Alemanha

Mais do que meio time

No futebol, é comum usarmos a expressão “fulano é meio time”, para designar a importância do jogador para a equipe. Também é frequente ouvirmos a expressão “tal time é cicrano e mais dez”, com o mesmo sentindo, atribuindo a titularidade garantida a determinado atleta. Ambos os casos se aplicam a Papiss Cissé, atacante senegalês do Freiburg e assunto principal desta semana, que está no topo da tabela de artilheiros da Bundesliga junto com Mario Gómez, do Bayern Munique.

Autor de 15 gols em 18 partidas – mais da metade dos 29 marcados pelo clube até aqui no campeonato -, Cissé manda prender e soltar no ataque da equipe comandada por Robin Dutt, que atualmente ocupa a sexta posição na Bundesliga. É, no momento, um dos atacantes mais cobiçados do futebol alemão e dificilmente permanecerá em Freiburg na próxima temporada se mantiver o desempenho atual. O Fulham já teria oferecido €6 milhões para contar com os serviços dele em 2011/12, e a tendência é que a oferta aumente, pois outros times podem entrar na disputa.

A evolução do atacante, que começou a carreira no Douanes, clube de seu país, e passou quatro anos no Metz disputando a Ligue 2 – chegou a ser emprestado duas vezes – é surpreendente. Depois de brilhar na segunda divisão francesa com 15 gols em 2008/09 e oito no primeiro turno de 2009/10, ele chegou à Alemanha no fim de 2009, sem muito alarde. Em 16 jogos, balançou as redes adversárias seis vezes e ajudou a salvar os Brasilianer do rebaixamento apenas nas últimas rodadas. Poucos, no entanto, apostavam em algo melhor na temporada seguinte.

O Freiburg era candidato natural à degola no início da temporada, e não apresentava grandes contratações. A saída de Mohamadou Idrissou, parceiro de Cissé na temporada passada, indicava um enfraquecimento, bem como a ida do sul-coreano Cha Du-Ri para o Glasgow Celtic. Cissé tratou de mudar isso. Atuando na maioria das vezes como atacante isolado no 4-1-4-1 montado por Dutt, é o responsável por dar sequência aos contragolpes e concluir em gol as poucas jogadas criadas pelo meio-campo da equipe, que se destaca pela velocidade e solidez defensiva.

Os números atestam a competência do senegalês: os 15 gols dele garantiram ao Freiburg 18 dos 33 pontos que a equipe somou até aqui, decidindo diversas partidas em momentos fundamentais. O oportunismo de Cissé fez com que a equipe empatasse apenas três jogos, o que é importante em um campeonato de pontos corridos e faz com que o time, mesmo tendo um ataque pouco eficiente, consiga manter-se na parte superior da tabela.

Dentro de campo, trata-se de um atacante rápido, forte fisicamente, oportunista, que chuta com os dois pés e não precisa preparar muito o corpo para finalizar com perigo. Fora da área, não chega a ser um primor, embora não seja propriamente um zero à esquerda com a bola nos pés e consiga arquitetar, esporadicamente, tabelas perigosas com os meias que encostam no ataque. Além disso, tem se mostrado um cobrador de pênaltis extremamente confiável.

Além de Cissé e dos poucos empates, a boa campanha do Freiburg também pode ser explicada pela possibilidade que Robin Dutt teve de repetir diversas vezes a mesma escalação, sobretudo no setor defensivo. O bom goleiro Oliver Baumann, de apenas 20 anos, se consolida cada vez mais como titular e é protegido pelos experientes zagueiros Heiko Butscher, capitão do time, e Oliver Barth. Nas laterais, figuram os eficientes Mensur Mujdza e Felix Bastians.

Todos eles contam com a cobertura do “cão de guarda” Julian Schuster, que, além de proteger os zagueiros, comanda a saída de bola do time. Na segunda linha de quatro, há uma rotatividade grande entre Maximilian Nicu, Anton Putsila, Cedric Makiadi, Jan Rosenthal, Daniel Caliguri e Yacine Abdessadki, todos ocupando bem os espaços e exibindo muita disciplina tática, requisito que tem sido fundamental para a boa campanha até aqui.

No Kagawa, no problem

No último sábado Borussia Dortmund ignorou qualquer eventual abalo com a confirmação da ausência de Shinji Kagawa e fez 3 a 0 no Wolfsburg, fora de casa, sem muitas dificuldades. O destaque absoluto da partida foi, mais uma vez, Nuri Sahin, que estraçalhou com a defesa dos Lobos: fez o segundo gol, deu o passe para o terceiro e iniciou a jogada do primeiro. Mario Götze, alternando o meio com o lado direito, também brilhou, com duas assistências. Lucas Barrios e Mats Hummels fecharam a conta.

Com o resultado, os aurinegros chegam a 50 pontos e, se fizerem mais 20 nos próximos 14 jogos, já igualam a campanha vencedora do Bayern Munique em 2009/10. Os bávaros, que venceram o Werder Bremen de virada por 3 a 1, estão na terceira posição com 36 pontos, três a menos que o vice-líder Bayer Leverkusen, que derrotou o Hannover 96 por 2 a 0. O Mainz 05, que venceu o clássico do sudoeste contra o Kaiserslautern, é o quarto colocado.

O Dortmund pega, neste fim de semana, o Schalke 04, no clássico de maior rivalidade do futebol alemão. Os ingressos para o jogo, que será disputado no Signal Iduna Park, já estão esgotados desde a semana passada. A expectativa por uma vitória sobre o rival é tanta e o clima de confiança no elenco é imenso, a ponto de Kevin Grosskreutz ter declarado que o time não irá perder mais nenhuma partida até o fim do campeonato.

Na parte debaixo da tabela, destaque para a vitória fora de casa por 1 a 0 do Borussia Mönchengladbach sobre o Eintracht Frankfurt. O Stuttgart, que indicava uma recuperação, foi derrotado em casa pelo Freiburg, e o Köln foi arrasado pelo St. Pauli por 3 a 0. Tudo indica que Werder Bremen e Kaiserslautern, que já despencam na classificação há algum tempo, entrarão na disputa para não cair nas próximas rodadas.

Thomas Müller sob fogo amigo e inimigo

A 20ª rodada da Bundesliga foi intensa para Thomas Müller, do Bayern Munique. O atacante levou um soco na cara de seu próprio companheiro Arjen Robben, numa discussão de jogo, e foi atingido por uma voadora criminosa do goleiro Tim Wiese, do Werder Bremen. Pela agressão, Wiese foi expulso e suspenso por três partidas e desfalcará um Werder Bremen que se esforça arduamente para ser rebaixado. A última medida que parece ter sido tomada com essa intenção foi a contratação de Samuel, zagueiro que era reserva do Joinville e provoca calafrios na torcida do São Paulo só em ter o nome pronunciado.

O Schalke 04, inspirado pelo sucesso de Raúl, resolveu ousar: trouxe o iraniano Ali Karimi, que teve uma passagem pelo Bayern Munique entre 2005 e 2007. Ele chega para herdar a camisa 10 de Ivan Rakitic, que foi para o Sevilla, e conta com o respaldo de Felix Magath, que foi seu técnico quando ele atuava nos bávaros. Outro que chega é o grego Angelos Charisteas, que estava atuando no Arles, virtual rebaixado da Ligue 1, e provavelmente será o reserva de Huntelaar.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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