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Jornal acusa St. Pauli de virar as costas aos refugiados e acaba tomando uma invertida

O jornal alemão Bild tentou colocar seus leitores contra o St. Pauli, mas o tiro acabou saindo pela culatra de maneira espetacular. Em parceria com a Bundesliga e a Hermes, patrocinadora da competição, o periódico lançou uma campanha para que todos os times das duas primeiras divisões alemãs usassem uma estampa na manga em apoio aos refugiados. O clube de Hamburgo recusou, e o editor-chefe do veículo procurou vexar a equipe. Para seu azar, ninguém comprou a ideia.

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A mensagem estampada é de “refugiados são bem-vindos – nós ajudamos”. A campanha em si não tem nada de errado, mas ela tem sido alvo de críticas por causa do questionamento dos interesses por trás de sua promoção. Há pessoas que questionam a postura do Bild, um periódico tradicionalmente de direita que apenas recentemente mudou seu posicionamento em relação aos refugiados, nesta empreitada, e a atitude de Kai Diekmann, editor-chefe do veículo, apenas aumentou essa rejeição. Em sua conta pessoal no Twitter, Diekmann escreveu: “Sem coração para os refugiados. Que vergonha, St. Pauli! O St. Pauli está boicotando a(campanha) ‘We help’”.

Ao saber do comentário do editor do jornal, o St. Pauli publicou um comunicado oficial em seu site, explicando sua ausência na campanha e lembrando que há um bom tempo já tem contribuído com a causa dos refugiados, como no amistoso recentemente promovido com o Borussia Dortmund, que deu bastante exposição e levantou dinheiro para a causa. “Damos apoio prático e ajuda direta onde ela é necessária”, dizia um trecho do comunicado.

O clube não precisou escrever muito mais do que isso, e a movimentação contra o Bild já começou na Alemanha, com a criação da hashtag #BILDnotwelcome, que se espalhou rapidamente entre os alemães. Alguns deles até mesmo pedindo que seus clubes do coração também se retirassem da campanha promovida pelo jornal.

É verdade que não faria mal algum o St. Pauli entrar na ação como todos os outros 35 times das duas primeiras divisões, e a impressão é de que decidiu não participar apenas para manter a imagem de clube que vai contra tudo o que há de estabelecido, até mesmo em casos singulares como esse. Mas a baixeza do editor-chefe do Bild, de tentar distorcer uma situação para prejudicar a imagem de um clube que faz constantemente tantas coisas por causas sociais, foi demais para seus próprios leitores engolirem. Se há agora uma tentativa de boicote, é contra o próprio periódico.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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