Alemanha

Retaguarda reforçada

Depois de duas temporadas com uma eficiência sensacional no ataque e uma defesa que provocava calafrios em sua torcida, o Bayern Munique finalmente parece ter entendido que, para vencer no futebol, é necessário ter equilíbrio. Em outros termos: não adianta ter Robben e Ribéry se há também Van Buyten com status de titular e pose de zagueiro classudo. Ou Breno, contratado a peso de ouro, entregando a rapadura em momentos cruciais. Ou mesmo Badstuber, superestimado até a raiz dos cabelos. Jupp Heynckes e a diretoria, ao que tudo indica, finalmente entenderam isso.

A primeira medida foi a contratação de Manuel Neuer, goleiraço que hoje está entre os melhores do mundo e fez uma temporada superior a dos “melhores do mundo” de sempre (Buffon, Júlio César, Casillas e Cech). Talvez tenha sido inferior a Van der Sar, mas só um pouquinho. É o típico caso de alguém que chegará para solucionar o problema causado pela saída de Oliver Kahn e não resolvido por Michael Rensing, Hans-Jörg Butt e Thomas Kraft. A camisa 1 será dele, e não tem discussão.

O segundo passo foi contratar Rafinha, lateral que fez belas campanhas no Schalke 04, mas andava meio em baixa no Genoa. A chegada dele é um tapa de pelica da diretoria na empáfia de Louis van Gaal, que se recusava a contratar laterais com um argumento no mínimo risível: “Não, nós temos Diego Contento”. Rafinha deverá jogar na esquerda, com Lahm continuando na direita, ou vice-versa, não importa. O que é realmente essencial é que os bávaros agora possuem dois laterais, e que Contento, um menino que pode vir a ser bom jogador, mas ainda não o é, ganhará a experiência necessária no banco de reserva após ter comprometido em alguns jogos em 2010/11.

A terceira atitude, ao que tudo indica, será contratar um zagueiro. Jerome Boateng, do Manchester City, é o nome preferido, mas, caso não acerte, Alex, do Chelsea, pode ser outra opção. Ambos são, obviamente, superiores aos supracitados Van Buyten, Badstuber e Breno, que não podem reclamar das oportunidades que já receberam. A chegada de um defensor também reduziria a possibilidade de improvisações no setor de nomes como Luiz Gustavo e Tymoshchuk, bons volantes que dão sustentação ao ofensivo meio-campo do time e não precisam.

O quarto passo deverá ser um pouco mais complicado: convencer Robben e Ribéry de que eles precisam voltar para marcar e contribuir, mesmo que minimamente, com o setor defensivo. A dificuldade de recomposição dos bávaros nas laterais ficou explícita especialmente nas partidas contra Borussia Dortmund e Internazionale, que determinaram a má sorte do time na temporada passada, embora, verdade seja dita, o time tenha sofrido mais com a falta de férias e as lesões desses jogadores do que com qualquer coisa.

Outra preocupação que Heynckes deverá ter é com a recomposição do grupo, em caso de contusões, suspensões ou outros problemas. Com a saída de Hamit Altintop para o Real Madrid e Klose para a Lazio, os únicos reservas ofensivos de qualidade são Toni Kroos e Ivica Olic, que retorna de lesão e poderá disputar posição com Mario Gómez. Parece pouco para um time que pretende recuperar a hegemonia local, sobretudo se imaginarmos que o clube disputará três competições no ano (precisará primeiro passar pela fase preliminar da Liga dos Campeões).

Heynckes, porém, parece ter a experiência necessária para administrar esses pequenos problemas e ter sucesso com o clube, pelo qual já foi campeão na década de 80. E, mais do que tudo, parece não ter a vocação para “Professor Pardal” que Louis van Gaal tinha e que funcionou em sua primeira temporada, mas o inebriou na segunda e quase fez com que o Bayern Munique tivesse que se contentar com a Liga Europa.

A mesma praça, o mesmo banco, a mesma bagunça...

Entra temporada, sai temporada e muitas coisas não mudam no futebol alemão. Uma delas é o Hamburg, time que não consegue dar uma continuidade em uma filosofia de trabalho, e ao que tudo indica, não conseguirá novamente. Antes mesmo da abertura da janela de transferências, o time já tem onze novas caras, e dez jogadores saíram, incluindo Zé Roberto, ainda sem clube, e Ruud Van Nilsterooy, que foi para o Málaga.

Entre os contratados, o trio ex-Chelsea formado por Michael Mancienne, Jacopo Sala e Gokhan Töre. Todos trazidos pelo novo diretor esportivo do clube, Frank Arnesen, que trabalhou nos Blues. Em relação aos dois últimos, não há como falar muito, pois não chegaram a atuar nos profissionais. Mas é certo, que, se não houver uma mudança de estrutura físico-química-política-sexual-e-espacial na terra, Mancienne continuará sendo um jogador comum, e o time continuará, como diz o ditado popular, “vendendo caviar e entregando sardinha”.
 

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Equipe Trivela

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