Alemanha

Unglaublich Gladbach

Bochum, 25 de maio de 2011. Borussia Mönchengladbach e Bochum empatam por 1 a 1 no jogo de volta do play-off que definiu a  última vaga para a Bundesliga 2011/12. O resultado garantiu a permanência do Gladbach na elite alemã, algo que parecia impensável três rodadas antes. O rebaixamento, dado como certo, não aconteceu, o time escapou fedendo – o que é melhor do que morrer cheiroso – e não contratou quase ninguém para esta temporada. Sinal de que as coisas não melhorariam muito certo? Um lugarzinho ali na zona de conforto, numa boa, sem risco de rebaixamento já estaria muito bom, certo?

Bom, talvez. Se o Gladbach estivesse ali numa oitava colocação, todos diriam que se trata de uma campanha surpreendente e apontariam melhoras no time comandado por Lucien Favre. Não está. Se estivesse em quinto, o mundo já veria a equipe com outros olhos, igual viu o Hannover 96 e o Mainz 05 na temporada passada. Mas não. Está, de maneira inacreditável e extraordinária, em segundo lugar com 29 pontos em 14 jogos, mesma soma do líder Borussia Dortmund, adversário deste sábado, no Borussia Park. Quem vencer assume a dianteira do campeonato de vez.

O time, porém, se agigantou, soube se unir nas adversidades da temporada passada e agora colhe os frutos. O destaque individual é Marco Reus, tratado como um grande jogador já no ano passado, que evoluiu ainda mais, a ponto de carregar o time sozinho nas costas em vários momentos com exibições fantásticas, como na goleada por 5 a 0 sobre o Werder Bremen. Aos 22 anos, o meia-atacante que nasceu em Dortmund e jogou nas categorias de base do Borussia Dortmund é a coqueluche do momento na Alemanha. Rápido, vertical e extremamente eficiente, é o segundo melhor jogador do campeonato, de acordo com a média da revista Kicker, atrás apenas do Wunderkind Mario Götze.

Reus, porém, tem bons “assessores”. Juan Arango, meia experiente, canhoto e eficiente nas bolas paradas. Patrick Hermann, meio-campista que atua pelo lado esquerdo no 4-4-1-1 montado por Lucien Favre e dá fluidez e velocidade ao jogo da equipe, além de marcar seus golzinhos às vezes. Na defesa, Dante contagia pelo seu carisma com a torcida, ao lado de Filip Daems e Roel Brouwers, além do goleiraço Marc-André ter Stegen, de apenas 19 anos, que surge como possível nome para a seleção alemã que vai à Eurocopa na reserva do hoje intocável Manuel Neuer.

Nesse cenário, até Mike Hanke conseguiu brilhar. O atacante, conhecido por ter surgido bem, disputado a Copa do Mundo de 2006 e depois ter entrado em declínio na carreira, conseguiu o que parecia bastante improvável. Depois de muito tempo, marcou dois gols em uma partida, e justamente contra o grande rival, o Köln, na vitória por 3 a 0 que fez com que o clube dormisse na liderança da Bundesliga naquela sexta-feira.

A associação com a década de 70, período de ouro da história do clube, é imediata. Naqueles dez anos, a equipe foi capaz de rivalizar com o todo-poderoso Bayern Munique e ganhou quatro Bundesligas. Mais do que isso, contava com jogadores como Günter Netzer, Berti Vogts, Allan Simonsen, Rainer Bonhof, Herbert Wimmer e Jupp Heynckes, hoje técnico do Bayern Munique. Além, é claro de ter revelado Lothar Matthäus no final da década, antes de entrar em decadência e, nos anos 90 e 2000, freqüentar a segunda divisão.

O momento, porém, é mais modesto e não há muito como pensar em títulos como perspectiva real ainda. O campeonato não está na metade, e é fundamental saber que o próprio Bayern Munique, terceiro colocado com 28 pontos, é o favorito, junto com o atual líder, Borussia Dortmund. Ao Gladbach, sobra a desconfiança natural por causa das últimas campanhas e os aplausos pelo momento atual vivido por um grupo humilde, que tem todo o direito de se permitir sonhar um sonho possível.

Dortmund contrata brasileiro

O Borussia Dortmund, adversário do Gladbach neste sábado, anunciou nesta quinta-feira a contratação do meia Leonardo Bittencourt, destaque do Energie Cottbus na segunda divisão alemã. Bittencourt, de apenas 17 anos, já atuou em 14 partidas na competição, com dois gols marcados. Ele era disputado por diversos clubes da primeira divisão alemã, como Bayer Leverkusen e Werder Bremen, além do próprio Dortmund.

O curioso é que o meia, nascido em Leipzig e membro da seleção alemã sub-19, também tem nacionalidade brasileira, pois é filho de Franklin Bittencourt, atacante que jogou no Bragantino no fim dos anos 80 e início dos anos 90, rumou para a Alemanha e hoje é técnico das categorias de base próprio Energie Cottbus, clube que também defendeu como jogador. Os valores da negociação não foram divulgados, mas especula-se que girem em torno dos € 3 milhões.
 

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Equipe Trivela

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