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Dez histórias para não perder de vista no segundo turno da Bundesliga

Depois de um mês de espera, enfim, ela está de volta. A Bundesliga dá o pontapé inicial de seu segundo turno nesta sexta-feira, e recheada de bons jogos – a exemplo do Hamburgo x Bayern de Munique de hoje, ou do Dortmund x Gladbach no sábado. E, por mais que a disputa pela Salva de Prata não pareça lá das mais emocionantes, há muito a se resolver. Se o Campeonato Alemão já vale por si pelo ótimo nível técnico dos jogadores e pelas partidas movimentadas, também possui várias histórias boas para se acompanhar. Abaixo, selecionamos dez para ficar de olho na metade final da campanha. Confira:

O legado de Guardiola

O adeus já tem data marcada. Pep Guardiola anunciou que não segue no Bayern de Munique, assim como o clube contratou Carlo Ancelotti como seu substituto. Em suas duas primeiras temporadas na Allianz Arena, o catalão estraçalhou recordes na Bundesliga. Mas a sensação é de que ainda segue abaixo das expectativas, por não reconquistar a Champions. Neste momento, erguer a Salva de Prata surge como obrigação, enquanto a pressão pelo título europeu se torna maior. E isso talvez meça realmente a importância da passagem de Guardiola pela Baviera. A cobrança se tornará ainda mais comum, independente do jogo extremamente ofensivo. Se a preocupação maior é a Juventus, também não dá para perder o Borussia Dortmund, oito pontos atrás, do retrovisor.

Se o título parece encaminhado, e a Europa?

Se o Bayern de Munique convive com um contexto muito específico, o mesmo vale para o Borussia Dortmund. Obviamente, o renovado time de Thomas Tuchel mira a Salva de Prata. Mas sabe que a sua missão é quase impossível. Enquanto isso, com seis pontos de folga, não deve ter muitos problemas para voltar à Champions. Só que os aurinegros têm potencial para muito mais do que isso. E talvez precisem ponderar como vão dosar forças também com a corrida pela Liga Europa. A segunda taça do continente pode não ser o título mais prestigioso, mas cairia bem na sala de troféus do Signal Iduna Park. Um objetivo extra, que precisa se contrabalancear com os esforços que o Dortmund fará para tentar alcançar o Bayern.

A surpresa do G-4 aguenta o ritmo?

O Hertha Berlim faz uma campanha fantástica até o momento. Tido como provável figurante na parte inferior da tabela, o clube da capital surpreende em terceiro, dono da segunda melhor defesa e com três pontos de vantagem sobre o quarto colocado. Entretanto, os números do ataque não são tão impressionantes assim e os alviazuis dependeram bastante da boa fase de Salomon Kalou. Com um elenco menos qualificado do que o dos concorrentes, o Hertha precisa se esforçar bastante para manter o feito. Os berlinenses não disputam a fase de grupos da Champions desde 2000.

Quem vai se contentar com a Liga Europa

Çalhanoglu lamenta: Leverkusen não conseguiu vencer o Barcelona recheado de reservas (AP Photo/Martin Meissner)

Caso o Hertha realmente se segure no G-4, só restará uma vaga à Champions. Que deverá ser disputada à unha por vários candidatos fortes. Depois do vice-campeonato, o Wolfsburg caiu de nível consideravelmente, mas tem um bom time para se reerguer. Da mesma forma o Bayer Leverkusen, com um ataque que, não fosse Chicharito, estaria fazendo abaixo de seu potencial. Em processo de renovação, o Schalke 04 precisa se amadurecer um pouco mais coletivamente, e talvez o estouro do atual elenco só aconteça nas próximas temporadas. E se fosse para apostar? O Borussia Mönchengladbach surge como boa escolha. Após o início horrível de campanha, os Potros pegaram o embalo e venceram nove de seus últimos 12 jogos. É um time bem encaixado há algum tempo e ainda conta com Raffael voando.

A luta dos novatos depois do primeiro turno digno

Na última temporada, o Paderborn fez um início de campanha bem digno. O nanico chegou a liderar e terminou a primeira metade na 10ª colocação. Porém, após um returno desastroso, o time não fugiu do rebaixamento e atualmente corre riscos de cair também na segundona. Um destino horrível, que Darmstadt e Ingolstadt também querem escapar. A trajetória de ambos, mesmo sem tanta repercussão, foi até parecida com a do Paderborn. Mas possuem iguais desvantagens para os principais clubes do país em relação a tamanho e a dinheiro – por mais que o Ingolstadt pertença a Audi, não é alvo de grandes investimentos da empresa. Se fugirem da queda, já valerá como um título.

