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A Supercopa serviu para o Dortmund tentar redescobrir dois heróis em baixa

Tudo bem, a Supercopa não passa de um jogo festivo, que não serve tanto de parâmetro para a temporada. As próprias escalações de Borussia Dortmund e Bayern de Munique, no jogo que definiu o primeiro título da Alemanha em 2014/15, já dão ótimas indicações sobre isso, sem a maioria dos jogadores que disputaram a Copa do Mundo. No entanto, o sorriso no rosto dos aurinegros é plenamente compreensível. O Dortmund venceu os maiores rivais com autoridade, por 2 a 0, para uma enorme festa dos 80 mil presentes no Signal Iduna Park. E ainda pode ter uma pontinha a mais de esperanças para o que vem nos próximos meses.

Jürgen Klopp aproveitou a ocasião para dar espaço a alguns de seus novos contratados. Matthias Ginter apareceu no miolo de zaga, enquanto Ciro Immobile foi a referência no ataque. Contudo, quem resolveu mesmo foram dois reforços não tão novatos assim. Henrikh Mkhitaryan fez grande jogada e, na sobra, fuzilou para abrir o placar aos 23 minutos do primeiro tempo. Já Pierre-Emerick Aubameyang, que já tinha participado da jogada do primeiro gol, cabeceou para as redes aos 17 do segundo. Para empolgar ainda mais a torcida, repetiu sua comemoração dos tempos de Saint-Étienne, com a máscara do Homem-Aranha.

Durante os 90 minutos, o Dortmund apresentou um vigor ofensivo impressionante. Foram 22 finalizações dos donos da casa, contra apenas quatro do Bayern. Embora o goleiro Mitchell Langerak até tenha trabalhado, Manuel Neuer evitou uma diferença maior. E dois dos jogadores que mais criaram oportunidades no jogo foram mesmo Mkhitaryan e Aubameyang. Foram cinco chutes do armênio e quatro passes para finalização do gabonês, os líderes nos quesitos – empatados com Immobile e Jonas Hofmann, respectivamente. A linha de frente funcionou muito bem, mesmo sem Marco Reus. E Lukasz Piszczek, cada vez mais retomando o seu espaço, apoiou bastante pelo lado direito do ataque.

Foi uma atuação para encher a torcida do Dortmund de esperanças. Sobretudo com Mkhitaryan e Aubameyang, que já tinham acumulado bons números na pré-temporada. As duas principais contratações de 2013/14 ficaram devendo em seu primeiro ano, especialmente pela forma como caíram de rendimento na reta final da temporada – e, se você é simpatizante dos aurinegros, garanto que está remoendo aquele gol perdido pelo armênio contra o Real Madrid até agora. A forma como a dupla partiu para cima do Bayern (desfalcado, é verdade) ainda assim traz expectativas. Porque, depois de tantos anos à frente do clube, Klopp já deu provas mais do que concretas sobre sua capacidade de desenvolver jogadores e de trabalhar em médio prazo. E é nisso que o Dortmund confia para tentar quebrar a hegemonia bávara na Bundesliga.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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