Argentina

O ‘teatrinho’ de Scaloni chegou ao fim e ele próprio bancou sua permanência na Seleção Argentina

Após ameaçar deixar o cargo no final de 2023, Scaloni muda discurso e garante foco total à frente da Albiceleste

Em novembro de 2023, logo após a Argentina vencer o Brasil em pleno Maracanã, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, Lionel Scaloni pegou todos de surpresa durante a entrevista coletiva ao indicar uma possível saída da seleção. Na ocasião, o técnico citou que o motivo que o fazia refletir se deveria continuar ou não à frente da Albiceleste é a falta de energia necessária para acompanhar o alto nível da equipe.

De lá para cá, muita especulação sobre o futuro de Scaloni tomou conta do noticiário esportivo argentino. Querido por jogadores e torcida, o comandante de 45 anos despistava do assunto sempre que perguntado. Até que nesta quarta-feira (24), resolveu abrir o jogo. E para felicidade dos atuais campeões do mundo, o treinador continua no cargo.

Scaloni não disse com todas as letras que permanecerá liderando a Seleção Argentina, contudo, ao comentar sobre o título mundial conquistado em 2022, declarou que o que viveu “foi espetacular” e que está na hora de “seguir em frente” em busca de novos objetivos.

– Agora é continuar. Meu futuro? Eu sempre falei a verdade, não foi um adeus nem nada. Fiquei pensando em como continuar o processo na seleção (…) É hora de dar espaço aos jovens e isso é importante para nós. Foi um momento de reflexão. O processo continua, haverá mudanças, com certeza porque a equipe precisa. Mas que o capitão do navio continue é o mais importante -, disse Scaloni em entrevista à “Sky Sports Itália”.

– Ver o seu povo, os seus amigos e o país em geral tão felizes, num momento difícil como país, foi espetacular (o título mundial de 2022), mas continuamos -, completou.

Segundo Scaloni, Messi continua na Seleção Argentina

Além do seu futuro à frente da Argentina, Scaloni foi questionado também sobre Lionel Messi. Afinal, o craque continua ou não defendendo a Albiceleste? Bom, do que depender do treinador, sim… Scaloni deixou o camisa 10 a vontade e garantiu que a trajetória do meio-campista na seleção só terminará quando ele próprio decidir.

– O Leo (Messi) continuará a vir (à Seleção Argentina) até que ele diga o contrário. Não vou ser eu quem lhe irá dizer para não vir mais. Creio que sim, que vai continuar (vindo), sobretudo porque é feliz dentro de campo. Está feliz quando está no gramado, sente-se ele mesmo quando tem a bola nos pés. Sempre dissemos que deveria continuar até que não pudesse mais, até porque depois será difícil para todos, principalmente para ele.

A marcante e vencedora trajetória de Scaloni na seleção

Lionel Scaloni está em seu primeiro trabalho como treinador principal de uma equipe profissional. Antes de assumir o comando da Seleção Argentina, ele foi auxiliar de Jorge Sampaoli no Sevilla (2016-2017) e na própria Albiceleste (2017-2018). A função dele na época? Analisar os adversários do time na Copa do Mundo de 2018.

Sampaoli deixou a seleção após a trágica campanha na Copa do Mundo de 2018, e o cargo ficou disponível. A Associação de Futebol Argentino (AFA) vivia crise interna e, por falta de opções no mercado, resolveu colocar Scaloni como comandante interino. Vale lembrar que o ex-lateral dirigia o time sub-20 da Argentina.

Os primeiros resultados de Scaloni foram positivos e ele acabou efetivado, muito em virtude do honroso terceiro lugar na Copa América de 2019 e da boa relação com os jogadores. Além da notável evolução dentro de campo, outro êxito do jovem treinador à frente da Albiceleste foi reaproximar a seleção do povo argentino.

Desde que foi bancado pela AFA no cargo, Scaloni passou a construir uma trajetória histórica e impactante na Seleção Argentina. Formou um elenco poderoso e altamente competitivo, empilhou vitórias, conquistou títulos – incluindo uma Copa do Mundo que não vinha há 36 anos -, e fez um país apaixonado por futebol voltar a sorrir.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Apaixonado por futebol, uniu o amor pelo esporte mais popular do mundo ao jornalismo. Carioca da gema e grande entusiasta da Premier League, cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na música, vai de Post Malone a Armandinho. Eclético assim como na área técnica. Afinal, Guardiola e Mourinho são suas referências.
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