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Guardiola conhece o Mundial e sabe que final é outra história

Não foi nada além do esperado. Com sobras, o Bayern de Munique se garantiu na final do Mundial de Clubes. O Guangzhou Evergrande chegou a dar trabalho aos bávaros, especialmente na defesa. Entretanto, bastou que Franck Ribéry abrisse a porteira para que a vitória fosse estabelecida: 3 a 0 no placar em Agadir, até barato pela quantidade de chances que os campeões europeus criaram durante o jogo.

Foi suficiente para passar pelo primeiro obstáculo, mas que pode trazer problemas diante de um desafio maior na decisão. Pep Guardiola, aliás, bem sabe disso, já tarimbado pela competição internacional. Como jogador, foi derrotado pelo São Paulo no Mundial Interclubes de 1992. Já no papel de técnico, teve trabalho para bater o Estudiantes em 2009, enquanto goleou o Santos dois anos depois. Viajou ao Marrocos para seu terceiro título no torneio, para a quinta taça dos bávaros no ano.

Sem enfrentar viagem longa ou mudança brusca de fuso horário, o Guardiola realizou poucas mudanças em seu time titular. Dentre os nomes disponíveis que normalmente começam os jogos, apenas Thomas Müller e Dante ficaram no banco. E o melhor do Bayern jogou como sempre: posse de bola, pressão na saída dos adversários e velocidade na saída pelas pontas. Ainda assim, a fórmula que rendeu 22 vitórias em 27 jogos nesta temporada, demorou a funcionar no Marrocos.

Afinal, por mais que o Guangzhou tenha um elenco limitado, ele conta com um grande técnico. Marcello Lippi não levantou uma Copa do Mundo à toa. E seu bem montado time soube muito bem frear o gás inicial do Bayern. Se defendendo com 11, o campeão asiático também assustava nos contra-ataques, puxados pelo bom trio formado por Muriqui, Darío Conca e Elkeson. Porém, as finalizações eram todas dos alemães, que abriram a contagem depois de 40 minutos, com Ribéry – e uma ajuda providencial do goleiro Zeng.

Depois disso, o Bayern ampliou a diferença logo em seguida, com Mario Mandzukic. E nem deu tempo para uma reação chinesa no início do segundo tempo, balançando as redes com Mario Götze. No restante do tempo, o que se seguiu foi um grande coletivo. Os bávaros trocavam passes sem tanto interesse e não pensavam duas vezes ao arriscar de fora da área. Ao todo, foram 27 finalizações dos europeus, cinco delas tocando a trave.

O Guangzhou pode se sentir orgulhoso do resultado. O placar foi moderado e o time tem força para ficar ao menos com o bronze no Mundial. O Bayern, por sua vez, deverá mudar sua postura. Guardiola sabe que jogar para o gasto não basta para ficar com a taça. É preciso ter seriedade e, sobretudo, vontade. Se não for assim, repetindo o desinteresse da semifinal, o Atlético Mineiro e Raja Casablanca já podem alimentar suas esperanças. Vencer um jogo-treino é muito mais fácil do que uma final de campeonato.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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