O Bolívar fechou uma parceria com o City Football Group (CFG), empresa que é dona do Manchester City e outros nove clubes ao redor do mundo. Os bolivianos farão parte do grupo como parceiros e pagarão para uma consultoria da empresa, além de acesso aos dados de todos os outros clubes que fazem parte do grupo. É a primeira parceria desse tipo no City Group, que normalmente compra os clubes.

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A parceria fará com que o Bolívar possa ter acesso à plataforma de dados e insights de futebol, os dados médicos, de recrutamento e de desempenho de todos os clubes da rede. Além disso, o CFG irá ajudar o Bolívar a aumentar suas receitas de parcerias, promover também mudanças para a lidar e construir infraestrutura do mais alto nível. Em um primeiro momento, os clubes não devem começar a trocar jogadores, mas é possível que isso aconteça no futuro, se for algo que faça sentido para os dois clubes.  

Esta deve ser a primeira parceria do tipo, mas o CFG espera fazer mais. A ideia é fazer consultoria a clubes e ligas ao redor do mundo compartilhando seus conhecimentos e sua plataforma de dados. Recentemente, Lommel, da Bélgica, e Troyes, da França, foram comprados pelo grupo. Com o acordo de parceria fechado, o CFG espera conseguir mais acordos desse tipo e aumentar também a sua base de dados, de conhecimento e de consultoria, claro.

“Nós estamos muito satisfeitos em aumentar a nossa presença global pela sua importante colaboração com o Club Bolívar, o primeiro parceiro do City Football Group. Este acordo de longo prazo é a primeira deste tipo e irá permitir que o Club Bolívar aproveite e utilize a ampla gama de experiência da indústria do futebol desenvolvida pela City Football Group”, disse Ferran Soriano, executivo-chefe do CFG.

“Assim como apoiar as ambições do Club Bolívar, nos temos a oportunidade de aprender. Nosso trabalho na Bolívia irá certamente fortalecer o nosso conhecimento e rede no futebol sul-americano”, continuou o executivo.

Aumento de influência

Há vários aspectos desse tipo de parceria do CFG, que passam pelo futebol e o aumento de uma base de conhecimento, mas passa também pela política. A holding tem como dona a Abu Dhabi United Group, com 78% das ações. É a empresa controlada pela família real dos Emirados Árabes.

Atualmente, o CFG é dono do Manchester City, do Melbourne City, do Montevideo City Torque, do Lommel, do New York City, do Mumbai City, do Girona, do Sichuan Jiuniu, do Yokohama Marinos e do Troyes. Isso significa que o grupo está presente em muitas partes diferentes do mundo.

É um aumento de influência de um grupo que faz o chamado “sportwash”, ou seja, usa o esporte como uma maneira de limpar a imagem do país. Não quer dizer que o trabalho seja ruim. Ao contrário até: é preciso que o trabalho seja bom, relevante e reconhecido para que a estratégia funcione. Os Emirados Árabes têm também como objetivo de longo prazo, segundo o seu governo, diversificar as receitas e ser menos dependente da exportação de combustível fóssil. Turismo é um dos pontos que os Emirados mais investem para crescer, com alguma dose de sucesso.

Com o Manchester City, especialmente, mas também com outros clubes, o grupo tem conseguido aumentar a sua fama e o seu bom trabalho, de forma geral, o que faz com que a sua aceitação melhore, consequentemente melhorando a imagem do país do Oriente Médio também.

Isso é legítimo, no sentido que não há qualquer ilegalidade em fazer o que o City Group e, em última instância, o governo dos Emirados Árabes faz. O que pode acontecer é que casos como esse, de um grupo dono de vários clubes pelo mundo, pode se tornar um motivo para Fifa, Uefa e todas as outras confederações ficarem de olho.

Já sabemos que muitos jogadores negociam diretamente com os donos dos clubes, por vezes tendo os seus direitos vinculados ao City Football Group, não a um clube, o que pode violar algumas regras. Em parte, foi algo assim que aconteceu quando Frank Lampard assinou com o New York City e acabou emprestado ao Manchester City, levando a uma certa polêmica. Explicamos aqui como isso pode ser um problema – e esbarra em uma quebra de regra.

O CFG está aumentando a sua base de conhecimento e criando uma plataforma mais completa para extrair dados e ter um melhor desempenho, seja em termos de negócios, seja em termos esportivos. Politicamente, está ganhando influência. O mundo muda e será preciso que as autoridades do futebol fiquem ligadas para impedir que esse tipo de atuação se torne um problema.