América do Sul

Aos poucos, Nacional é outro

Após um longo período de maus resultados, o maior campeão uruguaio enfim parece estar se reerguendo e honrando a sua fama. O péssimo desempenho do Nacional no Apertura 2010 e início da Libertadores e Clausura desse ano aos poucos ficou para trás e o estilo de jogo de Jose Manuel Carrasco, famoso por sua filosofia de futebol ofensivo, posse de bola e passes em direção ao gol, finalmente tem sido efetivo.

Ainda assim, o momento é de esquizofrenia de filosofia de jogo, com alternância entre momentos de inspiração ofensiva e outros de Deus nos acuda defensivo, com dez jogadores da intermediária para trás. De uma forma ou de outra, o importante para o Nacional é que os resultados estão vindo. Na Libertadores o Tricolor empatou com o Fluminense em pleno Engenhão e, embora tenha perdido em Montevidéu, venceu o Argentinos Juniors por 1 a 0 e devolveu o resultado fora de casa. A equipe ocupa a lanterna do grupo, com quatro pontos em quatro jogos, mas faz suas duas últimas partidas em casa, o que pode significar a classificação em um grupo tão equilibrado como é o 3.

Já no Clausura Uruguaio, de um mês para cá o time só conheceu vitórias; 1 a 0 no Bella Vista, 3 a 1 no Miramar Misiones, 2 a 0 no Liverpool e o 3 a 0 sobre o Cerro, no último domingo. A sequência de quatro vitórias colocou o Nacional na terceira posição do campeonato, três pontos atrás do líder Defensor Sporting e ainda com um jogo a menos.
É um panorama bastante distinto daquele de seis meses atrás, quando os Bolsilludos iam mal no Apertura, jogavam um futebol horrível e ainda tinham que superar a perda do zagueiro Diego Rodríguez, que morreu em um acidente automobilístico. Naquela época o técnico da equipe era o insosso Luis González, empossado já sob a sombra de Carrasco, alvo da cobiça dos torcedores, que até criaram um site para colher assinaturas para que o treinador fosse contratado.

Carrasco é um dos principais responsáveis pela guinada do Nacional no último mês. Apesar de estar no comando desde outubro do ano passado, só agora o time tricolor começou a atuar da forma que o técnico tanto gosta, o chamado “tiqui tiqui”, mesmo estilo da seleção espanhola, baseado no toque de bola em velocidade. Mais que isso, seus jogadores passaram a dar o sangue dentro de campo, jogando com a raça uruguaia tão alardeada nos times do país.

Some-se a isso o fato de figuras como o zagueiro Coates, o volante Cabrera e os atacantes Richard Porta e Morro García estarem jogando o fino da bola e têm-se um time realmente capaz de grandes feitos em nível nacional e de pelo menos dignos no continente.

Ainda há o que avançar e Carrasco sabe disso. Atuando no 4-3-1-2, a equipe ainda carece de um enganche mais confiável, já que Viudez é jovem e inconstante e Marcelo Gallardo busca uma melhor forma física. Da mesma maneira, a tática de se defender com dez atrás da linha da bola dando chutões e dependendo de bons momentos do goleiro Burián é assaz contestável. Mesmo assim, se o “tiqui tiqui” for assimilado e a defesa continuar jogando sério, vai ser complicado parar o Nacional.

Mais uruguaias

Além da vitória do Nacional sobre o Cerro, a sétima rodada do Clausura 2011 teve triunfos do Defensor Sporting ante o Miramar Misiones, do Fénix contra o Racing e ainda do Cerro Porteño diante do El Tanque Sisley. Com esses resultados o Defensor lidera com 16 pontos, o Fénix ocupa a segunda posição, com 14, o Nacional é o terceiro, com 13, mas um jogo a menos, e o Peñarol é o quarto, também com 13 e também com uma partida a menos.

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Equipe Trivela

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