Alemanha

Comoção e o tabu

O futebol e o povo alemão deram adeus a Robert Enke no último domingo, em uma das maiores manifestações populares da história do país. Cerca de 35 mil pessoas marcharam com velas pelas ruas de Hannover até a AWD Arena, estádio do clube onde aconteceu o funeral do ex-goleiro.

Seu caixão foi colocado no círculo central do campo e cercado com muitas coroas de flores brancas. Os torcedores do Hannover, ainda em choque pelo suicídio do titular da seleção, lotaram as arquibancadas vestidos com roupas pretas e acessórios com as cores do time.

Enke foi enterrado ao lado de sua filha no cemitério de Empede, pequena cidade onde residia. A morte de Lara, em 2006, foi o principal motivo para a depressão do jogador, que não suportou a dor de perdê-la com apenas dois anos de idade em função de um problema cardíaco congênito.

A morte de Enke reabriu uma discussão na Alemanha sobre os tabus da depressão entre os atletas. O presidente da Federação Alemã Theo Zwanziger espera agora que os clubes mudem a maneira de como lidam com esse tipo de problema. Muitos jogadores, como Enke, não querem tornar seus casos públicos e recebem uma sobrecarga emocional que prejudica o desempenho do atleta em campo. Em raras exceções, termina em tragédia.

Amistoso do luto

Sem entrar em campo no final de semana contra o Chile em função do falecimento de Enke, a seleção alemã enfrentou a Costa do Marfim na Veltins-Arena, estádio do Schalke 04, e só empatou. Placar de 2 a 2 justo num amistoso morno, abalado e desmotivado. Não havia muito clima para jogar futebol. Como não poderia ser diferente, os pouco mais de 30 mil torcedores fizeram diversas homenagens ao ex-goleiro.

Na partida, Podolski formou dupla de ataque com Kiessling. O jogador do Colônia foi o grande destaque anotando os dois gols germânicos – um aos 11 do primeiro e outro aos 47 do segundo tempo. Já o atacante do Leverkusen teve algumas oportunidades, mas não conseguiu aproveitar a chance na ausência do titular Klose.

O que fica claro no time de Joachim Low é que a lateral-direita ainda é um problema a ser resolvido para Copa do Mundo. A Nationalelf começou com Boateng na posição, terminando com Andreas Beck. Os dois foram apenas regulares. Trochowski e Ozil formaram o setor de criação e deram um maior poderio ofensivo, mas um dos dois deve sair para o retorno do capitão Ballack.

No gol, Wiese começou como titular, com Neuer entrando na volta do intervalo. A circustância pela qual os dois brigam pela vaga de titular não é a ideal. Recuperando-se da contusão, Enke seria seguramente o número 1 alemão na Copa, mas agora os arqueiros do Werder Bremen e Schalke disputam a meta.

Carlos Alberto de volta?

Com a possível venda de Mesut Özil ao futebol inglês na metade de 2010 – Manchester City e Arsenal querem o jovem meia -, o Werder Bremen já se mobiliza para trazer de volta o brasileiro Carlos Alberto, destaque do Vasco na campanha vitoriosa na Série B do Brasileirão.

O empréstimo do jogador com o clube carioca vai até junho do ano que vem e Klaus Allofs, diretor esportivo dos Papagaios, considera viável o retorno do jogador que foi adquirido em 2007 por 8,5 milhões de euros, na maior contratação da história do Werder.

Se a volta de Carlos Alberto for confirmada, além de ter que mostrar seu valor dentro de campo, terá que superar principalmente a desconfiança dos torcedores e da imprensa alemã, já que fora dos gramados é visto como um jogador-problema e muito polêmico. Não por menos seu apelido é “Caos” Alberto.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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