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O melhor time do mundo?

Enfim, o Bayern tirou uma pedra do sapato. A vitória sobre o Borussia Dortmund por 1 a 0 nesta quarta-feira valeu muito mais do que a classificação para as semifinais da Copa da Alemanha. Foi também o fim da freguesia que durou duas temporadas, período em que os aurinegros venceram os bávaros por cinco vezes consecutivas, algumas das quais humilhantes, como o 5 a 2 na final da Copa da Alemanha do ano passado. Agora, sem nenhum carrasco doméstico no caminho e com o declínio do Barcelona, o Bayern já começa a se enxergar como o melhor time do mundo no momento.

Sejamos francos. A Bundesliga já está decidida há algum tempo, e não há como mudar isso, a não ser que algum desastre aconteça. O Bayern passeia sobre os adversários com a mesma tranquilidade de uma criança de cinco anos andando no parquinho e escolhendo os brinquedos nos quais vai brincar, ou seja, não quer saber de mais nada. Com um time misto, os bávaros estraçalharam o Werder Bremen com uma goleada por 6 a 1. Placar que, em que pese o nível patético do adversário, já seria expressivo mesmo se o time titular entrasse em campo.

Veio o jogo desta quarta-feira, e uma vitória merecida. Assim como a maioria das vitórias da Bundesliga e da Liga dos Campeões, onde os bávaros arrebentaram com o Arsenal na Inglaterra e podem até levar 2 a 0 em casa. Coisa que, se tudo ocorrer dentro da normalidade, não acontecerá, e se houver algo diferente, extraordinário, também não acontecerá. Da mesma maneira que também não ocorrerá uma reviravolta em termos domésticos.

Bem no Campeonato Alemão, na Copa da Alemanha e na Liga dos Campeões, o Bayern é sério candidato à tríplice coroa, e não à “Trivice coroa” conquistada no ano passado. O time é estável, tem revezado bastante, e é chover no molhado falar da qualidade dos jogadores, mas dois em especial mostram cada vez mais que amadureceram e se preparam para assumir a função de protagonista do time em breve: Toni Kroos e Thomas Müller.

O primeiro vem em uma crescente espetacular e tem na finalização um bilhete premiado de loteria. Chuta demais de qualquer lugar do campo e além disso tem chamado cada vez mais o jogo para si. Com Bastian Schweinsteiger se aproximando dos 30 anos e Pep Guardiola prestes a chegar, é possível que os dois repitam, em Munique, o sucesso da dupla Xavi-Iniesta no Barcelona.

O segundo, depois de duas temporadas vagabundas após a Copa do Mundo, finalmente se reencontrou com a regularidade e o bom futebol apresentado antes da África do Sul. Já marcou 11 gols e deu impressionantes nove assistências, e em 2012/13 é possível dizer que ele tem sido mais importante do que Franck Ribéry para o time, funcionando como um desafogo e botando o cracaço de bola Arjen Robben no banco de reservas, independentemente de qualquer lesão. A chegada de Mario Mandzukic, centroavante mais móvel do que Mario Gomez, facilitou a vida de Müller, que agora pode chegar mais na área e encontrar vida mais inteligente e rápida para tabelar.

Pois bem, some-se isso à rápida adaptação de Dante, ao belo desempenho de Alaba na lateral esquerda e à segurança de Lahm, Schweinsteiger, Neuer, Ribéry e Boateng.  E a um elenco capaz de rodar, composto por nomes como Luiz Gustavo, Shaqiri, Javi Martínez, Tymoshchuk. Tudo isso, porém, não é capaz de fazer do Bayern o melhor time do mundo. É necessário ganhar, para carimbar de vez a qualidade dessa geração e esquecer a derrota de 2011/12 para o Chelsea, que deve ter sido bem difícil de ser digerida. Mas, ao que tudo indica foi superada e deve servir de lição para os próximos anos.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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