A vitória no clássico valeu ainda mais ao Peñarol, bicampeão uruguaio pela primeira vez no século

As duas últimas décadas não foram muito prodigiosas ao Peñarol no Campeonato Uruguaio. Os carboneros conquistaram seus títulos, mas sempre esparsos, sem estabelecer uma hegemonia. De 1999 a 2016, foram cinco troféus isolados na liga, metade dos erguidos pelo rival Nacional no período. Neste domingo, todavia, os aurinegros tiveram o gosto de reviver a supremacia na competição. Tornaram-se bicampeões uruguaios, em taças seguidas que não ocorriam desde o célebre ‘Quinquenio de Oro’ dos anos 1990. A conquista se consumou neste domingo, dentro do Centenario, com a vitória por 2 a 1 sobre o Bolso na prorrogação.
O Peñarol realmente vinha em momento melhor no Campeonato Uruguaio. Os aurinegros conquistaram o Clausura semanas atrás e, graças ao ótimo segundo semestre, assumiram a liderança na tabela geral da liga, o que dava vantagem nesta reta final de disputa. No intrincado regulamento da competição, os carboneros poderiam se sagrar campeões uruguaios por antecipação neste domingo, caso derrotassem o Nacional – que levou o Apertura no primeiro semestre. Já se a vitória fosse do Bolso, por ter a melhor campanha geral, o Peñarol ainda teria direito de disputar mais duas partidas para definir quem ficaria com a taça.
Não precisou de tanto. No judiado gramado do Centenario, o Peñarol fez o serviço. Melhor durante o primeiro tempo, o Nacional abriu o placar apenas no início da segunda etapa, com Matías Zunino. Contudo, o Manya não demorou a responder. O empate saiu aos 26, com Fabricio Formiliano aproveitando o rebote de uma bola que bateu nas duas traves – em lance, no entanto, irregular por impedimento no início da jogada. Com a igualdade, o clássico seguiu à prorrogação. E os carboneros consumaram a conquista graças ao capitão Cristian ‘Cebolla’ Rodríguez, anotando o gol definitivo logo nos primeiros instantes do tempo extra, em cobrança de pênalti. Festa da massa aurinegra que, confiante, esgotou suas entradas ao dérbi e abafou os bem menos numerosos tricolores que se aventuraram nas arquibancadas.
O Peñarol treinado por Diego López é um time protagonizado por alguns veteranos. Walter Gargano, Cebolla Rodríguez, Lucas Viatri, Maxi Rodríguez e Fabián Estoyanoff estão entre os medalhões que recheiam o elenco. Porém, também há espaço para novatos. Herói no surpreendente Plaza Colonia, o ex-pintor Kevin Dawson se tornou uma aposta dos carboneros e, crescendo nos momentos decisivos, fechou o gol neste domingo. Além disso, a arrancada no Clausura dependeu bastante dos gols de Gabriel ‘Toro’ Fernández, centroavante que chegou ao clube há poucos meses e não demorou a se destacar.
Dominante no Campeonato Uruguaio, o Peñarol vem de algumas participações decepcionantes nas competições continentais. É um símbolo do momento pouco abastado do futebol em seu país, afinal. E o sucesso além das fronteiras se torna o passo a mais para referendar o atual elenco, com o retorno à Libertadores no próximo ano. Se fica difícil imaginar o hexacampeonato no torneio sul-americano, a exigência é a de uma campanha digna rumo aos mata-matas continentais – o que sequer ocorreu nos últimos tempos. A ascensão recente do time, com os bons resultados no Clausura, ao menos dão alguma esperança.
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