Alemanha

Uma conquista, muitos heróis

Depois de nove anos e 32 rodadas, os torcedores do Borussia Dortmund podem comemorar novamente um título nacional, o sétimo em seus 102 anos de história. A fanática torcida do clube, que se acostumou a conviver com ameaças de rebaixamento nos últimos anos, foi recompensada pelo sofrimento no momento em que foi ouvido o apito final na partida contra o Nürnberg, vencida por 2 a 0, combinado com a vitória do Köln sobre o Bayer Leverkusen pelo mesmo placar.

A conquista é coletiva e toda a equipe, incluindo jogadores, comissão técnica, diretoria e staff merecem os louros da vitória que se anunciava desde a metade do primeiro turno e é, de fato, um feito, considerando-se que a equipe tem apenas a sétima maior folha de pagamento da Bundesliga. Alguns heróis da conquista, porém, sobressaíram-se mais do que outros e serão reconhecido nas linhas abaixo. Confira:

Sahin, o craque

Nuri Sahin era um meia promissor que brilhou no Mundial Sub-17 de 2005 com a seleção turca, que ficou com a terceira posição. Como meia, se encaminhava para o segundo escalão do futebol mundial e, ao que tudo indicava, daria continuidade à carreira em clubes menores. Virou volante, e a partir de então tudo passou a dar certo. O turco, nascido em Lüdenscheid-ALE, é o termômetro do time. Comanda a saída de bola do time, faz lançamentos preciosos de 30, 40 metros, marca bem os meias adversários, cobra faltas e pênaltis – embora tenha errado alguns -, além de chutar muito bem de longa distância. Sem dúvidas, o craque do campeonato. No momento, é fortemente especulado no Real Madrid.

Götze, o Wunderkind

Quando Shinji Kagawa se machucou, no final do primeiro turno da Bundesliga, muitos disseram que o time poderia sentir a sua falta. De fato sentiu, e só não sentiu mais porque Mario Götze, um menino de apenas 18 anos, assumiu a responsabilidade de conduzir o setor de criação do time, e o fez com muito brilhantismo. Até agora, ele fez 15 assistências no campeonato, além de seis gols, sendo um deles uma obra prima contra o Hannover 96. Legítimo representante do futebol moleque praticado na Westfália – nascido em Memminger, Baviera, mudou-se para Dortmund e chegou no Borussia aos oito anos -, Götze já se firma como um dos melhores jogadores do mundo em sua geração.

Jürgen Klopp, o comandante

A sincronia coletiva e a obediência tática do Borussia Dortmund impressionou até nas partidas em que a equipe saiu derrotada, e o principal responsável por isso tem nome e sobrenome: Jürgen Klopp. Aos 43 anos, o ex-técnico do Mainz 05 soube montar um time jovem e talentoso com contratações cirúrgicas, jogadores que estavam encostados no clube e garotos da base. A permanência dele até 2014, assim como as renovações longas com a maioria dos titulares, indica que haverá uma continuidade no trabalho que vem sendo realizado, e se isso acontecer, Klopp se credenciará ao posto de sucessor natural de Joachin Löw na seleção alemã após a Copa do Mundo de 2014.

Hummels, o xerife

Campeão europeu sub-21 com a seleção alemã em 2009 e desprezado pelo Bayern Munique, Mats Hummels se transferiu para o Borussia Dortmund e apresentou, em 2010/11, uma evolução gigantesca em relação as temporadas anteriores. Alto, é imbatível no jogo aéreo defensivamente e ainda contribuiu no ataque com cinco gols marcados. Rápido, dificilmente perde jogadas pelo chão e ainda consegue ajudar na saída de bola, formando uma dupla quase intransponível com Subotic, fundamental para que Roman Weidenfeller sofresse apenas 18 gols em 31 jogos – o outro foi sofrido por Michael Langerack contra o Bayern Munique – . Ambos são ou já foram especulados em clubes como Juventus, Barcelona e Mahcnester United.

Lucas Barrios, o goleador

Com 14 gols marcados até agora, o argentino/paraguaio Lucas Barrios sempre foi sinônimo de confiabilidade no ataque da equipe. Quando não conseguia fazer gols, dava assistências ou, no mínimo, prendia a marcação dos zagueiros adversários que o respeitam muito. Aos 26 anos, é um dos mais experientes do time titular e orientou os mais jovens nos momentos mais importantes do campeonato, chamando a responsabilidade sobretudo nos jogos mais decisivos. É outro que deverá receber propostas para sair do clube no verão europeu, mas, com o Borussia Dortmund na Liga dos Campeões, a tendência é que ganhe um reajuste salarial, assim como seus companheiros.

Grosskreutz, o lutador

Gandula do clube na infância e na adolescência, Kevin Grosskreutz é o único dos titulares do clube nascido em Dortmund, e, por isso, muito querido pela torcida do clube. Voluntarioso, obediente taticamente e lutador, jogou em diversas posições no time; foi extremo esquerdo, meia central, extremo direito, lateral direito e, contra o Bayern Munique, segundo lateral esquerdo, anulando Robben com uma marcação leal e espetacular. De quebra, ainda contribuiu com alguns golzinhos e foi convocado algumas vezes para a seleção alemã principal.

Kagawa, o craque do primeiro turno

Quando Shinji Kagawa chegou ao Borussia Dortmund, o trocadilho em português foi inevitável: “reforço de m…”, disseram muitos. Poucos jogos foram suficientes para que o trocadilho fosse esquecido e o meia japonês, que foi revelado por Levir Culpi no Cerezo Osaka, fosse encarado como o grande jogador que de fato é. Rápido, habilidoso e artilheiro, arrebentou no primeiro turno, mas uma fratura no pé quando disputava a Copa da Ásia com a seleção japonesa o impediu de manter o ritmo na segunda metade da temporada. Ainda assim, é nome confirmadíssimo na equipe que disputará a Liga dos Campeões em 2011/12 e muito provavelmente recuperará a posição de titular.

Dedê, o homenageado

Reserva durante todo o campeonato e ídolo da torcida em função dos 13 anos de serviços prestados ao clube Dedê jamais reclamou de sua condição na temporada. Pelo contrário, soube reconhecer o melhor momento do jovem e talentoso Marcel Schmelzer, e foi fundamental na manutenção da união do elenco durante todo o campeonato. Presente no título da temporada de 2001/02 – assim como Sebastian Kehl -, ele foi do céu ao inferno com o Borussia Dortmund na década, não abandonou o clube em nenhum momento e foi merecidamente ovacionado quando entrou no finzinho da partida contra o Nürnberg.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo