Alemanha

Coadjuvante? Quem?

No atual time do Borussia Dortmund, quase todo mundo joga bola. Sahin, Götze, Lucas Barrios, Schmelzer, Hummels e Subotic, além de Kagawa, são os principais jogadores de uma equipe que atua em perfeita sincronia e esbanja capacidade tática. Na vitória por 3 a 1 contra o Bayern Munique isso pôde ser visto com nitidez, e foi a vez de Kevin Grosskreutz, um dos menos badalados jogadores do time, brilhar dentro de campo. Com uma atuação espetacular em termos defensivos, o camisa 19 foi fundamental no esquema tático de Jürgen Klopp e ainda mostrou qualidade com a bola nos pés.

Atuando como extremo esquerdo e fechando em diagonal em vários momentos, Grosskreutz começou a partida no ataque, como todo o time aurinegro. Aos oito minutos, roubou a bola de Schweinsteiger no meio-campo, avançou e deu belo passe para Lucas Barrios abrir o placar na Allianz Arena. Ainda como extremo, viu Luiz Gustavo empatar, aos 15 e Sahin desempatar novamente dois minutos depois em um chutaço colocado de fora da área. O jogo seguia franco, aberto e empolgante e a vantagem do Dortmund era, naquele momento, quase nula.

O Bayern Munique pressionava muito, pois Robben e Ribéry venciam facilmente os duelos individuais contra os laterais Schmelzer e Piszczek. Quando os volantes Sahin e Sven Bender chegavam no socorro, Thomas Müller ficava livre. Numa dessas, o Golden Shoe da Copa do Mundo acertou belo passe para Mario Gómez marcar, mas o bandeirinha assinalou impedimento. Era necessária alguma mudança tática urgente, e ela veio.

Mais ou menos aos 25 minutos, Grosskreutz foi recuado por Jürgen Klopp para auxiliar Schmelzer na marcação e atuar como uma espécie de segundo lateral esquerdo, com funções exclusivamente defensivas. Era o início do show do meia que, junto com Schmelzer, não perdeu uma disputa sequer contra Arjen Robben, marcando o holandês de maneira limpa e eficiente, sem precisar dar sequer um pontapé. Com o sistema defensivo acertado – Sahin não precisou mais cobrir a esquerda e passou a bater de frente com Thomas Müller -, o Borussia Dortmund assumiu o controle da partida.

Veio o segundo tempo e Grosskreutz continuava dando show na marcação. Aos 14 minutos, roubou uma bola, avançou em velocidade e tocou para Lewandowski chutar para boa defesa de Kraft. Na cobrança do escanteio, Götze colocou na cabeça de Hummels, que fez o terceiro gol e acabou com as esperanças bávaras. Aos 37 minutos, o camisa 19 foi substituído por Antônio da Silva e saiu de campo ovacionado pela torcida do Borussia Dortmund que viajou a Munique.

A boa atuação de Grosskreutz e a afirmação dele como titular possuem também um significado simbólico. Um dos cinco alemães titulares do time, ele é o único deles nascido em Dortmund, e era torcedor de arquibancada do clube. Certamente, está muito feliz com o momento vivido, pois, além de liderar a Bundesliga, tem sido convocado frequentemente para a seleção alemã principal.

Seria injusto, porém, colocar apenas a dedicação tática de Grosskreutz em primeiro plano e não destacar as demais atuações do time, que jogou muito bem como um todo. A começar, é claro, por Sahin, autor de um golaço e cada vez mais favorito ao posto de craque da Bundesliga. Götze, que deu duas assistências, se consolida cada vez mais como revelação do torneio e um dos melhores /92 da Europa. E Hummels é, atualmente, o melhor zagueiro da Alemanha, sem margem de dúvidas.

Além deles, não se pode esquecer de Lucas Barrios, artilheiro do time, que fez o primeiro gol e participou da jogada do segundo. E Robert Lewandowski, que substitui o lesionado Kagawa com eficiência. Dos onze titulares do Borussia Dortmund, apenas Weidenfeller não foi convocado recentemente para a seleção de seu país, o que é mais uma prova de que a filosofia de futebol coletivo implantada por Jürgen Klopp faz efeito também em termos individuais.

No Bayern Munique, pode-se elogiar a atuação de Ribéry, que ganhou boas jogadas em velocidade, mas não contou com a ajuda dos companheiros. Thomas Müller começou bem, mas logo foi neutralizado por Sahin, e Robben, como já foi dito, foi muitíssimo bem vigiado por Schmelzer e Grosskreutz. Mario Gómez, peça nula na partida, teve apenas uma chance e a aproveitou, mas estava impedido.

O ponto realmente negativo do time, porém, foi a atuação de Schweinsteiger que, além de perder a bola do primeiro gol, não conseguiu produzir nada em termos ofensivos. Luiz Gustavo, que arrebentou como volante contra a Internazionale pela Liga dos Campeões, trocou de posição com Pranjic e jogou como lateral esquerdo. Só Louis van Gaal – talvez nem ele – consegue explicar essa mudança.

A zaga também foi um horror. Badstuber foi substituído no intervalo e deu lugar a Breno, que melhorou um pouco a situação, e Tymoshschuk, que está improvisado no setor, não comprometeu, mas está longe de ser a melhor escolha. Lahm, que foi o melhor lateral direito da Liga dos Campeões no ano passado, poderia ajudar Robben, mas esteve estranhamente apático.

O resultado, somado ao empate entre Werder Bremen e Bayer Leverkusen, praticamente assegura o título do Borussia Dortmund, que agora possui 12 pontos de vantagem em relação aos Aspirinas e 16 em relação aos bávaros. Louis van Gaal já declarou que ficará satisfeito se o Bayern Munique ficar com o vice-campeonato. Faltam ainda dez rodadas e, consequentemente, 30 pontos em jogo, e é certo que o champanhe da festa já foi para o freezer em muitas casas da Vestfália.

Copa da Alemanha: Schalke e Duisburg na final

Na disputa das semifinais da Copa da Alemanha, Schalke 04 e Duisburg levaram a melhor sobre, respectivamente, Bayern Munique e Energie Cottbus e estão classificados para a decisão, que será realizada no dia 21 de maio.

Jogando fora de casa nesta quarta-feira, os azuis reais derrotaram o Bayern Munique por 1 a 0, gol marcado por Raúl. Foi o terceiro confronto entre as equipes na temporada e a segunda vitória do Schalke. Os bávaros venceram apenas o primeiro duelo por 2 a 0, na final da Supercopa alemã. O nome do jogo, novamente, foi Manuel Neuer, que fechou o gol e mostrou mais uma vez que reina soberano como melhor goleiro do país.

O Duisburg, sexto colocado da 2. Bundesliga, derrotou o Energie Cottbus por 2 a 1, gols marcados pelo gigante austríaco Stefan Maierhofer, de 2.02m, e pelo sérvio Srdjan Baljak, ex-Mainz 05. Nils Petersen descontou para o Cottbus, que ocupa o sétimo posto na segunda divisão alemã.
 

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