Guiñazú se despediu do futebol com uma homenagem do tamanho de sua dedicação ao esporte

Pablo Horacio Guiñazú poderia ter se aposentado do futebol há algum tempo, em uma tarde gloriosa de junho de 2016. Depois de sete anos, o volante marcava novamente um gol. Mas não era qualquer gol: era um chutaço de fora da área que, aos 50 do segundo tempo, recolocou o Talleres, seu time de coração, na primeira divisão após 12 anos. Cumpria uma promessa ao seu falecido pai. O veterano se sentia satisfeito com a façanha e, durante as férias em Punta Cana, anunciou à esposa que este era o ponto final. “Você nuca foi um cagão”, ouviu de Érica. Aquilo mexeu com Guiñazú. Então, antecipou o fim da viagem e, três dias depois, já estava de volta aos treinos em Córdoba. Embebido de sua característica coragem, teve um final ainda mais glorioso.
Afinal, os três anos a mais guardaram outros momentos mágicos a Guiña. Liderou o Talleres em uma grande campanha no Campeonato Argentino, na qual o clube voltou a almejar o título. Foi eleito um dos melhores jogadores da competição. Recolocou La T na Copa Libertadores e teve o gosto de eliminar um gigante como o São Paulo. Só depois de devolver a grandeza que condiz com a história dos cordobeses (e com sua própria) é que o meio-campista, aos 41 anos, finalmente pendurou as chuteiras com o consentimento de Érica. Para receber a exaltação máxima no Estádio Mário Alberto Kempes, como talvez não se imaginasse há três anos.
Oficialmente, Guiñazú já havia deixado os gramados. Sua decisão aconteceu em março, depois que o Talleres sucumbiu ao Palestino na última fase preliminar da Libertadores. “Meu pai queria que eu jogasse até os 52, mas os ossinhos não deixam mais. Realmente é um momento em que me encontro com uma felicidade plena. Foi a decisão mais difícil da minha vida, porque o único que sei é jogar futebol. Continuarei por perto do Talleres”, declarou El Cholo, na época. Entretanto, um ídolo de sua estatura merecia receber um adeus grandioso.
Dias depois, La T colocou ingressos a preço baixo e encheu as arquibancadas para celebrar o ‘Dia do Torcedor’, agradecendo também o grande número de fanáticos que acompanharam o time nos jogos fora de casa na Libertadores. Era uma prévia do adeus a Guiñazú. Além disso, havia a promessa de uma partida de despedida numa Data Fifa, o que realmente aconteceu neste sábado. “O importante é que seja inesquecível, porque Guiñazú é inesquecível”, afirmou o presidente do clube, Andrés Fassi, meses atrás. E assim se cumpriu.
Mais de 40 mil pessoas encheram as arquibancadas do Mário Kempes, em amistoso que também teve transmissão ao vivo por uma rede de televisão local. O estádio se coloriu com as cores do Talleres e coloriu os céus com as luzes dos fogos de artifício. Guiñazú recebeu diferentes homenagens: camisas, quadros, bonecos. Teve a companhia de sua família e de muitos amigos. A festa, de qualquer maneira, nunca seria completa sem futebol. E o volante pôde deixar as últimas gotas de suor sobre o gramado.
O duelo festivo contou com jogadores do calibre de Sorín, Forlán, Silas, Burdisso, dos irmãos Milito. Também estiveram presentes vários ídolos do Talleres, de diferentes décadas, e companheiros que seguem em frente com a carreira. Até mesmo os filhos, Matías e Lucas, entraram em campo durante o segundo tempo. Já nas tribunas, não eram apenas os cordobeses que aplaudiam. Um punhado de colorados também pegou a estrada pelo ídolo.
Como acontecera naquele junho de 2016, Guiñazú balançou as redes. O primeiro gol da noite, logo aos quatro minutos, saiu de seus pés. E o momento mais bonito aconteceu aos 20, quando o estádio apagou suas luzes e realizou um grande tributo. Os aplausos e os gritos de “Ole, ole, ole, Cholo, Cholo” tomaram as arquibancadas, enquanto o veterano agradecia no microfone a presença de todos. Abraçado por sua mãe e ao lado do restante da família, não segurou as lágrimas durante um vídeo de homenagem transmitido no telão.
“Queria que todo o estádio brindasse com um forte aplauso cada convidado, cada participante. Eles doaram o seu tempo. Um obrigado eterno a todos. Agora sou um torcedor a mais. Este Talleres não tem teto, não para mais. Obrigado pelo carinho que sempre tiveram comigo”, afirmou. “Eu me sinto abençoado por todo o carinho e pelo respeito que me brindaram. É uma emoção que não se pode explicar com palavras. Tenho um monte de sensações, me vêm muitas lembranças. Nunca vou poder me esquecer desta noite”. Inesquecível também é a história de Guiñazú, a quem pôde acompanhar sua carreira.
Así salía a la cancha el Cholo Guiñazú en el partido despedida. No te pierdas ni un solo detalle! Estamos en directo #CholoEterno ?? https://t.co/bBfANnO50G pic.twitter.com/rY1jdYodaH
— Telefe Córdoba (@telefecordoba) September 7, 2019
La arenga del Cholo en los minutos previos al inicio del partido. #CholoEterno ?? https://t.co/bBfANnO50G pic.twitter.com/qV7f46vDOQ
— Telefe Córdoba (@telefecordoba) September 7, 2019
Despediu-se dos gramados neste sábado o grande Pablo Horacio Guiñazú. Aos 41 anos recém-feitos, pôs o ponto final em uma carreira de glórias e humildade iniciada em 1996. Foi saudado por um Mario Kempes lotado e guardou um raro gol para dar adeus à torcida do Talleres. pic.twitter.com/iFfEH3Nljs
— Impedimento (@impedimento) September 8, 2019
El Presidente Andrés Fassi y la camiseta que usará está noche el Cholo en su partido homenaje #CholoEterno. pic.twitter.com/5tg48koGm9
— Talleres (@CATalleresdecba) September 7, 2019





