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Messi: “O povo argentino e o jornalismo, que eram duros com a seleção e comigo, mudaram muito”

Em entrevista ao Olé, Messi comentou sobre o ano difícil no PSG, a mudança na relação com os argentinos e sobre a Copa do Mundo e o futuro na seleção

O argentino Lionel Messi deu uma boa entrevista ao jornal Olé, com quem falou de maneira bem aberta sobre os mais diversos assuntos. Tratou sobre o ano difícil, com a transferência para o PSG, o fracasso na Champions e as vaias dos torcedores. Também comentou sobre a relação com os argentinos e os jornalistas do país, sobre a Copa do Mundo e até sobre o futuro. Aos 34 anos, ele disse que esta deve ser a última Copa, mas que não pensará nisso agora, só em jogar o Mundial.

Seleção argentina

“Sempre é uma alegria vir para a seleção. Viemos para cá há muito tempo. Vemos pela televisão ou nas redes sociais que é um grupo lindo, que passamos bem. Viemos de ganhar e isso ajuda que seja dessa maneira”.

“Não imaginava o que aconteceu depois da Copa América. A alegria depois de lutar tanto… Conseguir algo com a seleção, depois de muitos verões tristes, de passar mal, perder finais… Foi um verão diferente desta vez. A felicidade foi completa. Já tenha pensado que todo seguiria da mesma maneira em toda a minha vida. E no meio de tudo que aconteceu [sua saída do Barcelona] e foi duro”, continuou o Messi.

Mudança na relação com os argentinos

“A verdade é que há muito tempo vejo que o povo argentino e o jornalismo, que eram duros com a seleção e comigo, mudaram muito. Falam de uma maneira diferente, com mais respeito do que em outro tempo. Sentir esse apoio, para mim, foi lindo O que estamos vivenciando com esse grupo é tudo lindo”.

“Quando você vê as imagens e vemos imagens de termos conseguido… Mas é como tudo. Assim como quando não ganhávamos tínhamos que dar a volta e seguir, o mesmo acontece agora: vem novos desafios, objetivos e temos que pensar no dia a dia”.

“Muitas vezes dissemos que não importa apenas ganhar. Fizemos coisas espetaculares e não valorizavam. Finais de Copa do Mundo e Copa América… Demos todo nesse momento na seleção. E ficou uma sensação rara. O grupo foi muito maltratado. Não me lembro de antes que as pessoas estivessem tão felizes quanto na Copa do Mundo no Brasil. E foi até o último dia. Assim como a Copa América que perdemos nos pênaltis. As pessoas perceberam que não se trata apenas de vencer”.

A transferência para o PSG

“Foi um ano difícil, sinceramente. Não foi fácil a adaptação. Depois da vida toda no mesmo lugar, não é fácil pela idade. Talvez mais jovem, querendo, mas eu não pensava…”, afirmou Messi.

“Sempre disse que em Barcelona tinha tudo. Fui para lá pequeno. Vivi mais em Barcelona que na Argentina. Estava bem. Não tinha pensado em mudar nada. A adaptação das crianças foi espetacular. Tínhamos medo porque eles passaram mal com a mudança. Se adaptaram rápido, dia a dia. Para Antonela e para mim, foi difícil”, contou ainda o jogador.

“Lembro que no primeiro dia de aula foi terrível. Nós dissemos o que estávamos fazendo aqui, o que aconteceu… Eles foram uns fenômenos, os três. Tiago entende a situação, guarda as coisas para si, não disse nada. Apesar de sentir falta, ele terminou se adaptando rápido. Mateo também, outra personalidade. Faz relações rápido. E Ciro era a primeira vez, ele era o quer menos se preocupava. Foi muito bem, isso tranquiliza muito”.

“Eu tive que me acostumar com outra maneira de jogar. Acostumado a vida toda a jogar de uma forma, chegar em um lugar onde se vê futebol de outra maneira e com companheiros novos. Isso tudo era novo. Além disso, comecei tarde porque cheguei tarde ao clube. Depois, uma lesão no joelho. Não terminei de começar”.

“Nas férias, pensei que ia passar. E tive Covid. Me pegou muito forte. Os sintomas como a maioria, tosse, dor de garganta, febre, mas me deixou com sequelas nos pulmões…Um mês e meio sem correr porque havia me afetado. Não me assustou, mas te dizem tantas coisas que não me deixam fazer nada. Quis começar antes do que me recomendaram. Foi pior. Por acelerar, me prejudiquei. Queria começar, mas foi pior. Depois, quando estava meio ali, aconteceu aquilo com o Real Madrid na Champions e isso nos matou. A mim, o vestiário, Paris…”.

“Estávamos muito empolgados com o desenrolar da partida. Já conhecia o Real Madrid, vi de perto. Sabia o que podia acontecer, eles do nada fazem um gol e muda a partida. Sabia que naquele estádio, nos primeiros 15 minutos eles vem para cima e se isso acontece, muda a partida. Sabia que podia acontecer e aconteceu conosco e outras equipes”.

Final da Champions

“Ver a final da Champions dá raiva de não estar ali. Nem sempre o melhor ganha. São situações, momentos pontuais, psicológicos, onde uma equipe te agarra e o menor erro te deixa de fora. Quem estiver mais preparado para as diferentes situações acaba chegando. O Real Madrid, sem tirar o seu mérito, não foi a melhor equipe desta Champions e mesmo assim ganhou de todos”, declarou ainda o jogador.

Vaias dos torcedores do PSG

“Foi algo novo para mim. Situações diferentes, nunca havia passado por ele. Todo o contrário. A situação e a raiva das pessoas são compreensíveis, pela equipe que tivemos. Voltou a acontecer. Não era a primeira vez que acontecia ao Paris. Então, se estou ou não de acordo com as vaias a Ney e a mim… Fomos mais destacados e, bom, passou”.

“Prefiro deixar de lado, pensando em mim e no que foi o ano. Quero reverter a situação no PSG e não pensar que mudei de clube e não fui bem. Este ano estou preparado para o que tenha que fazer. Conheço o clube, a cidade, estou mais preparado”.

Sorteio, Copa do Mundo e o futuro

“O sorteio vi da minha casa. Obviamente não há rivais fáceis. Sabemos por experiência. Na Copa passada comemoramos o grupo e terminamos de maneira complicada. O México é uma seleção que sempre nos complicou, joga bem, tem uma ideia claríssima, com um treinador que nos conhece muito bem. Vai ser difícil como contra a Polônia”, declarou.

O atacante comentou ainda sobre a principal candidata ao título, França, que agora é também o país onde ele joga. “A França é impressionante. Terminou sendo campeã. O golpe da Eurocopa o fez crescer como equipe. Para esta Copa vai ser de novo candidata”, avaliou.

“O que aconteceu com a Itália é uma loucura. Que tenha ganhado a Eurocopa e não esteja na Copa, com o que significa a Itália na história das Copas… É uma lástima, tenho companheiros e amigos, duas grandes pessoas [Donnarumma e Verratti, jogadores do PSG]. Me dá pena”.

“Este é um grupo que joga cada jogo como uma final e prepara os jogos muito bem como a comissão técnica. Esta equipa sabe o que está a jogar e o que tem que fazer em cada momento do jogo. Sendo um plantel jovem, é não é fácil. É uma seleção que pode lutar contra qualquer um. Não significa que somos candidatos, mas significa que vamos lutar contra qualquer um. A equipe tem as coisas claras”.

“Scaloni dá muita importância à parte defensiva, mas sem parar de pensar no ataque e em ganhar o jogo. Você vê isso na Liga dos Campeões, nas ligas, manter o gol a zero dá chances de ganhar o que quer que seja a partida ou o rival. Tudo ficou tático, sem espaços. Qualquer time bem colocado pode complicar”.

“Eu me sinto confortável, quando nos reunimos flui. Cada um sabe o seu papel e o que tem que fazer em campo para tentar vencer. Ser mais bonito, mais feio… Obviamente eu gosto de jogar bem e ter a bola, mas se eu não posso e temos que fazer o outro, estamos prontos. Quando a Seleção tem a bola, joga bem. E fica claro quando não tem a bola”.

“Da outra vez eu disse que depois da Copa do Mundo eu tinha que repensar as coisas. Não sei. Penso nisso agora, depois vou ver. Olha o que aconteceu agora. Nunca pensei que fosse jogar em outro lugar que o Barcelona. Muitas coisas podem acontecer O futebol é muito mutável. Sinceramente, me parece difícil jogar outra Copa do Mundo. Agora penso nesta, outra será muito difícil”.

“Sempre joguei por mim, para ganhar, sempre quis vencer tudo o que joguei. Sempre quis dar e deixar o máximo em cada jogo. Por tudo que passamos com a família, pelo que sofreram quando me mataram na seleção, quando ligaram a TV e ouviram as críticas e coisas que não eram verdadeiras, depois de ter vencido a Copa América, foi pensar sobre eles, eu sabia a felicidade que eles sentiam”.

“Continuo jogando para eles, para meus filhos, para minha esposa. Em Paris, quando aconteceu que eles me vaiaram, perguntei se as crianças tinham visto, o que eles achavam… Eu não gostaria que meus filhos estivessem lá, que eles passassem por isso. Como se eles a deixassem passar. Não se dão conta… Quando estão procurando coisas de futebol, jogadas, assistem jogadas antigas minhas… Eu ainda gosto e quero continuar gostando”

Sobre o jogo com a Itália

“É um bom teste. A Itália teria sido uma das candidatas se estivesse no sorteio. Um bom teste para continuar crescendo, melhorando e chegando ao gol da melhor forma, que é a primeira partida da Copa do Mundo”.

Confira mais na Programação de TV desta semana.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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