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Carlo Ancelotti, do Bayern: “Técnicos italianos estão na vanguarda”

O técnico Carlo Ancelotti completa uma marca importante nesta sábado: o seu milésimo jogo como treinador. Na coletiva de imprensa antes do jogo do seu time, o Bayern, ele falou sobre os treinadores italianos, Claudio Ranieri e até sobre uma ideia para o Campeonato Italiano reduzir o seu número de times.

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“Eu acho que as coisas estão indo bem. Nós vencemos o Arsenal por 5 a 1 na Champions League, o que não é ruim… O Bayern tem apenas uma demanda: ser competitivo. Pep Guardiola chegou à semifinal três vezes e eu espero fazer isso também”, comentou Ancelotti ao Quotidiano Sportivo.

“Se você olhar o que está acontecendo ahora na Champions League com o Barcelona ou no último verão na Eurocopa 2016, você quer admirar as grandes estrelas no final da temporada em vez disso os times estão exaustos e se arrastam para os pênaltis”, analisou o italiano.

“Ligas com 20 times são longas demais e muito pesadas, especialmente se há uma briga até o fim por quem estará na Europa na próxima temporada. Na Alemanha nós temos 18 times, o que significa menos jogos e um mês extra de descanso. Não é um detalhe pequeno”, continuou.

“Não há nada novo para inventar no futebol. O que eles pedem é que você traga experiência, diversidade e filosofia, compartilhando tudo isso com seus colaboradores. Quando eu penso na Reggiana anos atrás, eu lembro das pessoas dizendo que se suas pernas doíam depois do treino, significava que você trabalhou bem. Eu descobri que isso não era verdade”, lembrou Ancelotti, no seu primeiro trabalho como técnico, em 1995. Ele encerrou a carreira como jogador em 1992, no Milan.

“Os técnico italianos estão na vanguarda e é graças aos cursos em Coverciano [sede da FIGC, a federação italiana] assim como ao fato da Serie A ser uma liga extremamente tática. Nós discutimos três ou quatro na defesa não apenas para conversar, mas para avaliar os movimentos do adversário e evitar surpresas feias”, contou.

“Na Inglaterra, eles jogam com quatro atrás em qualquer lugar, se você chegar e mudar as coisas, você é quem traz uma surpresa feia para os outros. É isso que Claudio Ranieri fez no Leicester e Antonio Conte no Chelsea”, afirmou. “O problema é que todo mundo pensa que é técnico, acima de todos os presidentes de clubes. Eu adcho que é melhor fazer suas observações para um técnico com uma taça de vinho do que pelas câmeras de TV”.

Ele também comentou a demissão de Claudio Ranieri do Leicester, nove meses depois de levar o time à inacreditável conquista da Premier League. “Há uma final linha psicológica que é a questão aqui. O técnico é quem perde, o presidente e os jogadores que vencem. Eles têm dificuldades em aceitar substituições ou mudanças. Nossas vidas são cada vez mais difíceis nessa linha de trabalho, como mais que um jogo, você precisa trabalhar na gestão de pessoas”, disse Ancelotti.

Contratado no início de 2016, quando Pep Guardiola anunciou que deixaria o clube, ele estudou alemão e já se apresentou ao clube bávaro falando a língua do país. Ele admite, porém, que ainda tem algumas dificuldades com o alemão. Para amenizar isso, estuda três horas por dia. Além disso, tem vivido muito bem em Munique. “A Alemanha parece a Lombardia para mim, não é tão diferente. Eu estava feliz em Paris, Londres, Madri e Munique e meu retiro tranquilo em Vancouver, no Canadá”, disse.

 

 

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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