Tradição, pragmatismo e arte
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Dizem que uma das coisas mais difíceis dentro do futebol é aliar o pragmatismo, a eficiência na busca pelos bons resultados, com a arte, a beleza das jogadas. O primeiro aspecto é um dado objetivo, e basta olhar as partidas recentes para comprovar que os resultados são bons. No segundo, subjetivo, o time encanta muita gente com trocas de passes fáceis, insinuantes, verticais, objetivas. Foi o que se viu na seleção alemã que disputou a Copa do Mundo de 2010, e também na mesma seleção que derrotou o Brasil por 3 a 2 nesta quarta-feira em Stuttgart.
Embora não tenham massacrado a Seleção Brasileira em nenhum momento, os alemães foram superiores do início ao fim. Mano Menezes, na entrevista coletiva após o jogo reconheceu isso e atribuiu essa superioridade à continuidade do trabalho de Joachin Löw à frente do Nationalelf. A manutenção da posse de bola, a marcação-pressão no campo de ataque e a qualidade individual dos jogadores de meio-campo da equipe e a sincronia coletiva fizeram toda a diferença, embora algumas falhas ainda possam ser detectadas.
O craque da partida foi, sem dúvida, Mario Götze. Depois de algumas exibições tímidas em seus primeiros jogos com a seleção principal, o Wunderkind agora já se soltou. Como meia centralizado, era onipresente em campo, se movimentava muito mais do que os companheiros. Aparecia para o jogo e incomodava o seu marcador em qualquer parte do campo. Aos 19 anos, Götze, além de marcar o segundo gol, simplesmente fez com que o mau desempenho de Thomas Müller, bem marcado por André Santos no primeiro tempo (não é ironia, acreditem) passasse despercebido.
Toni Kroos foi outro que jogou muita bola. Atuando como meia “box-to-box” (ou de uma área à outra, como preferem os puristas da língua portuguesa), marcou bem e atacou melhor ainda. Cavou o pênalti para o primeiro gol em um legítimo cai-cai alemãozinho e fez um passe primoroso para Götze driblar Júlio César e mandar para as redes. Enquadrado por Jupp Heynckes no início da pré-temporada por estar acima do peso, parece ter reencontrado o bom futebol dos tempos de Bayer Leverkusen, quando era comandado pelo mesmo Heynckes e agora tem tudo para confirmar em campo o que se diz dele desde o Mundial sub-17 de 2007.
Schweinsteiger, se não foi brilhante, foi decisivo. Fez o primeiro gol cobrando pênalti com categoria, além de ter roubado a bola de André Santos e tocado para André Schürrle, outro representante do futebol moleque alemão, fazer o terceiro gol. Schürrle, aliás, entrou muito bem na partida e também mostrou que deverá permanecer no Nationalelf por muitos e muitos anos, a não ser que uma nova geração de crianças atrevidas surja e coloque em dúvida esse posto, o que também é bem possível de acontecer, tendo em vista os últimos acontecimentos.
Quando vemos todos esses bons jogadores em campo, até esquecemos, por um minuto, de Mesut Özil. O fato, porém, é que hoje, nesse presente momento, o craque da seleção alemã na Copa de 2010 está longe, muito longe de ser insubstituível. E se continuar exibindo a irregularidade que o acompanha desde o início da carreira, alternando altos e baixos e sumindo às vezes de partidas importantes, será simplesmente atropelado pela concorrência, que talvez, com exceção de Götze, seja menos talentosa, mas é muito mais dedicada e consistente.
De negativo na seleção alemã, pode ser citada a partida modorrenta feita pelo troglodita Mario Gómez, já elogiado muitas vezes por esse colunista. Não há, porém, como defender o indefensável. Jogou mal, saiu, e se não atuar bem, o Nationalelf sentirá falta de um goleador em um futuro próximo, porque Miroslav Klose não tem vocação nenhuma para Highlander e se aposentará em breve.
Na defesa, Mats Hummels exibiu um pouco de insegurança e foi batido em algumas oportunidades por Neymar e Alexandre Pato. Seu companheiro, Badstuber, definitivamente é a prova de que todo grande técnico tem suas idiossincrasias. Lento e limitado. Os laterais, Träsch e Lahm foram bem, e Neuer, no gol, teve muito pouco trabalho. No geral, porém, foi uma bela exibição de um time que tem tudo para crescer muito mais até 2014 e já surge como favorito à Eurocopa 2012, junto com a Espanha. A conferir o próximo passo.
Bundesliga: Dortmund mostra força, Bayern fracassa
O Borussia Dortmund passou como quis pelo Hamburg na primeira rodada da Bundesliga. Venceu por 3 a 1 e poderia ter feito mais se usasse a terceira marcha no segundo tempo. Jogou lento, a 40 por hora, bobeou no fim, mas venceu fácil. Götze, como não poderia deixar de ser, jogou muita bola. Fez um gol, deu uma assistência, e só não foi o melhor em campo porque Kevin Grosskreutz balançou as redes duas vezes e deu mais um show de versatilidade atuando como lateral esquerdo no fim. Ilkay Gündogan foi outro que teve boa atuação, assim como Shinji Kagawa, que quase fez um golaço.
O Bayern Munique, porém, destoou. Conseguiu perder para o Borussia Mönchengladbach em casa e já sai em desvantagem na luta pelo título. Robben e Ribéry estavam sem condições ideais, e essa pode ser até uma justificativa plausível para a derrota, mas é difícil saber quando os dois estarão bem ao mesmo tempo, dadas as frequentes lesões dos últimos anos. Ainda assim, os bávaros parecem ser os únicos capazes de brigar com o Borussia Dortmund pelo campeonato até o fim.
Entre as “surpresas” da rodada, destaque para a excelente vitória do Stuttgart sobre o Schalke 04 por 3 a 0, sem margem para contestação. A “faxina” feita no elenco dos Schwaben e o fim da turbulência política no clube com a eleição do novo presidente Gerd Ernst Mäuser, realizada no último dia 17 de julho. Outro resultado interessante foi a vitória do Wolfsburg sobre o Köln, também por 3 a 0, indicando que, mesmo após a eliminação da Copa da Alemanha, os comandados de Felix Magath podem responder positivamente à filosofia “militar” do comandante.