Alemanha

Sábia decisão

Antes da Copa do Mundo, a probabilidade de Joachin Löw permanecer no comando da seleção alemã após a disputa do torneio era mínima. As negociações entre ele e a DFB haviam praticamente cessado e a saída do Nationalelf parecia um caminho inevitável. O bom desempenho na África do Sul, porém, mudou toda a situação. Valorizado com o terceiro lugar, Löw passou a ter a permanência pedida por diversas pessoas influentes no futebol alemão – Franz Beckembauer está entre elas – e renovou contrato até 2012 sem maiores dificuldades.

A decisão de Löw parece, à primeira vista, acertada. Afinal de contas, ele conhece o time, tem um bom relacionamento com os jogadores e teve coragem suficiente para confiar numa geração talentosa que pedia passagem no país. Além disso, conseguiu armar um bom esquema de jogo, com um meio-campo forte, técnico e que, a julgar pela idade dos jogadores, poderá atuar junto por pelo menos seis anos. Nada mais justo do que poder viver a evolução desses garotos e ter a possibilidade de colher os louros de vitórias futuras junto com o auxiliar-técnico Hansi Flick e o treinador de goleiros Andreas Köpke.

Para a DFB, a permanência de Löw significa que haverá uma continuidade no trabalho iniciado. A ousadia com a qual ele apostou nos garotos e, principalmente, o modo como foram resolvidos os problemas causados por lesões na equipe mostraram que, pelo menos nesse Mundial, o comandante alemão soube trabalhar em condições muito adversas. E para 2012, a expectativa é que os alemães estejam perto do auge e possam, finalmente, fazer frente aos espanhóis, carrascos das duas últimas grandes competições.

O time para a Euro poderá sofrer uma alteração ou outra, mas já está praticamente montado. Resta saber se antigos titulares como René Adler, Michael Ballack e Simon Rolfes voltarão aos seus postos, o que, pelo menos nos dois últimos casos, parece improvável. Ou se outros garotos também terão suas chances de mostrar serviço, já que a quantidade de bons jogadores jovens no país não para de aumentar.

No gol, por exemplo, o momento parece ser favorável a Neuer, mas não há como ter uma certeza, pois Adler foi o titular durante as eliminatórias. Há também o jovem Tobias Sippel, do Kaiserslautern, que é tido como a maior promessa para a posição nos últimos anos e terá, em 2009/10, a oportunidade de mostrar serviço pela primeira vez na Bundesliga.

A lateral esquerda é um problema que o comandante alemão terá de resolver, mas trata-se de uma carência mundial. Exceto França e Inglaterra, as grandes seleções não contam com titulares confiáveis para a posição já há algum tempo. A lentidão de Badstuber e Boateng durante a Copa do Mundo pode abrir espaço para jogadores mais rápidos, como Diego Contento e o ainda teenager Christopher Buchtmann, que, após passagens por Liverpool e Fulham, voltou ao futebol alemão para defender o Colônia.

O ataque também não está definido. Aos 32 anos, Miroslav Klose certamente tem gás para aguentar uma Euro, mas não se sabe se chega à próxima Copa do Mundo. É necessário pensar em um substituto para ele com certa urgência, mas não surgem novos goleadores no país e nomes como Kiessling e Mario Gómez estão muito longe de empolgar. Outros mais jovens, como Richard Sukuta-Pasu e Sandro Wagner, ainda precisam se firmar na própria Bundesliga para terem chances, mas já é possível perceber que são apenas jogadores comuns.

No meio-campo, setor que não precisa de renovação por enquanto, há uma fartura de nomes que certamente contribuirá para que Özil e Müller jamais se acomodem. Além de Marko Marin e Toni Kroos, que foram à Copa do Mundo, Löw poderá contar, num futuro próximo, com nomes como Marco Reus, do Borussia Mönchengladbach e Mario Götze, do Borussia Dortmund, além de Felix Kroos, irmão de Toni, que atua no Werder Bremen. Entre os volantes, se destacam Sven Bender e Philipp Bagfrede.

Na zaga, a situação também parece tranquila. Além de Jerome Boateng, defensor de origem, há também a possibilidade de se deslocar Badstuber para o setor. Outro nome que pode ganhar força nos próximos anos é o de Benedikt Höwedes, do Schalke 04. Stefan Reinartz, do Bayer Leverkusen, se destaca pela versatilidade e certamente também terá as suas oportunidades.

Diante de tantas opções boas e jovens para o presente e da perspectiva de surgirem outras em um futuro próximo, cabe a Löw saber fazer as escolhas certas. Manter a base e tentar resolver os problemas do time atual já é um excelente passo para o sucesso. Mas o exemplo dado por ele mesmo mostra que, ao mesmo tempo em que é necessário estabelecer um time-base, é fundamental manter os olhos abertos para efetuar as mudanças necessárias no momento certo.

Sammer elogia renovação de Löw

Junto com o novo vínculo, Joachin Löw agora também terá mais influência nas seleções de base. Ele terá, junto com a sua comissão técnica, a possibilidade de implantar uma metodologia padrão de treinos, visando facilitar a transição entre a base e o profissional. Para o agora responsável pela seleção sub-21, Matthias Sammer, essa padronização é benéfica para o futebol alemão. “Percebemos que o sucesso do time sub-21 em 2009 teve um ótimo efeito na equipe principal e creio que aproximar ainda mais as filosofias de treino será algo positivo”, declarou, em entrevista à revista “Kicker”.

Sammer venceu um confronto político com Oliver Bierhoff, seu companheiro de seleção na conquista da Eurocopa em 1996, e agora será responsável pelas decisões administrativas da seleção sub-21. Atual campeã europeia da categoria, a Alemanha sofre com os “desfalques” que já integram a seleção principal e ocupa a terceira posição do Grupo 5 das eliminatórias para a Euro Sub-21 de 2011, com 8 pontos, cinco a menos do que a Islândia, segunda colocada, e precisa vencer suas próximas três partidas para garantir vaga na fase seguinte.

Westermann no Hamburgo

Exceção feita às especulações envolvendo a saída de Sami Khedira do Stuttgart, a principal notícia envolvendo transferências de jogadores foi a ida de Heiko Westermann do Schalke 04 para o Hamburgo. O zagueiro, que custou cerca de € 7.5 milhões aos Rothosen, que agora possuem um substituto para Jerome Boateng, vendido ao Manchester City antes mesmo da Copa do Mundo.

Aos azuis reais, resta apostar na recuperação de Metzelder, que retorna ao clube onde atuou nos juvenis entre 1995 e 1996. Em tese, ele chega para formar dupla de zaga com Höwedes, mas o extenso histórico de lesões das últimas temporadas no Real Madrid certamente preocupa os torcedores e o técnico Felix Magath.

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Equipe Trivela

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