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Milan, Boateng, Matri e a velha teoria do cobertor curto

De repente, numa sexta-feira pacata, o Milan resolve duas negociações de impacto no mercado. De uma só vez, a equipe italiana resolveu vender Boateng ao Schalke e trazer Matri da Juventus como uma opção para o ataque. Troca? De jeito nenhum.

Além do óbvio que eles não são da mesma posição, isso também é um indicativo de que o Milan está atrás de uma nova peça para armar o jogo.

O desejo de Adriano Galliani é contar com Honda, o que ele admitiu em entrevista oficial ao site do clube, comentando sobre a chegada de Matri e a saída de Kevin-Prince.

Afastando os boatos de que Kaká estaria de volta ao mesmo tempo em que o japonês, Galliani disse que a negociação com o Schalke para a saída do ganense foi rápida e deixou todas as partes satisfeitas. O valor? €12 milhões, uma pechincha pelo meia que é um dos destaques do elenco milanista. O detalhe é que Matri chegou exatamente pela mesma quantia embolsada de €12 milhões. Boateng também vinha jogando de atacante, mas é essencialmente alguém que é responsável pela armação de jogadas, o que faz soar estranho a busca por um homem que sirva para o ataque.

Anos atrás isso seria impensável, já que o Milan se colocaria na posição de procurar um grande nome para jogar junto com Boateng, não vendê-lo na primeira proposta e se mobilizar para encontrar um substituto. Sendo assim, ao invés de manter os dois, os rossoneri preferiram gastar os mesmos 12 milhões que receberam do Schalke para comprar um atacante, sanando um problema e deixando outro sem solução.

Se considerarmos que Matri será titular, ao menos pelo que apresentou na última temporada, foi um movimento apenas comum por parte do Milan. Se trata de um homem de referência e que joga dentro da área. O atacante fez 35 partidas e apenas 10 gols pela Juventus em 2012-13, dentro de sua média na equipe bianconera. Soa mais uma pedida de Massimiliano Allegri, com quem Matri conviveu nos seus tempos de Cagliari.

É cedo para avaliar se os rossoneri ganharam ou perderam com as duas negociações. A verdade é que o comportamento do clube no mercado gerou a famosa situação do cobertor curto. Para quem não quer passar frio neste longo inverno da Serie A em que a Juventus chega tão forte, é bom investir em algo que cubra as mãos e os pés. A solução imediata é gastar dinheiro e trazer mais uma peça além do próprio Honda. Ou o sofrimento será tendência em Milanello.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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