Futebol alemão

Nagelsmann elogia vitória após péssima sequência da Alemanha

Nagelsmann falou sobre sua estreia à frente da seleção alemã e também sobre seus objetivos rumo à Euro 2024 realizada no país

Julian Nagelsmann inaugurou sua trajetória à frente da seleção da Alemanha com uma boa vitória. O Nationalelf derrotou os Estados Unidos por 3 a 1, numa partida na qual saiu em desvantagem, mas teve qualidade para buscar a virada. Os alemães tiveram uma postura dominante e contaram com boas combinações entre seus talentos. O suficiente para que os jogadores recebessem rasgados elogios do treinador, num momento em que os germânicos tentam se recuperar de uma sequência péssima – que levou à demissão de Hansi Flick, mas vem desde o final da passagem de Joachim Löw.

A Alemanha soma a segunda vitória consecutiva, depois de uma sequência de cinco partidas sem vencer. A série horrível, com direito à inapelável goleada do Japão em seu final, foi a gota d’água para o trabalho ruim realizado por Hansi Flick. Rudi Völler colocou panos quentes como interino e conseguiu o triunfo sobre a França na última Data Fifa. Agora Nagelsmann inicia o novo ciclo, com um resultado imponente diante dos Estados Unidos e ainda um compromisso diante do México na próxima terça-feira.

A análise de Nagelsmann

“Em primeiro lugar, queria dar os parabéns ao time. Acho que, especialmente depois dos últimos meses, para sair atrás no placar e buscar a virada desta forma, os rapazes jogaram muito bem. No primeiro tempo não tivemos muitas chances e não conseguimos penetrar na defesa deles tão bem. Também há algumas questões individuais, o que é completamente normal. Ainda temos que melhorar. Mas, no geral, o futebol que apresentamos foi muito bom. Merecemos a vitória”, apontou Nagelsmann.

O treinador viu a seleção da Alemanha um tanto quanto ansiosa pelo resultado. Para tanto, a conversa nos vestiários foi importante: “Tive a sensação de que, no primeiro tempo, queríamos tentar resolver a partida muito cedo. Tentamos jogar com risco em quase todas as situações e perdemos demais a bola. No segundo tempo, ainda atuamos num ritmo alto, mas com mais paciência. Essa foi a diferença”.

Nagelsmann conseguiu formar um time equilibrado da Alemanha. A trinca de meias composta por Florian Wirtz, Jamal Musiala e Leroy Sané possui muita qualidade, enquanto Niclas Füllkrug é um centroavante mais típico. Ilkay Gündogan e Pascal Gross eram jogadores versáteis na cabeça de área. Já na defesa, Antonio Rüdiger e Mats Hummels formavam uma parceria complementar, assim como Jonathan Tah e Robin Gosens nas laterais. Marc-André ter Stegen hoje é intocável no gol.

Um jogador que mereceu elogios de Nagelsmann foi Pascal Gross. O volante do Brighton ganha espaço na seleção e foi titular diante da ausência de Joshua Kimmich: “Pascal se saiu muito bem, ele tem um ótimo treinador no Brighton, que acrescenta muito ao seu jogo. Pascal é muito inteligente, corajoso e tem um bom contra-ataque. Pode jogar em muitas posições. Ele ficou um pouco fora do radar na Alemanha, mas é especial para seleção, está empolgado de poder jogar. É um jogador muito inteligente”.

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A ambição na Euro 2024 em casa

Questionado sobre os objetivos da Alemanha rumo à Eurocopa, Julian Nagelsmann obviamente não descarta a ambição de buscar o título dentro de casa. Mesmo assim, vê como um saldo positivo um bom futebol apresentado, mesmo se o troféu não vier. De certa maneira, é um paralelo com o que ocorreu na Copa do Mundo de 2006, realizada também pelo país, com uma campanha festejada até as semifinais.

“É normal você querer vencer um torneio quando participa. Queremos ganhar a Eurocopa, mas um bom resultado não se limita a ganhar – talvez se chegarmos à semifinal ou às quartas ou qualquer coisa, mas jogando um futebol brilhante e todo o país ficar orgulhoso de nós. Isso também poderá ser um sucesso. Não é fácil prever o que acontecerá no momento, mas qualquer time quer vencer a competição”, analisou.

Nagelsmann também voltou a falar sobre a passagem pelo Bayern de Munique. E disse que os problemas do passado auxiliarão no aprendizado atual: “Tive tempo para refletir e para pensar sobre o que aconteceu no Bayern. Sei que cometi alguns erros e também sei que fiz coisas boas. É assim que acontece na vida, você precisa melhorar como os jogadores. É importante cometer alguns erros, mas também é importante não repetir esses erros. Meu trabalho agora é fazer de novo as coisas boas que fiz no Bayern e não repetir os erros”

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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