No Peru, Brasil tenta fugir de maldição que já derrubou gigantes e até Evo Morales
Seleção brasileira quer evitar ser vítima da "Maldição de Matute" antes do duelo com o Peru pelas Eliminatórias
Com Hernán Barcos como anfitrião, a seleção brasileira se sentiu em casa no Alejandro Villanueva, o popular Estádio Matute, para fazer seu primeiro treino em Lima, no último domingo (10). Fernando Diniz e seus comandados foram recebidos com toda a hospitalidade do centroavante argentino, hoje ídolo do Alianza Lima. E por incrível que pareça, isso pode ser um mau sinal para o Brasil às vésperas do duelo com o Peru, na próxima terça-feira (12), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Nacional, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.
Além de Paolo Guerrero e companhia, a Seleção terá de enfrentar algo que os peruanos chamam de “A Maldição de Matute”. Corre à boca dos torcedores rivais do Alianza Lima o folclore de treinar no estádio aliancista traz má sorte a equipes e seleções que visitam o Peru. Há uma corrente que diz que até mesmo vestir a camisa azul e branca do clube dá azar.
A maldição, inclusive, foi tema do jornal El Popular, sob a manchete “Brasil recibió la bendición” (Brasil recebeu a benção, na tradução livre). Uma brincadeira, claro, em alusão ao folclore. Segundo a reportagem, integrantes da delegação foram informados da, digamos, “má sorte” de receber camisas do Alianza e brincaram sobre o tema.
¡???́ ??????!?????
?: @CBF_Futebol #ArribaAlianza pic.twitter.com/aJSRVZorYV
— Club Alianza Lima (@ClubALoficial) September 11, 2023
“Maldição” começou com River de Gallardo
Curiosamente, foi um time brasileiro que popularizou a Maldição de Matute. Em 2019, o Flamengo venceu o River Plate por 2 a 1 na final disputada no Estádio Monumental, casa do Universitário em Lima, para conquistar seu bicampeonato da Libertadores. Vocês já podem adivinhar qual foi o local que recebeu os treinamentos dos Millonários, né?
E o pior é que Marcelo Gallardo foi questionado sobre a mufa – termo usado pelos argentinos para falar de maldições no futebol – por um jornalista argento em entrevista coletiva antes da final. El Muñeco riu ironicamente e respondeu de forma seca. Mal saberia ele que seria difícil esboçar qualquer risada após a final com o Flamengo.
– Eu não creio em nada do que você falou. Só acredito no trabalho. Essa é minha filosofia. Todo o resto não joga – disse Gallardo.
El estadio de Matute también es conocido a nivel mundial, enhorabuena blanquiazules. pic.twitter.com/lsyxtukXHt
— Pirata ?☠️ (@elpirata_peru) November 8, 2019
O River Plate não foi o único time argentino que treinou em Matute e amargou um vice-campeonato em 2019. O Colón perdeu a final da Sul-Americana para o Independiente del Valle, do Equador, no Defensores del Chaco, por 3 a 1. Até aí, tudo bem.
O curioso é que a equipe enfrentou o Deportivo Municipal, do Peru, na primeira fase da competição. Foram duas vitórias. 3 a 0 em solo peruano, no duelo de ida, e 2 a 0 na Argentina, para carimbar a classificação no jogo da volta. E não é que o Colón também treinou em Matute antes da primeira partida?
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Maldição entre seleções
Entre as seleções, o Uruguai não escapou da maldição de Matute durante as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Em março de 2017, a Celeste fez a preparação para enfrentar o Peru em Matute. Depois, veio a derrota por 2 a 1 para a seleção peruana. Menos mal que os uruguaios garantiram a vaga no Mundial de Rússia sem problemas.
Nem Evo Morales escapa
A maldição se popularizou tanto entre os torcedores, que transcendeu os limites do futebol. O ex-presidente da Bolívia Evo Morales é apaixonado por futebol e até já disputou um jogo beneficente contra Diego Maradona. Em uma visita ao Peru, Morales vestiu uma camisa do Alianza Lima.
Em 6 de julho de 2020, a Procuradoria Geral da Bolívia acusou Morales por supostos crimes de terrorismo e financiamento de atividades terroristas e pediram a prisão preventiva do ex-presidente. O político se exilou na Argentina. Nem mesmo a gravidade das denúncias e do tema impediu os torcedores de dizer que a camisa aliancista trouxe azar.
Um azar do qual a Seleção quer fugir nesta terça-feira (12), a partir das 21h30 (horário de Brasília). É quando o Brasil enfrenta a seleção peruana, no Estádio Nacional, em Lima.




