América do Sul

Bichi-chi-le

Marcelo Bielsa definitivamente não é mais técnico da seleção chilena. Sim, o anúncio da saída aconteceu no dia 4 de novembro de 2010, a novela correu, mas só agora a ficha caiu para os torcedores chilenos. Na última semana o também argentino Cláudio Borghi teve sua primeira experiência como treinador da Roja, e se saiu muito bem. Empatou em 1 a 1 com Portugal e venceu a Colômbia por 2 a 0. Mesmo com a pressão de substituir um mito no país – para se ter uma ideia uma emissora de TV chilena citou Bielsa 53 vezes durante a transmissão do jogo contra Portugal – Borghi fez uma mescla importantíssima entre suas convicções um pouco mais defensivas com um futebol pra frente, que trata o adversário como semelhante, a principal marca de El Loco à frente da seleção.

Foram apenas dois jogos, mas já é possível ver algumas diferenças no trabalho de Bielsa e de Claúdio “Bichi” Borghi dentro de campo. Enquanto Bielsa era adepto ferrenho do sistema 3-3-1-3, com três zagueiros, um volante de contenção, dois alas, um meia ofensivo e três atacantes – um mais centralizado e dois pelos lados -, Borghi prefere o mais ortodoxo 3-4-1-2. Nessa formação, mantém os três zagueiros, adianta os alas para virarem meias abertos pelos flancos, mas coloca dois homens de contenção no meio de campo, no caso Vidal e Medel ou Medel e Estrada.

Na frente, o meia escolhido por Borghi para o setor de criação foi Matías Fernández, que faz boa temporada no Sporting, com Alexis Sánchez, grande nome da Udinese, e Beausejour ou Mancilla, formando a dupla de ataque. Quando Bielsa era o responsável pela equipe, preferia atuar com Suazo plantado na área e três homens velozes ao seu entorno. Com a idade avançado do centroavante e a falta de renovação da camisa 9, a decisão de Borghi de jogar com um ataque mais veloz parece acertada, sobretudo porque lhe permite fortalecer a faixa central do campo.

Numeralha e desempenho à parte, o fato é que a maioria da imprensa chilena, apesar de ter exaltado os resultados obtidos, ainda vê com muito ceticismo a figura de Cláudio Borghi, mesmo ele tendo marcas importantes no curriculo, como quatro títulos com o Colo Colo, um com o Argetinos Juniors e uma passagem pelo Boca Juniors, ainda que digna de esquecimento. Não é fácil mesmo. Bielsa foi um herói para os chilenos e, tal qual viúvas do falecido, muitos ainda choram sua partida da seleção, motivada por razões estritamente políticas. Mas, assim como na vida, aos poucos o consolo virá e, se não for endeusado, ao menos Borghi terá um pouco mais de paz.

Afinal de contas, uma coisa parece clara: não interessa contra quem jogue, o legado de Bielsa de ter o Chile atuando de igual pra igual em busca do gol não mudou. E isso faz um bem danado ao torcedor e ao próprio futebol.

Mais das seleções sul-americanas

Confira os resultados dos amistosos realizados pelos países abordados nesta coluna:

Chile 1 x 1 Portugal (Matías Fernández)
Chile 2 x 0 Colômbia (Matías Fernández e Beausejour)

Paraguai 1 x 3 México (Christian Riveros)
Paraguai 1 x 0 Estados Unidos (Óscar Cardozo)

Uruguai 0 x 2 Estônia
Uruguai 3 x 2 Irlanda (Cavani, Lugano e Abel Hernández)

Peru 0 x 0 Equador
Equador 0 x 2 Colômbia (Guarín e Falcão)

Bolívia 1 x 1 Guatemala (Piedrel)
Bolívia 0 x 2 Panamá

Venezuela 2 x 0 Jamaica (Moreno e Nicolás “Miku” Fedor)
Venezuela 1 x 1 México (Vizcarrondo)

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