Alemanha

E o prêmio vai para…

A Bundesliga é um dos campeonatos mais financeiramente saudáveis do planeta e merece muitos elogios por isso. A sobriedade da administração dos clubes com investimentos realistas e o preço acessível do ingresso também são coisas dignas de aplausos. Alguns clubes, porém, capricham na fanfarronice. Mesmo com um bom dinheiro em caixa, não conseguem fortalecer as equipes nas quais trabalham e torram tudo com contratações medíocres, algumas risíveis. É caso, em especial, de Hamburg, Wolfsburg e Werder Bremen.

O Hamburg se supera a cada ano com a capacidade de mudar de filosofia como quem muda de roupa. Em 2010/11, o time apostou em diversos veteranos como Zé Roberto e Van Nilsterooy, o que obviamente não deu certo. Tudo, obviamente, se desfez em um passe de mágica. Os dois supracitados foram embora, assim como o meio-campista Piotr Trochowski, outrora principal jogador da equipe, que caiu muito de produção nos últimos tempos. Outro que fez as malas foi ­­­­o sobrevalorizado winger Jonathan Pitroipa, típico jogador ciscador e pouco efetivo, que acertou sua ida para o Rennes nesta quinta-feira.

As saídas parecem até naturais para um time que foi mal na temporada pasada, mas as contratações até aqui são preocupantes, para não dizer ridículas. Com o novo diretor Frank Arnesen, ex-Chelsea, o Hamburg trouxe até agora quatro jogadores da base dos Blues: Michael Mancienne, Jacopo Sala, Gökhan Töre e Jeffrey Bruma. O primeiro já provou que não é nada mais do que um jogador comum, enquanto os outros três possuem pouquíssima experiência nos profissionais. Parece, à primeira vista, um risco desnecessário, mesmo que jogadores como Heiko Westermann, Marcell Jansen, Denis Aogo e Mladen Petric, além de Eljero Elia, possam ajudar. Parece pouco, no entanto, para quem pretende o título da Bundesliga.

O Wolfsburg, por sua vez, cometeu o erro quase infantil de achar que aquele time campeão alemão de 2008/09 era bom o suficiente para se manter no topo. Não era. Alguns jogadores, como Josué, envelheceram e perderam o ímpeto. Outros, como Grafite, não fizeram mais tantos gols. Misimovic e Dzeko foram embora e Diego, contratado como grande esperança, decepcionou. Até aí tudo bem, a história já foi contada, o time quase foi rebaixado e precisou chamar Felix Magath para apagar o incêndio dentro do elenco. O problema é a reformulação que está sendo feita.

O clube disse que queria se renovar, contratar novos jogadores. Fez isso em pequena escala até agora, com o polonês Mateusz Klich e com o sul-coreano Koo Já-Cheol, mas ainda precisa de outros bons nomes. Nesta segunda-feira, os Lobos anunciaram o acerto com Hasan Salihamidzic, da Juventus. Tudo bem que o meio-campista bósnio seja um vencedor e tenha conquistado diversos títulos pelo Bayern Munique, mas em um setor que já conta com a experiência de Josué, fica a impressão de que o time poderá perder em velocidade e força física, o que não é nem um pouco interessante, sobretudo na Bundesliga.

No caso do Werder Bremen, a fanfarronice é mais discreta. O clube manteve o técnico Thomas Schaaf e o diretor de futebol Klaus Allofs, mas sofre com a falta de reposições no elenco. A contratação de Mehmet Ekici junto ao Bayern Munique foi uma bola dentro, mas tudo leva a crer que o time continuará apostando em nomes como Marko Arnautovic e Sandro Wagner no ataque e, caso não haja uma mutação genética nos dois, a ineficiência do setor seguirá saltando aos olhos de qualquer um que tenha noção do que é um jogo de futebol.

A defesa poderá ser completamente fragmentada, com as iminentes saídas de Tim Wiese e Per Mertesacker, colocados em “liquidação” pela diretoria. Naldo, retornando de lesão, é uma incógnita, e o que poderia voltar a ser sólido se desmancha no ar antes do início da temporada. A vinda de Andreas Wölf, do Nürnberg, ameniza um pouco o problema, mas só um pouco.

Além disso, somente com a saída de Torsten Frings iremos descobrir a real importância dele com o time, que perde em liderança, mas poderá ganhar em dinamismo, sobretudo se Wesley for o escolhido para substituí-lo. As outras possibilidades são Philipp Bagfrede e Tim Borowski, o que indica que, se o ex-santista não jogar bola, os Verdes terão que investir na contratação de alguém.

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Equipe Trivela

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