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Kahn teme que a Bundesliga se torne monótona

O título do Bayern Munique na Bundesliga 2012/13 veio acompanhado de uma série de recordes. Campeões com maior antecedência em 50 anos da liga, os bávaros podem arrebatar outras marcas históricas, como maior número de vitórias, maior quantidade de pontos, melhor ataque e melhor defesa. Uma supremacia que começa a causar preocupação.

Ex-goleiro do clube, Oliver Kahn teme que a predominância de Bayern e Borussia Dortmund se torne praxe na Bundesliga. Na temporada passada, os aurinegros levantaram a Salva de Prata com duas rodadas de antecedência, assim como já haviam feito na temporada anterior.

“Um dos elementos mais atrativos é a imprevisibilidade dos resultados. A tensão e a empolgação sobre como os jogos irão se desenvolver nos fascina. Sem esse elemento, o futebol é bem menos atrativo”, declarou o ex-goleiro, em entrevista ao jornal Bild. Ao lado de Mehmet Scholl, Kahn é o jogador com mais títulos na história da Bundesliga, com oito conquistas.

A última temporada em que o título da Bundesliga foi decidido na rodada final foi a de 2009/10, quando Bayern e Schalke 04 chegaram à última partida vivos na competição. No ano anterior, Wolfsburg, Bayern, Stuttgart e Hertha Berlim disputaram a taça na 34ª rodada. Nas últimas dez edições da competição, em três a definição ficou guardada para os instantes finais.

O veterano também apontou caminhos para um aumento de equilíbrio na Bundesliga: “A atual diferença entre os melhores times, Bayern e Dortmund, e os outros tende a aumentar no futuro. A estrutura atual da Bundesliga mantém o equilíbrio de poder. Uma ênfase maior na abertura de mercado, na transparência e na competição poderiam impulsionar o futebol alemão sem a perda da identidade”.

Obviamente, as distâncias estabelecidas por Bayern e Dortmund nas últimas temporadas foram muito grandes em relação à concorrência. Kahn, no entanto, não pode classificar a situação como nova. Ao menos na distribuição do dinheiro da televisão, a Bundesliga possui um dos sistemas mais equilibrados da Europa. Fica difícil apontar que uma mera abertura de mercado e “transparência” (o que já existir no país) ajudariam a competitividade.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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