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Até que ponto o São Paulo pode seguir confiando em Denis?

O São Paulo esperava um jogo difícil em La Paz. No entanto, a visita ao Strongest saiu mais agônica do que a encomenda. O Tricolor sofreu com as investidas dos bolivianos, sobretudo no primeiro tempo e nos minutos finais do segundo. Enquanto isso, passou apuros por causa de suas próprias falhas. Denis, em especial, teve uma noite terrível na Bolívia. Permitiu o gol dos aurinegros e deixou o time desnecessariamente exposto nos dos acréscimos, ao ser expulso. Seus erros contribuíram bastante para o risco de eliminação precoce dos são-paulinos. Não à toa, sua posição começa a ser questionada.

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Desde que chegou ao São Paulo, em 2009, Denis demonstrou suas qualidades em diferentes oportunidades. Quando a equipe precisou, foi reserva útil a Rogério Ceni. Porém, a transição para a titularidade não transmite confiança o suficiente, até pela pressão após a aposentadoria do ídolo. As más atuações se tornaram praxe neste início de ano, a despeito da boa participação no Brasileirão de 2015. Na Libertadores, particularmente, a saída de gol errada no Monumental de Núñez custou pontos diante do River Plate, enquanto o outro equívoco diante dos Millonarios no Morumbi não saiu tão caro, mesmo botando os tricolores contra a parede. Já em La Paz, pesou o conjunto da obra.

No gol do Strongest, independente da falha de marcação, Denis errou. Parou no meio do caminho e nem mesmo fechou o ângulo do adversário, por mais que o desvio tenha acontecido. E, na saída do estádio, não admitiu o próprio erro – mesmo tão evidente. Além disso, se tomou o primeiro cartão amarelo por cera muito cedo, Denis deveria ter mais consciência sobre os riscos que corria se quisesse continuar retardando a continuidade do jogo. Não adianta muito tentar esclarecer aos microfones como costuma bater os tiros de meta nos treinos, se a impressão do árbitro pode ser outra. Para sua sorte, Maicon se tornou um goleiro providencial, realizando duas defesas não tão simples para quem não está acostumado a treinar todos os dias como goleiro.

O zagueiro, aliás, adicionou uma solidez imprescindível à defesa do São Paulo – até para não expor tanto o goleiro. Ao lado de Hudson, teve ótima atuação para conter a pressão do Strongest em La Paz. Além deles, outro que merece elogios é Wesley. Apesar do ceticismo, o meio-campista fez ótimo segundo tempo, permitindo ao Tricolor a controlar o relógio. Ajudou Paulo Henrique Ganso na missão ao longo do final, embora a opção de Edgardo Bauza ao deixar o camisa 10 no banco durante o primeiro tempo tenha também contribuído para as dificuldades que os são-paulinos enfrentaram.

Superada a fase de grupos, o São Paulo espera vida nova nos mata-matas. Mas carregando consigo antigos problemas para os difíceis confrontos com o Toluca. No Morumbi, o desfalque de Jonathan Calleri deverá ser bastante sentido, não apenas pela boa fase do atacante, como também pela maneira como as suas virtudes beneficiam o estilo do time. Enquanto isso, Denis será a outra ausência. Tempo para os tricolores repensarem a posição. Por enquanto, as opções no elenco são Renan Ribeiro e Léo – e os rumores sobre a procura por um novo arqueiro não passariam das manchetes.

A influência de Denis no elenco é inegável, assim como os predicados que demonstrou em momentos anteriores. O problema vem é quando as falhas se repetem e em um mesmo fundamento. Deixam o São Paulo exposto e podem ser bem mais custosas a partir das oitavas. Resta saber o nível de expectativa do clube no goleiro. Reiterar a confiança é essencial se o São Paulo acreditar que a má fase seja apenas passageira, para que o camisa 1 tome conta da posição em definitivo. O problema é que a torcida são-paulina não parece tão crente disso, especialmente depois de perder a paciência diante do Strongest.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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