipes argentinas estão garantidas na fase de grupos: San Lorenzo, River Plate, Racing, Boca Juniors, Huracán e Estudiantes. Com exceção do Huracán, claramente mais fraco e que só está na competição porque ganhou a vaga em um mata-mata (a Copa Argentina), todos têm pontos fortes evidentes com os quais contribuir para uma competição das mais acirradas e técnicas da história recente do torneio. Diferentemente do que podiam oferecer Arsenal de Sarandí, Banfield, Lanús, Godoy Cruz e Tigre, alguns dos times a figurarem na Libertadores nos anos anteriores.

Veja como a Argentina colocou times pequenos nas últimas cinco Libertadores:

2014: Vélez Sarsfield, Newell’s Old Boys, San Lorenzo, Arsenal e LANÚS
2013: ARSENAL, Vélez Sarsfield, Newell’s Old Boys, Boca Juniors e TIGRE
2012: Vélez Sarsfield, Boca Juniors, LANÚS, GODOY CRUZ e Arsenal
2011: ARGENTINOS JUNIORS, Estudiantes, Vélez Sarsfield, GODOY CRUZ e Independiente
2010: Estudiantes, Vélez Sarsfield, BANFIELD, LANÚS, COLÓN e Newell´s Old Boys

River Plate fechou 2014 especial com título da Sul-Americana (Foto: AP)
River Plate fechou 2014 especial com título da Sul-Americana (Foto: AP)

Após recuperar-se de um momento negativo em sua história, com queda para a segunda divisão, o River Plate se reestruturou baseado nas figuras de ídolos antigos e retorna à Libertadores, seis anos após sua última participação, como um dos candidatos ao título. Primeiro, na metade do ano passado, restaurou de vez o respeito em âmbito nacional com a conquista incontestável do Torneo Final. Posteriormente, estendeu seu reconquistado status de gigante ao continente, com uma bela campanha até o título da Copa Sul-Americana, passando pelo arquirrival Boca Juniors na semifinal e derrotando o forte Atlético Nacional na decisão.

Dono de uma das camisas mais pesadas na competição continental, o Boca não apostará apenas na mística de suas cores e na pulsação de La Doce para buscar sua sétima taça. Como resposta à redenção de seu rival, vem construindo um time qualificado, com bons jogadores rejeitados em outros lugares, como Lodeiro, e nomes que já tiveram bons momentos no futebol europeu, como Gago e Dani Osvaldo, além de contar com defensores também experientes, como Torsigilieri, Fabián Monzón e Guillermo Burdisso. O primeiro bom sinal veio na goleada por 5 a 0 sobre o próprio River, no início do mês, por mais que tenha sido apenas um amistoso.

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O San Lorenzo não venceu sua primeira Libertadores com um futebol de encher os olhos e tampouco se reforçou de maneira significativa para 2015, mas chega a essa edição também como um dos favoritos justamente por ser o atual campeão. Todo detentor da faixa entra com esse status na competição, a não ser que um desmanche gigantesco tenha acontecido. Como as principais baixas do time vieram logo após a conquista, o que precisava ser readaptado já foi.

Festa que marcou campanha do título do Racing (Reprodução)
Festa que marcou campanha do título do Racing (Reprodução)

Atual campeão argentino, o Racing foi bem no segundo semestre de 2014 e cresceu na hora certa. Tirou o título do River Plate no período em que os millonarios balançaram e provou que pode contar com um fator sempre relevante em disputas de Libertadores: sua torcida fanática para fazer uma pressão digna da competição. Mais fraco de todos, o Huracán também não deve ser facilmente descartado. A vitória fora de casa, contra o tradicional Alianza Lima, por 4 a 0 foi uma prova do poder de fogo do time, superior a outros de menor expressão que representaram o país em edições mais recentes. O Estudiantes, por fim, tem a seu favor a tradição na Libertadores. Os quatro títulos (com o último sendo conquistado em 2009, antes da sequência de vitórias brasileiras) colocam a equipe de La Plata em uma situação de conforto com a disputa.

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O Brasil chega para a competição com representantes fortes, de elencos com nível bastante alto e todos com títulos da Libertadores no currículo. De início, é completamente plausível imaginar um dos cinco com a taça ao final do torneio. Mas a Argentina não fica atrás. São cinco campeões entre os seis representantes, fazendo jus à história vencedora do país na Libertadores. Se os cinco brasileiros têm 9 títulos somados, os argentinos aparecem com 14. As razões para esperarmos uma disputa acirrada não são poucas.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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