Alemanha

Draxler assina bela carta agradecendo aos torcedores russos pela Copa das Confederações

Julian Draxler está distante de ser o jogador mais velho da seleção alemã que disputa a Copa das Confederações. Entretanto, poucos possuem a sua tarimba, de quem esteve presente na conquista da Copa do Mundo de 2014 e também foi titular na Euro 2016. Não à toa, o meia de 23 anos recebeu a braçadeira de Joachim Löw. E, elogiado pelos companheiros por sua liderança, faz sua figura se destacar além do elenco. Às vésperas da decisão contra o Chile, o jovem assinou uma carta publicada no site da federação alemã, elogiando a organização do torneio e agradecendo a hospitalidade dos anfitriões russos. Como aconteceu no Brasil há dois anos, os germânicos oferecem uma enorme mostra de empatia – algo que também sobrou quando organizaram o Mundial, em 2006.

Não dá para dizer até que ponto Draxler escreveu a carta, assim como sobra diplomacia em seu conteúdo – especialmente diante das muitas críticas que a Rússia sofreu nas últimas semanas, nos mais diferentes aspectos, da intolerância à falta de segurança, das falhas na organização às denúncias de escravidão na construção dos estádios, da corrupção aos escândalos de doping. Entretanto, a postura do capitão em assumir a autoria e (aparentemente) destacar suas experiências pessoais representa bem o espírito da seleção alemã que vai além das partidas. O Nationalelf não continua apenas conquistando ótimos resultados em campo, como entendeu perfeitamente a atmosfera em torno da Copa do Mundo. Compreensão que certamente ajudou o time em 2014 e ganha uma pequena amostra nesta Copa das Confederações.

Abaixo, o conteúdo da carta:

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Queridos torcedores russos,

Nós tivemos a chance de passar três semanas neste belo país e, agora, no final da Copa das Confederações, gostaríamos de expressar nossa sincera gratidão a vocês. Nós agradecemos a grande organização, a grande ajuda com tudo e o senso de segurança sempre presente. Gostaríamos de agradecer ao comitê de organização; aos funcionários nos estádios, hotéis e aeroportos; aos voluntários; e diretamente a vocês, torcedores russos.

A Copa das Confederações é considerada como um teste à Copa do Mundo. Depois de três semanas, podemos dizer que a Rússia passou perfeitamente pelo teste. Nós conhecemos muitas pessoas, na praia de Sochi e durante a visita ao Kremlin de Kazan. Esses momentos com os torcedores russos sempre foram divertidos para nós. Eu sei que há muito mais para ver na gigante Rússia. Nós pudemos apenas visitar Sochi, Kazan e São Petersburgo nesse verão. Mas amamos o que vimos. Jogamos em estádios de arquitetura impressionante. Aproveitamos os dias ensolarados na costa do Mar Negro. Vimos o quão grande é este país, 48 vezes maior do que o nosso.

Tentamos contribuir à relação entre russos e alemães além das quatro linhas. O presidente da federação e o nosso representante do comitê de diversidade, Thomas Hitzlsperger, visitaram um abrigo de crianças em Moscou. Com a doação de €17 mil, um campo de futebol será reformado.

Para mim, pessoalmente, estes foram dias especiais. Pela primeira vez, eu pude liderar a Alemanha como capitão. Aqui na Rússia, nosso jovem time cresceu junto, com paixão e disciplina. Todos os jogadores se saíram bem, dentro e fora de campo. Nosso verão na Rússia está chegando ao fim. Agora, a final em São Petersburgo está esperando por nós. Obrigado a todos. Estamos pensando em nosso retorno no verão de 2018.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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