Desta vez um grande cai?

Enquanto isso, a expectativa se concentra sobre qual camisa pesada deixará a Bundesliga nesta temporada. Nos últimos anos, clubes como Kaiserslautern, Nuremberg e Colônia caíram. O Hamburgo passou dois anos ameaçadíssimo, mas se safou em ambos e, desta vez, não deve sofrer tanto. Enquanto isso, outros tradicionais beiram o abismo. O Hannover 96, presente na elite desde 2002, está na penúltima posição. Enquanto isso, o Stuttgart pode voltar à segundona pela primeira vez desde 1977 e o Werder Bremen corre um risco que não vivencia desde 1981. O mesmo vale para o Eintracht Frankfurt, que, no entanto, se acostumou com a gangorra desde o final da década de 1990.

A corrida pela artilharia

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O topo da tabela mais disputado desta Bundesliga é o da lista de artilheiros. Aubameyang despontou com 18 tentos em 17 rodadas, mas Lewandowski e Thomas Müller o acompanham de perto. E ainda há Chicharito, que resolveu arrancar nas últimas semanas com o Bayer Leverkusen. Os números são tão bons que dá para pensar além da briga em si. Gerd Müller permanece intocável como maior goleador em uma única edição do campeonato, diante dos 40 tentos em 1971/72. Uma marca difícil de alcançar, mas neste momento não tão impossível se o ritmo se mantiver. Um pouco mais fácil é sonhar com a Chuteira de Ouro da Europa. Mesmo com menos rodadas que as outras grandes ligas, Aubameyang aparece só atrás de Gonzalo Higuaín, com 20 gols em 20 jogos pela Serie A.

Os goleiros a se assistir

Manuel Neuer permanece como uma referência na posição. Mas a fábrica de goleiros alemães continua produzindo outros tantos nomes promissores. Para quem acompanha a Bundesliga mais de perto, falar sobre Loris Karius e Timo Horn não é nenhuma novidade. Os arqueiros do Mainz 05 e do Colônia vêm protagonizando momentos espetaculares, que não devem passar despercebidos de gigantes do país e até mesmo da Europa. Com uma vantagem clara: a idade. Ambos têm 22 anos e a experiência de pelo menos três temporadas no time titular. Segundo o site Bundesliga Fanatic, especializado em futebol alemão, ambos estão entre os cinco melhores jogadores do primeiro turno. Outros nomes a se destacar até o momento são Hitz (Augsburg), Adler (Hamburgo), Zieler (Hannover) e Sommer (Gladbach).

O que Sané pode fazer neste semestre

Durante o primeiro turno da Bundesliga, Leroy Sané se colocou como uma das principais sensações do campeonato. Muita gente já conhecia o potencial do garoto do Schalke 04. Mas, enquanto o seu time não engrenou, o meia ajudou os Azuis Reais a conquistarem pontos fundamentais, a ponto de se tornar um dos jogadores alemães mais especulados no mercado de transferências. Nesta semana, o técnico Andre Breitenreiter afirmou que Sané deverá escolher entre Real Madrid e Barcelona. Por isso mesmo, os próximos meses deverão ser decisivos ao jogador de 20 anos. Quem sabe, para se firmar realmente como um talento.

O novo rico que desponta e o velho que despenca

Três pontos de vantagem e nove vitórias nos últimos dez jogos. Desta vez, o RB Leipzig parece pronto para chegar à elite do futebol alemão. Apostando em muitos jovens, o time da Red Bull aparece na liderança da segundona. E vai ser difícil tirá-lo de lá, tamanha a diferença em investimento em relação aos concorrentes – embora a companhia tenha congelado o dinheiro das contratações na atual janela, diante de problemas financeiros. Enquanto isso, outro clube que causa rejeição entre parte dos alemães parece pronto para deixar a elite. Último colocado, o Hoffenheim até possui bons nomes, mas só venceu dois jogos no primeiro turno. Não cumprirá a promessa de chegar às copas europeias.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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