Guardiola não tem medo de correr riscos e vê Douglas Costa decidir para o Bayern
Ver um jogo do Bayern de Munique é muitas vezes é como montar um quebra-cabeça. As escalações muitas vezes não dizem claramente o que se verá em campo. Os jogadores são versáteis e podem atuar em mais de uma posição. E, mesmo em situações difíceis, Pep Guardiola não parece ter medo de arriscar. O jogo deste sábado contra o Hoffenheim deixou isso claro. O técnico fez a sua parte, tentou e arriscou. Poderia muito bem ter perdido o jogo e passou perto disso. O seu time venceu, não só pela sua ousadia, mas porque teve uma atuação decisiva de Douglas Costa.
LEIA TAMBÉM: Contra as corporações, St. Pauli recusa-se a publicar o logotipo do RB Leipzig em seu site
Antes que o Bayern pudesse pensar, o Hoffenheim abriu o placar em uma falha de Alaba. Na saída de bola, o lateral esquerdo do time bávaro recebeu e tocou errado a bola no meio. O atacante Kevin Volland aproveitou e mandou para a rede. Um gol relâmpago, aos sete segundos, e que deixaria o time em uma posição muito mais confortável. Ao menos em parte.
Na escalação, não havia um centroavante no Bayern. Quem, no começo, começou atuando por ali foi Mario Götze. Não funcionou bem. Com o passar dos minutos, foi Thomas Müller que acabou assumindo um posicionamento como o jogador mais avançado do time. Como é característico nos times de Guardiola, o jogador mais centralizado no ataque não serve apenas como referência e para esperar a bola para finalizar.
Aos 34 minutos, Müller acertou uma bola na trave. O gol se aproximava. Mas, antes disso, o Guardiola mostrou um pouco da sua ousadia. Controlando a partida e morando no campo de ataque adversário, ele colocou o lateral Rafinha no lugar de Medhi Benatia e armou uma linha defensiva com só três jogadores: Rafinha pela direita, Boateng pelo meio e Alaba pela esquerda. Dos três, só Boateng é zagueiro central. Os outros dois são laterais. O técnico abriu mão de um jogador em campo só para defender para controlar ainda mais o jogo. Ou ao menos tentar assim.
Müller é um jogador que participa muito do jogo, mas foi posicionado como centroavante que ele abriu o placar. Douglas Costa, atuando aberto pelo lado esquerdo, fez a jogada como ponta e chutou, o goleiro rebateu e Müller, de joelho, colocou na rede. O gol ajudou o Bayern a ter o controle do jogo.
No segundo tempo, a bola na trave de Arturo Vidal aos 21 minutos deu a impressão que as coisas se acertariam logo. Guardiola abriu mão de Philipp Lahm, que atuava como volante neste momento, para colocar em campo o centroavante Robert Lewandowski, aos 22 minutos. A formação passou a ser um ousado 3-4-3. Veio então uma complicação grande. Bola perdida no meio, que rendeu uma falta. Na cobrança, Boateng subiu com o braço no alto e o árbitro marcou o pênalti. Além disso, deu cartão amarelo para o zagueiro, que já estava pendurado. Foi, então, expulso de campo e deixou o time bávaro sem qualquer zagueiro. Àquela altura, não havia mais substituições disponíveis. Além da entrada da Rafinha no primeiro tempo e de Lewandowski no lugar de Lahm, Thiago Alcantara já tinha substituído Robben.
Tinha tudo para desandar. Xabi Alonso seria deslocado para a zaga, ao lado de dois laterais. O Bayern ficaria um gol atrás, precisando de, agora, dois gols para virar e um jogador a menos para isso. Só que Polanski, o encarregado pela cobrança, chutou a bola na trave (e o goleiro Manuel Neuer quase pegou). Tudo ficou como estava, ao menos no placar.
Depois da saída de Robben, substituído, Douglas Costa foi deslocado para o lado direito. Foi novamente em uma jogada como ponta que ele criou a jogada do segundo gol. Ele partiu para cima da marcação, deixou o marcador para trás e cruzou rasteiro para Lewandowski, que entrou no segundo tempo, marcar o gol da vitória, já no final do jogo, aos 45 minutos. Um gol salvador nos acréscimos.
Em um momento que vemos tantos técnicos serem questionados no Brasil por suas invenções, como foi o caso de Juan Carlos Osorio, do São Paulo, é bom ver que aquele que é um dos mais incensados técnicos do mundo também se propõe a correr riscos. Em uma situação normal, o Bayern sempre será favorito e deve ganhar quase todos os jogos que fizer com o Hoffenheim. Guardiola foi ousado e poderia ter perdido pontos. Ficou bem perto disso no momento do pênalti. A ousadia teria custado caro. Teve um pouco de sorte, mas conseguiu manter o controle do jogo e arrancou o gol da vitória graças, novamente, a uma boa jogada individual de Douglas Costa. O jeito de jogar de Guardiola corre riscos, que às vezes cobram um preço. Mas ele segue fazendo isso. Porque acredita. Talvez seja onde mais ele se aproxima do seu mentor, Marcelo Bielsa. O argentino não é chamado de “El Loco” por acaso.



