Alemanha

Sair ou não do armário?

Com o fim da Bundesliga 2010/11 e poucas transferências de impacto acontecendo nessa semana, um assunto ganhou muita força na imprensa alemã nos últimos dias e vem sendo objeto de declarações favoráveis ou contrárias, que jogam ainda mais pimenta na questão que, por si só, já é irritante, ainda mais quando percebemos que estamos em pleno século XXI e já deveríamos ter nos livrado de certos preconceitos que assolam a mente de quem os exerce e fazem sofrer quem é vítima. Afinal de contas, os jogadores homossexuais devem ou não assumir publicamente sua opção?

Nesta terça-feira, o presidente da federação alemã de futebol (DFB), Theo Zwanziger, declarou que os jogadores que se assumissem gays teriam todo o suporte da entidade por considerar que seria um ato de bravura se assumir homossexual. Nesta quarta-feira, foi a vez de Philipp Lahm, capitão da seleção alemã, se manifestar sobre o tema, desaconselhando os jogadores gays a se assumirem, para que eles mesmos evitem enfrentar comentários maldosos. Lahm, que negou ter quaisquer problemas com homossexuais, afirmou que a opção de assumir poderia gerar comentários maldosos de adversários.

O atacante Mario Gómez, do Bayern Munique, afirmou que pensa diferente e que seria interessante para os próprios jogadores se assumirem, pois contribuiria para a discussão sobre o tema. A homossexualidade, para Gómez, não deveria mais ser um tabu nos dias de hoje. Outro que tem opinião semelhante é o goleiro Manuel Neuer, do Schalke 04, que há algum tempo também declarou crer que os atletas gays devem se assumir, até para se sentirem mas em paz consigo mesmos.

O grande problema dessa discussão toda é que, enquanto uns falam que os gays devem se assumir e outros têm medo, só os homossexuais é que sabem o tamanho da cruz que carregam, e aonde a pancada vai doer mais (sem trocadilhos infames, por favor). Marginalizados desde cedo, só eles são capazes de decidir o que pesa mais nesse conflito interno: o alívio de poder andar sem segredos ou a não exposição pública, afinal de contas, ninguém precisa saber sobre a sexualidade de ninguém.

Nesse contexto, as advertências de Lahm fazem sentido. Assumir ser homossexual no futebol significa correr o risco de ser ofendido, xingado, sacaneado, ridicularizado e até assassinado, em casos extremos. Parece ser, de fato, uma decisão difícil de ser tomada, sobretudo por se tratar de um meio onde a privacidade já é reduzida, ainda mais em equipes de primeira divisão. Os adversários certamente usarão a homossexualidade como mote para provocar quem resolver “sair do armário”.

Por outro lado, há a possibilidade de se puxar uma discussão nova dentro do esporte, e o que é melhor: com o apoio de alguns atletas da seleção alemã. É a oportunidade que se tem de enfrentar um problema imenso como se deve: de frente, com a cara exposta aos mais diversos tapas e reprimendas da turma da patrulha moral, aquela que existe em todos os lugares do mundo e só muda de nacionalidade e classe social, além de não admitir jamais o preconceito que exala por seus poros.

Há também o fato da homossexualidade ser uma opção pessoal. O indivíduo tem todo o direito de ser gay e não querer expor isso só para ser reverenciado como um mártir de uma “causa” que nem deveria ser uma causa se as sociedades modernas parassem de se importar menos com as opções pessoais de cada um do que com problemas sociais concretos e que realmente influem na vida coletiva. Além disso, é muito fácil e cômodo falar da boca para fora em uma entrevista que dará apoio, mas na hora em que o bicho pegar

É interessante que essa discussão seja feita na Alemanha e puxada por alguns dos principais jogadores do país. Em outros lugares, muitas estrelas esportivas já se calaram sobre o tema, e não houve – não há – o mínimo de diálogo. O futebol, como um aglutinador de massas, pode se colocar nesse papel e ajudar, mesmo que minimamente, a contribuir para a melhoria do IMTP – Índice Mundial de Tolerância com o Próximo.

Da série “Você já foi mais humilde antes”

Latino, em vários momentos, está certo. A frase acima, dita por ele, reflete exatamente a situação de Diego no Wolfsburg nesse fim de semana. O meia simplesmente se recusou a ficar no banco de reservas da equipe na partida contra o Hoffenheim, pela última rodada da Bundesliga. Se perdessem, os Lobos estariam disputando os play-offs que se iniciam nesta quinta-feira entre Borussia Mönchengladbach e Bochum, o terceiro colocado da segunda divisão alemã.

Se considerarmos o fato de que realmente Felix Magath não é flor que se cheire e já brigou com mais da metade dos jogadores que comandou, Diego conseguiu um feito. Entrar em atrito com o próprio Magath e (pasmem!) não ter razão. Jogador profissional ganha um salário astronômico é para cumprir as ordens do clube ao qual está subordinado, e não para dar chilique em um momento delicadíssimo, que poderia selar a queda dos Lobos para a 2. Bundesliga. O exílio na segunda equipe é merecido, e o mercado na Europa começa a se minguar.

Para que isso não aconteça, o meia precisa mostrar serviço novamente. Depois de brilhar no Werder Bremen, não conseguiu manter uma regularidade na Juventus, mesmo tendo tido alguns brilharecos – sobretudo no início da temporada 2009/10. Vendido ao Wolfsburg para ser o substituto de Misimovic, recebeu todos os paparicos e salamaleques da diretoria. Não rendeu, assim como não rendeu nas Olimpíadas, com a seleção brasileira, e perdeu a chance de jogar a Copa do Mundo de 2010. Se jogasse o que sabe, poderia ter sido tranquilamente o reserva de Kaká.

A volta ao Brasil parece ser um destino viável. O Santos, que está prestes a perder Paulo Henrique Ganso, precisará de um grande meia para repor a baixa. Mas, para que isso aconteça, Diego precisa reduzir a sua pedida salarial e tratar de voltar a jogar a bola que sabe. Caso contrário, é melhor ir ganhar dinheiro sem fazer muito esforço em algum país do Oriente Médio.

Gladbach: 50% missão cumprida; Dynamo Dresden com chances de ressurgir

Depois de dormir por várias rodadas no sono profundo da lanterna da Bundesliga, o Borussia Mönchengladbach conseguiu evitar o rebaixamento na última rodada e agora disputará os play-offs com o Bochum, terceiro colocado da segunda divisão. O primeiro jogo acontece nesta quinta-feira, em Mönchengladbach. A volta acontece em Bochum, na próxima quarta-feira.

Nesta sexta-feira, é a vez do Dynamo Dresden, que passou alguns anos nas ligas regionais alemãs, tentar dar mais um passo em sua reconstrução. A equipe, que ficou em terceiro lugar na terceira divisão, começa a disputar um play-off contra o Osnabrück, e joga a primeira partida em casa. O jogo de volta é na próxima terça-feira.
 

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Equipe Trivela

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