O craque veste a 39

Ponto de equilíbrio, referência no meio, motorzinho. Expressões que no futebol podem ter significados parecidos ou diferentes, dependendo do contexto em que forem ditas e de quem forem os personagens envolvidos. Usadas para caracterizar jogadores mais cerebrais, no primeiro caso, com poder de liderança técnica no segundo, ou dinâmicos no terceiro, todas elas se aplicam a um nome que vem fazendo uma temporada espetacular, embora pouco reconhecida até aqui. Trata-se de Toni Kroos, do Bayern Munique, jogador mais importante do time bávaro nessa primeira metade da temporada.
É possível que Kroos não seja o melhor do time em nenhum aspecto. Afinal de contas, o meia de 21 anos não faz tantos gols quanto Mario Gómez, não é tão driblador e espetacular quanto Frank Ribéry ou Arjen Robben, não lidera o time no meio como o machucado Bastian Schweinsteiger e não chega ao ataque com tanta agressividade quanto Thomas Müller. Os mais apressados, ao ver a temporada passada, chegaram a vaticinar que ele jamais seria o craque que aparentou ser no Mundial Sub-17 de 2007, quando levou uma limitada Alemanha nas costas até a terceira colocação jogando um futebol espetacular.
Pois bem, Kroos cresceu. Entre todas as opções ofensivas do time, é o único que sabe atuar em praticamente todas as funções no meio-campo, com igual eficiência. Seja como segundo volante, ou meia centralizado, ou mesmo extremo pela esquerda, quando Ribéry não pode atuar. “Ah, mas isso faz dele um coringa, e coringas geralmente são reservas quando todo o time joga, certo?”, errado. Envergando a camisa 39, o meia já era titular, antes mesmo da lesão de Robben. Havia barrado o irregular, mas badaladíssimo Thomas Müller dentro de campo, jogando bola e mostrando que pode ser realmente importante para o time.
Dentro de campo, Kroos é praticamente um líder silencioso. Após a lesão de Schweinsteiger, virou segundo volante e é o condutor do time no meio. Extremamente técnico, carimba quase todas as jogadas ofensivas da equipe, participando da saída de bola, aparecendo no ataque para tabelar e fazendo os costumeiros lançamentos preciosos, um dos pontos fortes de seu jogo, além de chutar bem de fora da área. Mais do que isso, é o responsável pelas bolas paradas do time e leva perigo frequentemente aos adversários cobrando escanteios ou faltas próximas à área com muita precisão.
Os números atestam esse crescimento. Ao todo, Kroos já fez dois gols e deu nove assistências na temporada, sendo quatro na Liga dos Campeões, competição onde tem sido ainda mais importante do que na Bundesliga e da qual figura na lista dos melhores jogadores até o momento. Atuando como meia centralizado na maioria das vezes, fez um partidaço na vitória por 3 a 2 sobre o Napoli em Munique, além de ter sido importante nos triunfos sobre Manchester City e Villarreal, determinantes para a classificação dos bávaros no primeiro lugar da chave com 13 pontos ganhos. Além disso, o meia ganhou espaço na seleção alemã e teve papel determinante em várias partidas, como no amistoso contra o Brasil, em que sofreu um pênalti e fez uma assistência na vitória alemã por 3 a 2 e só não foi o melhor em campo porque Mario Götze também estava em ação.
As explicações para esse crescimento passam, certamente, pela efetivação de Jupp Heynckes no comando técnico da equipe. Experiente, Heynckes é a antítese de seu antecessor, Louis van Gaal, e não se comporta como uma Primadona, ouvindo os jogadores e buscando o melhor rendimento de cada um sem imposições absolutas. Quando chegou ao Bayern, notou que Kroos estava acima do peso e pediu ao jogador, que já havia sido seu comandado no Bayer Leverkusen, para que ele fizesse um regime. Foi atendido, e a recompensa tem sido vista dentro das quatro linhas, com o já citado desempenho.
Aos bávaros, fica a certeza de que o investimento feito para tirar Kroos do Hamsa Rostock, quando o meia tinha apenas 16 anos e já prometia muito, terá o seu retorno futebolístico. Afinal, o ex-12° jogador da equipe em 2010/11 tornou-se titular e, como costuma se contundir muito menos que os companheiros, a tendência é que tenha cada vez mais minutos em campo e, consequentemente, espaço para crescer ainda mais. Melhor para o futebol alemão, que agora tem mais uma jovem e excelente opção para o meio-campo da seleção, e não apenas mais um garoto promissor, como foi na Copa do Mundo de 2010.
Para onde vai Rene Adler?
Da titularidade na seleção alemã à reserva no Bayer Leverkusen em um ano. Essa é a trajetória de Rene Adler, goleiro mais cobiçado no momento no país. Jogador com um histórico de contusões diretamente proporcional ao talento que mostra debaixo das traves, Adler já foi sondado no Schalke 04 e no Hamburg, clubes que encontram dificuldades na posição, e poderá assinar contrato com uma das duas equipes durante a janela de transferências de inverno. Os Aspirinas, contentes com Bernd Leno e ávidos para fazer caixa, não colocariam muitos obstáculos para a realização do negócio.
Outra possibilidade é uma transferência para o exterior. Adler certamente cairia bem em equipes como o Milan, que há anos sofre com a instabilidade de Christian Abbiati, ou mesmo no Manchester City, como sombra para o já contestado Joe Hart, que falhou em momentos importantes na Liga dos Campeões. De qualquer forma, é inegável que ele teve uma queda brusca na carreira.
Há vida sem Götze no Dortmund?
Mario Götze está machucado e ficará de fora da última rodada do primeiro turno da Bundesliga, quando o Borussia Dortmund enfrenta o Freiburg, e o problema é mais sério do que parece, mesmo que o adversário seja fraco. O Wunderkind não começou atuando em três partidas da temporada atual, e os pretos-amarelos não venceram nenhuma. Pior: perderam uma delas para o Hertha Berlim em casa, e outra para o Hennover 96 quando pareciam com o jogo ganho. Resultados que fazem falta na briga contra o Bayern Munique pelo título.
No domingo passado, Götze entrou no segundo tempo do empate por 1 a 1. Botou uma bola na trave com um belo chute da entrada da área, mas voltou a sentir a lesão que o tirou do início da partida. A pausa de inverno, portanto, vem em boa hora para os comandados de Jürgen Klopp, que poderão contar com seu principal jogador já no início do segundo turno.



