Argentina

As portas estão abertas, mas Tevez terá forte concorrência para voltar à seleção

Entre as suas primeiras palavras como técnico da Argentina, Tata Martino colocou a primeira dica: “As portas estão abertas para todos os argentinos”. Essa foi sua resposta ao ser questionado sobre Carlos Tevez, ignorado por Alejandro Sabella durante a passagem do vice-campeão mundial pela seleção. Agora, em entrevista ao jornal La Nación, reforçou que não deve deixá-lo de lado, mas o ex-jogador do Corinthians precisará enfrentar uma forte concorrência.

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Sabella nunca chamou Tevez. As suas últimas aparições vestido de azul celeste foram na Copa América de 2011, e esse exílio tem pouco a ver com a qualidade técnica. Segundo os argentinos, é uma questão de formação de grupo, especialmente em relação a Lionel Messi, seja de posição no gramado ou mesmo dentro da hierarquia do elenco.

Martino parece preparado para lidar com isso, se for necessário. Negou que tenha realizado uma reunião especial para falar sobre Tevez e avisou que leva em consideração a opinião dos jogadores até certo ponto e se houver pelo menos um pouco de lógica. “Nem sempre uma ideia é valida porque quatro, cinco ou seis estão de acordo com ela. Eu tenho que analisar e dizer: ‘vocês têm razão ou não, estão errados’. Porque senão, o fim da história é os jogadores escolhendo quem será convocado ou não”, justificou. “Dei uma entrevista na Alemanha, disse o que disse (que as portas estavam abertas) e a verdade é que nenhum jogador veio para mim falar ‘veja bem…'”.

Ele pensa em Tevez como um camisa 9, embora na Juventus o jogador atue mais como segundo atacante. “Pelo jeito que gosto de jogar, imagino Tevez unicamente como número 9”, explicou. Isso, portanto, o coloca na briga por posição com Sergio Agüero e Gonzalo Higuaín. “E depois é a decisão do técnico, se será este ou aquele”, completou.

Martino levou os dois para o amistoso contra a Alemanha, e Agüero fez um dos gols da boa vitória por 4 a 2. Depois de uma temporada cheia de lesões, o atacante tenta voltar à boa forma pelo Manchester City e até agora vem conseguindo, com três gols em quatro partidas no Campeonato Inglês. Higuaín não vem tão bem assim, mas o Napoli mal começou sua campanha no Italiano. Pela Liga dos Campeões, fez um gol importante nas preliminares contra o Athletic Bilbao, embora o seu time tenha sido eliminado mesmo assim.

De qualquer forma, é perfeitamente possível argumentar que Tevez está em melhor fase que ambos. Foi o terceiro maior artilheiro da Serie A que terminou com o tricampeonato da Juventus, comeu a bola contra a Udinese no fim de semana e garantiu a vitória sobre o Malmö, pela Liga dos Campeões, na última terça-feira, com dois gols. Com 30 anos, é mais velho que os outros dois, ambos com apenas 26. Terá 34 no Mundial da Rússia, uma idade avançada, mas que não o impediria de estar em forma, principalmente se tratando de um jogador com tanta força de vontade quanto ele.

Como sempre, a questão não é a bola que ele joga, mas se vale a pena arriscar a harmonia do grupo que foi vice-campeão mundial. É inegável, por exemplo, que Messi subiu de produção no âmbito internacional desde que Tevez parou de ser convocado (fez 25 dos seus 42 gols pela seleção nesse período de três anos) e chegou até a ser eleito, muito contestavelmente, o melhor jogador da Copa do Mundo.

Martino sabe de tudo isso. Chegou a hora de pesar os prós e contras e decidir se Tevez merece voltar à seleção. Avaliar se a imensa qualidade técnica que o jogador traz compensa os problemas que ele eventualmente pode ter com o grupo, se é possível contorná-los e também descobrir se ele deseja retornar, depois de três anos no exílio.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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