Argentina

Fundado graças a aposta, Platense ceifa gigantes e é campeão argentino em campanha épica

Clube modesto da grande Buenos Aires eliminou favoritos e bateu Huracán para conquistar maior glória de sua história

O futebol argentino conheceu, na noite deste domingo (1), um campeão inédito. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Huracán, em Santiago del Estero, o modesto Platense levantou o Torneio Apertura pela primeira vez em 120 anos de história. Mainero marcou o gol do título.

Apelidado de “ceifador de gigantes”, o Platense eliminou três dos maiores clubes do país em sua campanha, são eles: Racing, River Plate — em pleno Monumental de Núñez — e San Lorenzo. Na final, encarou o Huracán, que se não buscava o primeiro título argentino de sua história, tinha como missão interromper um jejum de 52 anos sem levantar o troféu do torneio.

Jogadores, comissão técnica, dirigentes e torcedores viveram uma comemoração carregada de emoção, com sorriso largo e muito choro. Após um primeiro tempo de bastante equilíbrio, baixo nível técnico e mais posse de bola para o adversário, o Platense balançou as redes com belo gol de Mainero na etapa complementar.

Vale destacar que, neste ano, o formato do Campeonato Argentino passou por alterações. O sistema de pontos corridos deu lugar ao modelo de mata-mata. Para permitir a participação de 30 clubes, organizados em dois grupos, os rebaixamentos previstos foram cancelados. Assim, a competição retomou o formato utilizado até 2012, com a realização do torneio Apertura — decidido com o título do Platense — e do Clausura, que acontecerá no segundo semestre.

Campanha do Platense no Apertura Argentino

  • 6º colocado do Grupo B, com 23 pontos;
  • 6 vitórias, 5 empates e 5 derrotas na fase de grupos;
  • Eliminou Racing, River Plate e San Lorenzo no mata-mata;
  • Campeão diante do Huracán em campo neutro e final única

Conheça a curiosa história do Platense

Elenco do Platense campeão argentino Foto: (Imago)
Elenco do Platense campeão argentino Foto: (Imago)

Fundado em 1905 em Vicente López, na grande Buenos Aires, o Platense surgiu graças a uma aposta no cavalo puro-sangue Gay Simon. Os ganhos permitiram um grupo de jovens fundar o clube, cujo nome foi inspirado no haras Platense.

Isso ajuda a explicar a cor do uniforme, por exemplo. O marrom faz alusão ao uniforme do cavaleiro. Antes da final contra o Huracán, o Platense só tinha um vice no futebol argentino, em 1916.

Na história recente, o modesto time passou mais de 20 anos longe da elite da Argentina, cujo último acesso aconteceu em 2021. O ponto de virada do Platense aconteceu dois anos depois, graças a venda de Marco Pellegrino.

À época, o zagueiro foi para o Milan a troco de 3,88 milhões de euros (cerca de R$ 25,1 milhões na cotação atual) — a maior transferência da história da equipe. O valor permitiu o Platense equilibrar suas finanças e realizar investimentos em estrutura.

Pellegrino, por sua vez, não conseguiu se firmar na Itália e retornou ao futebol argentino. Por ironia do destino, o defensor agora defende as cores do Huracán, tanto que foi titular na decisão do título.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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