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O Signal Iduna Park rugiu mais alto com a vitória maiúscula do Dortmund sobre o Bayern

O Borussia Dortmund vivia um momento de desconfiança. O time de Thomas Tuchel atravessou semanas de resultados inconstantes, até começar a se recuperar no início de novembro. Para, neste sábado, conquistar uma vitória maiúscula, que deixa bem evidente o que o time quer na temporada. Não foi uma partida fácil. Longe disso, diante do domínio de posse e do maior número de finalizações dos adversários. Entretanto, os aurinegros conseguiram ser mais letais, em noite repleta de intensidade e tensões. A vitória por 1 a 0 já valeu para derrubar o Bayern de Munique, fazendo o Signal Iduna Park rugir mais alto ao apito final. Um placar que, definitivamente, abala as estruturas da Bundesliga.

Thomas Tuchel fez sua aposta na escalação. Montou o Dortmund com três zagueiros, o que já tinha acontecido contra o Hamburgo. Além disso, quis dar mais presença física ao ataque, com Adrián Ramos acompanhando Pierre-Emerick Aubameyang. Deu certo. O primeiro gol saiu logo com 10 minutos de bola rolando. Em boa trama coletiva, Mario Götze se livrou de Mats Hummels (vaiado constantemente pela torcida da casa) e cruzou rasteiro para Auba desviar com o bico da chuteira. Criticado nas últimas semanas, o camisa 10 teve participação decisiva em toda a construção do lance e ditou o ritmo de sua equipe na etapa inicial.

O Bayern tinha a posse de bola, mas encontrava muitas dificuldades para finalizar. O Dortmund fechava o meio de campo e levava perigo com a velocidade de seu ataque. Só a partir dos 30 minutos é que os bávaros começaram a ameaçar com mais frequência, a partir da movimentação de Robert Lewandowski. Ainda assim, nada que tenha feito Roman Bürki trabalhar tanto. Além disso, a tensão no ar ficava clara, com os jogadores se estranhando em diferentes momentos.

Logo no primeiro lance da etapa complementar, Aubameyang desperdiçou chance claríssima de ampliar. O gabonês foi lançado de frente para o gol, mas chutou em cima de Neuer. A resposta do Bayern foi imediata, com Lewandowski exigindo boa intervenção de Bürki. A intensidade aumentou, com os dois times buscando o gol. Aos 13 minutos, Carlo Ancelotti fez sua primeira alteração, botando Douglas Costa no lugar de Joshua Kimmich. Neste momento, os visitantes já voltavam a tomar as rédeas da noite. Franck Ribéry teve um golaço de letra bem anulado pela arbitragem, enquanto Xabi Alonso carimbou o travessão em belo chute.

Apesar da pressa, o Bayern não demonstrava o volume de jogo ofensivo comum em outros tempos. Lewandowski era quem mais aparecia, compensando as atuações abaixo da média de Thomas Müller e Ribéry. Já Tuchel preferiu dar mais capacidade física nas substituições, reforçando a proteção. Venceu a batalha contra Ancelotti. Aos 25 minutos, Aubameyang perdeu outro gol feito, de novo carimbando Neuer no mano a mano. Do outro lado, os perigos eram raros. A última oportunidade clara veio nos acréscimos com Lewandowski, mas o polonês errou o alvo.

A derrota do Bayern de Munique confirma o RB Leipzig na liderança da Bundesliga. Com dois tropeços consecutivos, os bávaros aparecem na segunda colocação, com três pontos de desvantagem. E os questionamentos sobre Carlo Ancelotti começam a ganhar corpo, mesmo que esta seja a primeira derrota na liga. Se o primeiro semestre sempre foi o forte nos tempos de Pep Guardiola na Baviera, a equipe demora a pegar embalo sob as ordens do italiano. Ainda que a defesa mantenha a segurança, o ataque não anda tão produtivo assim.

O Dortmund, por sua vez, ganha posições importantes na tabela. Ocupa atualmente a terceira posição, mas pode ser ultrapassado pelo Hoffenheim neste domingo. Nada que diminua a motivação que se injeta diante do enorme resultado deste sábado. Tuchel enfrenta dificuldades para encontrar o encaixe ideal em um elenco cheio de novatos. De qualquer maneira, por aquilo que aconteceu no Signal Iduna Park, a vitória poderia muito bem ter sido maior, não fossem os erros de Aubameyang. O artilheiro terminou a noite perdoado. Afinal, o grito alto na comemoração dos aurinegros só foi possível graças a seu oportunismo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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