Alemanha

Sinal amarelo

Amarelo é uma cor que pode representar diversos tipos de sentimento no futebol. Desde o cartão de advertência do juiz, passando por tremidas de pernas de jogadores em momentos importantes – as populares “amareladas” -, ou o uniforme de equipes tradicionais no mundo inteiro, como, por exemplo, a seleção brasileira, ou, no caso que importa para esta coluna, o Borussia Dortmund. É também a cor do sinal de trânsito que pede “atenção” aos motoristas, e é fato que o clube, que ocupa a liderança da Bundesliga, precisa acender a luz de alerta após os últimos acontecimentos.

O empate em casa por 1 a 1 contra o Stuttgart, cedido a pouco menos de dez minutos do fim da partida, pode ser considerado um resultado ocasional, causado por uma quantidade imensa de gols perdidos e da vulnerabilidade acima do normal no setor defensivo. A equipe, que fez boa partida ofensivamente, sentiu falta de Sven Bender, volante protetor da defesa, jogador que esbanja regularidade e segurança apesar da pouca idade. E sentirá falta também, a partir desse momento, de Shinji Kagawa, meia que nesse momento já dispensa maiores apresentações.

Kagawa fraturou o metatarso na semifinal da Copa da Ásia entre Japão e Coreia do Sul, vencida pelos japoneses nos pênaltis, mas continuou jogando a partida e agravou a lesão. Agora, além de estar fora da final, contra a Austrália, corre o risco também de ficar ausente do restante da Bundesliga, possibilidade esta que já apavora a torcida. O diagnóstico definitivo sobre a lesão será dado pelos médicos do clube assim que o jogador, de 21 anos, voltar à Alemanha.

Tecnicamente, é um desfalque imenso para o elenco, mais do que para o time. Na ausência de Kagawa, Jürgen Klopp armou a segunda linha de três no meio com Grosskreutz pela esquerda, Götze pelo meio e Kuba pela direita. O trio é rápido, habilidoso e dinâmico, mas perde em poder de fogo, já que o japonês é o que finaliza melhor entre os quatro. Além disso, os três supracitados estão terminantemente proibidos de se machucar, já que o banco de reservas até oferece opções que agradam mais pelo passado do que propriamente pelo que produzem no momento.

Um desses nomes é o egípcio Mohamed Zidan, que conta com a simpatia do técnico Jürgen Klopp e poderia executar uma das funções. Embora possa contribuir com a experiência de quem já se aproxima dos 30 anos, o fato de voltar de uma grave lesão ainda impede que adquira o ritmo de jogo ideal e, obviamente, a intensidade do jogo do time poderia ser prejudicada. Outros nomes que poderiam ser utilizados seriam os também “quase-trintões” Tamás Hajnal e Markus Feulner, que também jogaram pouco na temporada.

Acrescentar experiência ao time nesse momento não parece uma ideia ruim, sobretudo porque às vezes o time cai de produção dentro da partida e tem dificuldades para manter a posse de bola em função da velocidade, às vezes excessiva, que os garotos querem imprimir ao jogo. Mas é certo que, para manter essa vantagem construída no campeonato e caminhar com tranquilidade ao título, o Dortmund precisará sobretudo de Nuri Sahin e Mario Götze, representantes da garotada e jogadores mais talentosos do time em termos individuais.

Olhando para a tabela do campeonato, o alerta parece não se justificar tanto assim. O time lidera com 11 pontos de vantagem sobre o Bayer Leverkusen, e os aspirinas precisam, além dos adversários, derrotar a “lei da gravidade” que age na BayArena e faz com que eles caiam de produção toda vez que se fala de título por lá. Quem preocupa, de fato é o Bayern Munique, que engatou a quinta no último sábado, aplicou 5 a 1 no Kaiserslautern, já ocupa a quarta posição com 33 pontos e conta com diversos jogadores acostumados a levantar taças no final da temporada.

Além disso, os próximos jogos dos comandados de Jürgen Klopp são difíceis. Na 20ª rodada, a equipe enfrenta o Wolfsburg, fora de casa, e depois tem o clássico contra o Schalke 04. Duas vitórias nessas partidas são importantes para mostrar força nesse momento difícil e mandar para os adversários o recado que o título alemão está de fato decidido já neste momento, como pensam, por exemplo, Michael Ballack e Joachin Löw.

Alguém segura o Bayern?

Depois de empatar com o Wolfsburg no início do segundo turno da Bundesliga, o Bayern Munique dava pinta de que iria demorar a engrenar e brigar pelas primeiras posições na tabela. Ledo engano. A supracitada goleada sobre o Kaiserslautern e a vitória por 4 a 0 em cima do Alemannia Aachen nesta quarta-feira, pelas quartas de final da Copa da Alemanha, porém, indicam o contrário. Se contarmos com os 11 gols feitos nos dois jogos contra o Stuttgart, ainda pelo ano passado, o clube soma 21 nas últimas cinco partidas, marca, de fato, impressionante.

O principal responsável pelo feito é, indubitavelmente, Mario Gómez, que balançou as redes do Kaiserslautern três vezes e chegou a 15 gols na Bundesliga, assumindo a artilharia da competição junto com Papiss Cissé. Contra o Aachen, ele também deixou sua marca uma vez – o cruzamento foi de Luiz Gustavo -, mas quem brilhou foi Thomas Müller, autor de dois tentos. Arjen Robben, no finalzinho da partida, fechou a conta e deu o recado: ele está de volta e vai lutar pelo bi, tanto no campeonato quanto na DBF-Pokal.

Os outros semifinalistas da Copa da Alemanha que foram conhecidos nesta quarta-feira são o Energie Cottbus, que eliminou o Hoffenheim com uma vitória por 1 a 0 em jogo que marcou a estreia de Ryan Babel no comando de ataque do Hoffe. O Duisburg, por sua vez, derrotou o Kaiserslautern por 2 a 0. Eles se juntam ao Schalke 04, que superou o Nürnberg na terça-feira por 3 a 2, com um gol do jovem meia Julian Draxler, de apenas 17 anos, no último minuto da prorrogação.

Mainz em queda livre, Wolfsburg acerta a defesa

Duas derrotas por 1 a 0 nos dois primeiros jogos do returno para equipes que buscam recuperação. O Mainz 05 ainda não somou pontos após a pausa de inverno da Bundesliga e já despencou da segunda para a quinta posição na tabela, com 33 pontos. O encanto, definitivamente, parece ter acabado, a não ser que o estrategista Thomas Tuchel tenha mais alguma carta desconhecida na manga.

No último sábado, a derrota foi contra o Wolfsburg, em casa, por 1 a 0. O gol dos Lobos foi marcado por Simon Kjaer, zagueiro que começou muito mal a temporada, que aproveitou de cabeça um cruzamento de Diego. Os campeões de 2008/09 parecem ter acertado a defesa após fazerem uma descoberta importantíssima: a de que, se não tomarem gols de maneira desenfreada como fizeram no primeiro turno, não irão chorar pela ausência de Dzeko, pois não precisarão fazer quatro ou cinco gols por jogo para garantir vitórias.
 

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