Alemanha

Sem arranhões

A Alemanha passou pelo grupo da morte da Eurocopa sem sustos. Assim como Espanha e Itália, esteve a um gol da eliminação, mas não penou contra a Dinamarca. Assim que correu perigo, encaixou um belo contragolpe, ganhou o jogo por 2 a 1 e terminou como líder do Grupo B com nove pontos em três jogos. A primeira parte da missão está cumprida, mas ainda faltam três jogos. E não há como subestimar a Grécia, a seleção mais raçuda da competição.

O time parece bem consciente e redondinho. Todo mundo sabe o que precisa fazer dentro de campo, as situações estão bem claras e as jogadas de contragolpe, ponto forte da equipe, estão saindo com naturalidade. O principal culpado por isso fora de campo é o técnico Joachin Löw. Dentro das quatro linhas, quem manda, desmanda, prende e solta quando quer é Bastian Schweinsteiger. O camisa 7 decidiu contra a Holanda, no jogo teoricamente mais difícil dos três. Na prática, o Nationalelf sofreu mais contra Portugal.

Nem só de Schweinsteiger vive a Alemanha. Mario Gómez, atacante ambidestro (faz gols com as duas canelas), é um dos artilheiros do torneio com três gols e repete a grande eficiência que demonstrou na temporada, apesar de ser muito contestado pela torcida, que pede Miroslav Klose no time titular. Mesut Özil some menos do que sumia na Copa do Mundo de 2010, ou seja, aparece mais. É o melhor meia do time titular, mas ainda prende muito a bola em alguns momentos.

Quem destoa de tudo é Mats Hummels. O zagueirão fez duas partidaças contra Portugal e Holanda, atuou bem contra a Dinamarca e é um dos melhores, se não o melhor jogador da Eurocopa. Quase imbatível no jogo aéreo, esbanja categoria na saída de bola com lançamentos preciosos e foi decisivo em algumas interceptações, além de ter sido o jogador que mais tocou na bola nos dois lances. De contrato renovado com o Borussia Dortmund até 2017, ele já era alvo de vários clubes mais ricos, e agora o interesse deverá aumentar ainda mais. Holger Badstuber, parceiro de zaga de Hummels, também corresponde em campo.

As laterais, que eram um problema, parecem já não dar tão de cabeça para Löw. Philipp Lahm resolveu as coisas no lado esquerdo, anulou Arjen Robben e Nani e não causa tantas grandes preocupações por ali. Jérôme Boateng foi primoroso na marcação nos dois primeiros jogos, cumpriu suspensão e deu lugar a Lars Bender, que teve atuação ainda melhor contra os dinamarqueses, fazendo o gol da vitória e se destacando defensivamente.

Mas nem tudo é festa no time. Existe também Lukas Podolski, que apesar do gol contra a Dinamarca ainda não teve uma boa exibição no torneio. É titular pelo histórico que possui. Existe Sami Khedira, que está muito longe do dinamismo que exibia na Copa do Mundo, embora mostre força na marcação. Toni Kroos fez uma temporada espetacular o Bayern Munique e pede passagem no onze inicial já há algum tempo. Talvez essa seja uma mudança natural que aconteça depois da Euro.

Outro problema em potencial é a não utilização dos jovens Marco Reus e Mario Götze na primeira fase. Destaques da última Bundesliga, os dois poderiam ter alguns minutos de jogo contra a Dinamarca, mas não tiveram. Löw optou por André Schürrle, que não foi mal, mas não tem o mesmo potencial decisivo dos dois supracitados. Caso precise deles contra a Grécia, não os terá testado.

No geral, o saldo é positivo, por tudo o que já foi explicado acima. Mas não adianta pensar em conquistar o título sem passar pelas quartas de final. E a Grécia já mostrou na primeira fase que não está disposta a sair humilhada da Euro. É preciso ganhar o jogo na bola, e não apenas na camisa, e se o Nationalelf render o que rendeu até agora, se garante nas semifinais.
 

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Equipe Trivela

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